terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Preciosa

Bem Vindo À Casa de Bonecas

Preciosa: Uma História de Esperança // Precious: Based On The Novel Push By Sapphire

Nota: 9,5

Assim que ouvi falar de Precious, na época do festival de Cannes, onde ganhou o prêmio do público, eu me interessei, mas ele foi meio abafado por todo a falação em torno do novo filme do Tarantino, que eu gostei só até uma parte, e pelo filme do Michael Haneke, que ganhou a Palma de Ouro e tem sido indicado nas categorias de filme estrangeiro das premiações. Mas ele estreou de fato em Sundance, antes de Cannes, onde ganhou o prêmio do júri, do público e um prêmio especial de melhor atriz para Mo’Nique, e até recebeu ajuda da Oprah e o Tyler Perry pra alcançar os cinemas. O filme é uma adaptação do livro Push, best-seller nos anos 90, e dirigido pelo Lee Daniels, que produziu A Última Ceia, que deu o Oscar a Halle Berry.

Sapphire, que no filme virou Miss Blu Rain, a autora do livro, é uma professora que trabalhava alfabetizando estudantes defasadas no Harlem, e escreveu o livro baseada nas experiências que ela viveu durante o período. A história é sobre Clareece Precious Jones, feita pela Gabourey Sidibe, na sua estréia no cinema, uma jovem de 17 anos abusada sexualmente pelo pai desde a infância, de quem já tem uma filha e engravida do segundo. A mãe dela, interpretada pela apresentadora e comediante Mo’Nique, tem ciúme da preferência do namorado (pai da Precious) e odeia a filha, a quem ela tortura física e psicologicamente.

Só por essa breve descrição já dá pra ver a barra que é o filme. O elenco ainda conta com dois cantores famosos: Mariah Carey, que foi massacrada na sua estréia no cinema, com o filme Glitter, que apesar de eu adorar a Mariah, tenho eu admitir que o filme é muito ruim mesmo. Mas ela deu a volta por cima nos seus filmes posteriores. Aqui ela está muito bem, e visualmente envelhecida e sem maiores vaidades. Talvez fosse sua aparência se não fosse famosa. Ela interpreta uma assistente social que lida com o caso da Precious. O roqueiro Lenny Kravitz faz um enfermeiro que se afeiçoa pela protagonista.

Como já disse, o filme ganhou o prêmio de público em Cannes, e na sessão que eu estava, todo mundo soluçava. Quem Quer Ser Um Milionário ganhou o Oscar de melhor filme esse ano, mas Precious é um filme que mostra pessoas da mesma camada social e seus problemas, sem apelar pro fantástico, o fantasioso, e mostra que contos de fadas só existem nos sonhos mesmo. A realidade é sempre outra. Um é uma bela fábula, o outro é um belo filme, daqueles que nos fazem querer dedicar duas horas da nossa semana entregando sopa no albergue municipal ou dando aula de geografia na periferia, ao invés de torcer pra que algum favelado ganhe na loteria ou um prêmio do Silvio Santos.

O elenco inteiro, apesar de não ser extenso, é soberbo, principalmente as duas protagonistas, que poderiam levar o Oscar facilmente. E merecidamente. Acho mais fácil a Mo’Nique levar (o que eu torço até o momento), porque a Gabourey tem concorrência grande. Meryl Streep por Julie & Julia, que ganhou seu último Oscar há 27 anos, já merece outro faz tempo, e coleciona 15 indicações até esse ano, e a Sandra Bullock, que finalmente, depois de tanto tempo, mostrou a que veio. Mas só de imaginar a Gabourey ganhando, acho que nem a Meryl ia se importar de esperar mais um ano ou dois.

Acima de tudo, Precious é um filme sobre a vida, sobre a maioria das pessoas que habitam esse planeta, que celebra a riqueza de 5% da humanidade. Enquanto o cinema brasileiro estagnou numa visão extremamente unilateral e cheia de mea-culpa da pobreza e violência, apontando sempre para os lados errados, Hollywood investe na vida dos ricos e poderosos, e nas ficções científicas infantilóides metidas à filosofia. Mas do nada sempre surge um filme pequeno e independente, que mostra o que as taças de Veuve Clicquot nas telas do cinema embaçam da nossa vista.


P.S.: O título brasileiro, como quase sempre, é péssimo.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Todos Estão Bem

O Elo Perdido

Estão Todos Bem // Everybody's Fine


Nota: 9,0


Em setembro ou outubro, Robert DeNiro ganhou um prêmio por este filme mas tem sido esquecido pelas principais premiações desde então. O mesmo aconteceu com a Hillary Swank por Amelia. Eu gostei muito do filme, e quando fui pesquisar sobre ele, descobri que é uma refilmagem do diretor Kirk Jones (que eu nunca ouvi falar) de um filme italiano homônimo do Giuseppe Tornatore (diretor de Malena e Cinema Paradiso, que eu amo, venero e preciso rever urgente) do começo dos anos 90, que tinha Marcello Mastroianni no papel principal. Minha nota caiu meio ponto depois dessa...

Bom, a história é sobre um recém viúvo que arruma a casa inteira só pra receber os telefonemas dos filhos cancelando a visita pro feriado de ação de graças (Thanksgiving). Já que Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé, e ele decide então fazer surpresa aos filhos e visitá-los, em Nova York, Chicago, Denver e Las Vegas.

Os filhos são o Robert, feito pelo Sam Rockwell (Frost/Nixon), que toca numa orquestra em Denver, Amy, feita pela Kate Beckinsale (Pearl Harbor, Van Helsing, Click), que tem uma agência de publicidade em Chicago, Rosie, a Drew Barrymore (dispensa apresentações), a meiga dançarina de Vegas, e o misterioso David, um artista plástico que mora em NY.

A tônica da história é mostrar uma relação de pais e filhos que se amam, mas não conseguem se comunicar. E isso é uma coisa muito normal. Geralmente os filhos criam mais intimidade com as mães do que com os pais, e com a perda da mãe, ficou faltando o elo de ligação deles. E tudo se justifica de certa forma. O pai tinha uma relação distante dos filhos, nunca trocou experiências com eles, e depois quis correr em busca do tempo perdido.

Enfim, uma história bonita, tem seus momentos lacrimejantes, e o final é diferente do original italiano, pelo menos. O italiano fica no sarcasmo, ironia, enquanto esse fica no sentimentalismo. Só achei o finalzinho mesmo, ao som de Paul McCartney (longe do seu melhor) clichê. Poderia ser um filme bonito para o ano todo, mas virou só mais um filme pra passar na TV no natal, como o cartaz já mostra.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica (500) Dias Com Ela

Tempo Perdido

(500) Dias Com Ela // (500) Days Of Summer

Nota: 7,0

Eu tinha pouco interesse em ver esse filme, acho que por não ter nenhuma simpatia pelo casalzinho principal. São insossos e desinteressantes. O filme é dirigido pelo Marc Webb, na sua estréia dirigindo filmes. Ele antes dirigia curta metragens e videoclipes de diversos artistas e bandas como Counting Crows, Snow Patrol, Fergie, Good Charlotte, Green Day, 3 Doors Down, Backstreet Boys, Maroon 5, Wallflowers, Jesse McCartney, Daniel Powter, Weezer, Evanescence, Gavin DeGraw, Lenny Kravitz e Incubus. Bela lista. Mas para minha surpresa, o filme não é de todo mau. Tampouco é grandes coisas. Poderia ser melhor.

Bom a história é sobre um rapaz, o Joseph Gordon-Levitt, que eu sempre acho muito parecido com o Heath Ledger, só que numa versão teen-feioso, que se interessa por uma moça do seu trabalho, que aparentemente é pouco sociável com os demais colegas. Mas ela, a Zooey Deschanel, dá bola pra ele e eles ensaiam um relacionamento. Só que ele se interessa muito mais por ela, do que ela por ele. E ele sofre com isso.

Aí o filme mostra os 500 dias desde que ele a conheceu e passa por todos aqueles estágios chatos da desilusão, que quem já passou, e tiver algum pingo de amor próprio, provavelmente não consegue ver graça nenhuma num filme desses. Ainda mais quando a ilusão é com a chata da Zooey. Ela é má atriz, esquisita, abiscoitada, com toda aquela simpatia babaca de ser. Uma “loser” total. É quase uma Karina Bacchi de cabelos escuros. Tenta ser Kirsten Dunst ou Claire Danes, mas não tem competência pra tal.

O único papel dela que eu gostei foi em Quase Famosos. Não porque ela esteja bem, pois não está, mas porque tudo ao redor dela funciona, e o roteiro é magnífico. Dizem que ela tá bem no seriado Weeds, mas eu não vi os episódios que ela aparece. Os filmes em que a vi (Fim dos Tempos, Sim, Senhor, etc.) são todos ruins. E ela não fica atrás. E fui só eu, ou eles dois não combinam? Ele parece muito meninote pra ela. Mas isso até faz sentido com a história do filme...

E a gente percebe que o filme foi feito por um diretor de videoclipes quando o melhor momento, de longe, é uma cena dançante ao som de “You Make My Dreams” do Hall & Oates (Oh! I Love the 80’s!). Pelo menos a trilha sonora é ótima, apesar de meio incoerente, alhos com bugalhos. O filme foi bem recebido pelos críticos e recebeu várias indicações a prêmios que separam categorias para comédias. É, ele tem o mérito de não ser clichê em nenhum momento, apesar de o fim ter me lembrado um pouco O Casamento do Meu Melhor Amigo. Mas ainda acho que poderia ser melhor sim...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Seção CINEMA // Indicados ao Critics Choice e ao SAG Awards

Ano passado eu comentei como funcionam as principais premiações de Hollywood. Já saíram os indicados a 3 das 4 grandes premiações. As do Oscar só saem em fevereiro. Já postei os indicados ao Globo de Ouro, e agora vou postar os do prêmio do Sindicato dos Atores (SAG Awards) e do Prêmio dos Críticos (Critics Choice Awards).


CRITICS CHOICE AWARDS

Melhor Filme
Avatar, Educação (An Education), Guerra Ao Terror (The Hurt Locker), Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds), Invictus, Nine, Preciosa - Uma História de Esperança (Precious), Um Homem Sério (A Serious Man), Up, Amor Nas Alturas (Up In The Air)

Melhor Diretor
- Kathryn Bigelow - Guerra Ao Terror
- James Cameron - Avatar
- Lee Daniels - Preciosa
- Clint Eastwood - Invictus
- Jason Reitman - Amor Nas Alturas
- Quentin Tarantino - Bastardos Inglórios

Melhor Ator
- Jeff Bridges - Crazy Heart
- George Clooney - Amor Nas Alturas
- Colin Firth - Direito de Amar (A Single Man)
- Morgan Freeman - Invictus
- Viggo Mortensen – A Estrada (The Road)
- Jeremy Renner - Guerra Ao Terror

Melhor Atriz
- Emily Blunt - The Young Victoria
- Sandra Bullock - Um Sonho Possível (The Blind Side)
- Carey Mulligan - Educação
- Saoirse Ronan - Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones)
- Gabourey Sidibe - Preciosa, Uma História de Esperança
- Meryl Streep - Julie & Julia

Melhor Ator Coadjuvante
- Matt Damon - Invictus
- Woody Harrelson - The Messenger
- Christian McKay - Me And Orson Welles
- Alfred Molina - Educação
- Stanley Tucci - Um Olhar do Paraíso
- Christoph Waltz - Bastardos Inglórios

Melhor Atriz Coadjuvante
- Marion Cotillard - Nine
- Vera Farmiga - Amor Nas Alturas
- Anna Kendrick - Amor Nas Alturas
- Mo’Nique - Preciosa - Uma História de Esperança
- Julianne Moore - Direito de Amar
- Samantha Morton - The Messenger

Melhor Jovem Ator
- Jae Head - Um Sonho Possível
- Bailee Madison - Entre Irmãos (Brothers)
- Max Records - Onde Vivem Os Monstros (Where The Wild Things Are)
- Saoirse Ronan - Um Olhar do Paraíso
- Kodi Smit-McPhee - A Estrada

Melhor Elenco
Bastardos Inglórios, Nine, Preciosa, Star Trek, Amor Nas Alturas

Melhor Roteiro Original
- Mark Boal (Guerra Ao Terror)
- Joel Coen & Ethan Coen (Um Homem Sério)
- Scott Neustadter & Michael H. Weber (500 Dias Com Ela)
- Bob Peterson, Peter Docter (Up – Nas Alturas)
- Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios)

Melhor Roteiro Adaptado
- Wes Anderson, Noah Baumbach (O Fantástico Sr. Raposo) (Fantastic Mr. Fox)
- Neill Blomkamp, Terri Tatchell (Distrito 9)
- Geoffrey Fletcher (Preciosa - Uma História de Esperança)
- Tom Ford, David Scearce - Direito de Amar (A Single Man)
- Nick Hornby (Educação)
- Jason Reitman, Sheldon Turner (Amor Nas Alturas)

Melhor Fotografia
Guerra Ao Terror, Nine, Avatar, Um Olhar do Paraíso, Bastardos Inglórios.

Melhor Direção de Arte
Direito de Amar, Avatar, Nine, Um Olhar do Paraíso, Bastardos Inglórios.

Melhor Edição (Montagem)
Amor Nas Alturas, Bastardos Inglórios, Guerra Ao Terror, Avatar, Nine.

Melhor Figurino
Nine, Bright Star, The Young Victoria, Bastardos Inglórios, Onde Vivem Os Monstros.

Melhor Maquiagem
Avatar, Distrito 9, Nine, A Estrada, Star Trek.

Melhor Efeitos Especiais
Avatar, Distrito 9, Um Olhar do Paraíso, Star Trek, 2012.

Melhor Som
Avatar, Distrito 9, Guerra Ao Terror, Nine, Star Trek.

Melhor Animação
Tá Chovendo Hamburguer (Cloudy With A Chance Of Meatballs), Coraline, O Fantástico Sr. Raposo, A Princesa e O Sapo, Up – Nas Alturas.

Melhor Filme de Ação
Avatar, Distrito 9, Guerra Ao Terror, Bastardos Inglórios, Star Trek.

Melhor Comédia
500 Dias Com Ela, Se Beber Não Case, Se Beber Não Case (The Hangover), Simplesmente Complicado (It’s Complicated), A Proposta (The Proposal), Zumbilândia (Zombieland).

Melhor Filme Estangeiro
Broken Embraces, Coco Before Chanel, Red Cliff, Sin Nombre, The White Ribbon.

Melhor Documentário
Anvil, Capitalism: A Love Story, The Cove, Food, Inc., Michael Jackson’s This Is It.

Melhor Canção Original
- "All Is Love" - Karen O, Nick Zinner - Onde Vivem Os Monstros
- "Almost There" - Randy Newman - A Princesa e o Sapo
- "Cinema Italiano" - Maury Yeston - Nine
- "(I Want To) Come Home" - Paul McCartney - Everybody’s Fine
- "The Weary Kind" - T Bone Burnett, Ryan Bingham - Crazy Heart

Melhor Trilha Sonora
Michael Giacchino (Up! Nas Alturas), Marvin Hamlisch (O Desinformante), Randy Newman (A Princesa e o Sapo), Karen O, Carter Burwell (Onde Vivem Os Monstros), Hans Zimmer (Sherlock Holmes).



SAG AWARDS

Melhor Elenco
Educação
Dominic Cooper, Alfred Molina, Carey Mulligan, Rosamund Pike, Peter Sarsgaard, Emma Thompson, Olivia Williams.
Guerra Ao Terror
Christian Camargo, Brian Geraghty, Evangeline Lilly, Anthony Mackie, Jeremy Renner.
Bastardos Inglórios
Daniel Brühl, August Diehl, Julie Dreyfus, Michaelfassbender, Sylvester Groth, Jacky Ido, Diane Kruger, Mélanie Laurent, Denis Menochet, Mike Myers, Brad Pitt, Eli Roth, Til Schweiger, Rod Taylor, Christoph Waltz, Martin Wuttke.
Nine
Marion Cotillard, Penélope Cruz, Daniel Day-Lewis, Judi Dench, Fergie, Kate Hudson, Nicole Kidman, Sophia Loren.
Preciosa - Uma História de Esperança
Mariah Carey, Lenny Kravitz, Mo'Nique, Paula Patton, Sherri Shepherd, Gabourey Sidibe.

Melhor Ator
Jeff Bridges - Crazy Heart
George Clooney - Up In The Air
Colin Firth - Direito de Amar
Morgan Freeman - Invictus
Jeremy Renner - The Hurt Locker


Melhor Atriz
Sandra Bullock – Um Sonho Possível
Helen Mirren - The Last Station
Carey Mulligan - Educação
Gabourey Sidibe - Preciosa
Meryl Streep - Julie & Julia


Melhor Ator Coadjuvante
Matt Damon - Invictus
Woody Harrelson - The Messenger
Christopher Plummer - The Last Station
Stanley Tucci - Um Olhar do Paraíso
Christoph Waltz - Bastardos Inglórios


Melhor Atriz Coadjuvante
Penélope Cruz - Nine
Vera Farmiga - Amor Nas Alturas
Anna Kendrick - Amor Nas Alturas
Diane Kruger - Bastardos Inglórios
Mo'nique - Preciosa


Considerações Gerais

- O Critics Choice me lembra um pouco Grammy. Tem categoria demais. Parece que querem premiar todo mundo. Inclusive também comentarei algumas das centenas de categorias do Grammy do ano que vem.

- Eu achava que Nine ia conquistar mais indicações de elenco. Pelo jeito o filme não deve ser tão bom quanto Chicago. Muito curioso pra ver. Esse ano aparentemente não há grandes favoritos. Acho que cada premiação vai dar um diferente. Acho que Up in The Air, Bastardos Inglórios e Precious devem ser os com mais chances, com Guerra ao Terror (que eu já abomino só pelo nome), Avatar e Invictus com chances também.

- Julianne Moore não foi indicada ao Prêmio do Sindicato. Como eu já tinha dito na minha crítica, não achei o papel dela grande coisa no filme. No lugar, indicaram a Diane Kruger, que eu achei esplêndida em Bastardos Inglórios. Achei uma troca justa, apesar de adorar a Julianne. Minha favorita na categoria até o momento é a Mo’Nique. Ela tá excelente em Preciosa, que postarei comentário brevemente.

- Gostei de a Saoirse Ronan ser indicada. Ela e a Abigail Breslin são as melhores atrizes mirins de Hollywood. Ela não foi indicada nem ao Globo de Ouro, nem ao SAG, que não costumam indicar crianças. Desde que o Haley Joel Osment foi indicado e chorou quando perdeu, eles preferem evitar o climão. Mas o Oscar costuma ainda indicar (a própria Saoirse já foi indicada), então talvez ela tenha alguma chance, mesmo sendo bem difícil.

- Não vi Invictus, tô em dúvidas se irei ver, mas desde já desprezo todo esse auê em torno do mesmo.

- Senti falta de Intrigas de Estado nas premiações, apesar do final ser meio covarde.

- Ele Não Está Tão A Fim de Você e Os Delírios de Consumo de Becky Bloom deveriam ter sido lembrados nas categorias de comédia.

- Graças aos deuses Brüno foi totalmente ignorado.

- A Imelda Staunton em Taking Woodstock merecia indicações também.

- Whatever Works do Woody Allen também é bem acima da média e merecia algumas indicações. E é bem superior a Vicky Cristina Barcelona.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Direito de Amar


Um Homem Chato


A Single Man

Nota: 8,0


Se eu for realmente sincero tenho que admitir que esperava bem mais desse filme. É o primeiro filme do estilista Tom Ford. Ele produziu, escreveu e dirigiu. Conhecendo bem o trabalho dele, principalmente com as suas famosas (e polêmicas) propagandas, só procurar no google pra conferir o estilo dele, e vendo o trailer (que eu achei poético, flui muito bem), já dava para esperar algo bem ousado, só não achava que ia ficar só nisso. A história é uma adaptação de um livro homônimo, da década de 60, creio eu, mesma época que o filme se passa.

No filme, um professor universitário, feito pelo Colin Firth, recebe a notícia que o seu pareceiro, o Matthew Goode, morreu num acidente de carro. E ele fica desolado. E a história fica só nisso... Aperecem mais algumas pessoas no filme (talvez pra não virar um monólogo), pessoas que convivem com ele, intercaladas com os diversos flash backs com o Matthew, como a Julianne Moore, que faz a melhor amiga dele, e tem sido muito elogiada, inclusive bem cotada nas premiações. Mas ela não faz nada no filme. Só tem uma cena importante, mas não é nada como a Viola Davis em Dúvida, por exemplo, algo que surpreende e comove.

Além do trio, ainda tem o Nicholas Hoult, que fez Um Grande Garoto e O Sol de Cada Manhã (que é tenebroso), e era o "vilão" do seriado britânico Skins, que eu adorava mas inventaram de dar uma de Malhação na terceira temporada, mudando todos os personagens e a história, aí eu parei de ver. Ele faz um aluno que joga todo seu charme (e grifes) pra cima do Colin. Tanto que sempre que ele aparece aumentam a saturação da imagem, pra colorir um pouco a vida dele (do Colin).

Ele sempre me lembrou um pouco o James Marsden, mas no filme ele tá tão embonecado, almofadinha, bronzeado e com o cabelo clareado, que eu só lembrava do Zac Efron. Com melhores interpretações, óbvio. Talvez fosse alguma citação a alguem e eu não reconheci. Tem das citações claras, como a Brigite Bardot americana, fumando na sala de aula, ou o James Dean espanhol na cabine telefônica do estacionamento do supermercado. Achei meio clichê. E tem também a Ginnifer Goodwin, que fez Johnny e June e Ele não Está Tão A Fim de Você, mas ela só faz acenar pros vizinhos nas duas (ou três) cenas que ela tem.

Um filme feito por um estilista, não podia pecar no visual. Se o filme não tem muita história pra contar, cenas silenciosas e plasticamente belas é o que não falta. Ele é primoroso nesse aspecto. Merece um Oscar de fotografia. Mas é uma estética bem gay. Nota-se pelo cuidado excessivo com a moda e em cenas como a que o Colin não consegue parar de olhar pra dois homens jogando tênis. A trilha sonora (incindental) também é ótima. Tudo é perfeito, calculado. Os figurinos, os cenários, tudo muito bem cuidado. Mas chega a ser tão perfeito que beira o kitsch, o cafona. Parece uma versão filmada de uma revista Vogue. Uma propaganda de perfume de uma hora e meia. Perfumes de grife, nada de Boticário, Água de Cheiro e afins...

Um lado bom também é que as cenas silenciosas do filme exploram muito as expressões faciais dos personagens. Todos estão ótimos nesse sentido, e no pouco mais que há pra se fazer. O Colin foi indicado ao Globo de Ouro, e é um dos favoritos ao Oscar também, mas acho difícil premiarem dois papéis gays seguidamente. Engraçado que tirando ele, trocaram as nacionalidades de todos (que falam) no filme. A Julianne, que é americana, faz uma inglesa, e o Matthew Goode e o Nicolas Hoult, que são ingleses, interpretam americanos.

E no fim das contas o homem solteiro, é só chato. Chato no sentido de apático. Não dá pra entender o comportamento dele. Ok, até dá, mas não exatamente pra concordar. Tudo bem ele sentir falta do que perdeu, mas parar de viver é que não dá. Além de muito esquisitão. Quem fica observando seus vizinhos pela janela enquanto tá na privada? Tudo é muito surreal. Só tem gente linda e esquálida, tirando o Colin, mas que também tá longe de ser no mínimo acima do peso, e não dá pra acreditar muito na história, faz tudo parecer muito fácil, como se oportunidades batessem na porta todo dia. Achei pouco verossímil. OK, vou ficar por aqui pra não entregar mais nada do filme.



UPDATE: Um detalhe que eu esqueci de comentar. Acho que o pior pecado do filme é a valorização exgerada (talvez imposição) da juventude e riqueza como padrão de beleza. Tanto que o Colin e o Matthew foram parceiros por 16 anos, mas nos flashback da cena que eles se conheceram, eles não mudaram nada. Esse é pra mim o pior lado do mundo da moda, que é algo muito forte nesse filme.


UPDATE 2: O título brasileiro é Direito de Amar. Quem foi o gênio que teve essa idéia de jerico? Parece nome de novela da rádio dos anos 50...


UPDATE 3: A "Brigite Bardot americana" é interpretada pela modelo brasileira Aline Weber. Ela não faz nada no filme além de fazer pose com o cigarro. Não tem nenhuma fala.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Seção CINEMA // Indicações ao Globo de Ouro 2010

Saíram hoje os indicados ao Globo de Ouro em janeiro de 2010. Não vi quase nenhum dos filmes, mas fiz comentários mesmo assim. Claro que tudo pode (e deve) mudar depois de ter visto todos.

Eis os indicados para cinema:


Melhor Filme Drama

Avatar
Tudo muito cheio de efeitos especiais sempre me passa a impressão de infantilóide. A história é uma clara metáfora a favor do politicamente correto. Pode ser ótimo, e pode ser clichê. Verei esse fim de semana.

The Hurt Locker
Tenho saco mais não pra filme sobre o Iraque.

Inglourious Basterds
Adorei até o terço final. Por mim não levaria.

Precious: Based On The Novel Push By Sapphire
Não vi, mas acho que vai ser o meu favorito.

Up In The Air
Achei o enredo muito comédia romântica, meio imitação de Cameron Crowe, que eu adoro.




Melhor Atriz Drama

Emily Blunt – The Young Victoria
Adoro a Emily, mas filme da rainha já deu nos nervos...

Sandra Bullock – The Blind Side
Adorei o trabalho dela. Acho que dessas vai ser a minha favorita. Preciso ver os demais.

Helen Mirren – The Last Station
Gostei do trailer, mas não acho que ela seja a provável vencedora. Por enquanto...

Carey Mulligan – An Education
Gostei do trailer.

Gabourey Sidibe – Precious: Based On The Novel Push By Sapphire
Minha torcida politicamente correta fica com ela. Preciso ver e me decidir entre ela e a Sandra.




Melhor Ator Drama

Jeff Bridges – Crazy Heart
Talvez ele leve por ser um bom ator e tão pouco reconhecido. O filme parece daqueles que foram feitos só pra ele ir pros holofotes, tipo o Mickey Rourke ano passado.

George Clooney – Up In The Air
Pela história o filme com certeza deve me agradar bem mais que Syriana, e eu creio que acharei sua performance melhor. Ele fazendo papel de cínico, cara de pau é algo que combina demais com ele.

Colin Firth – A Single Man
O trailer é bom. As críticas também, mas achei que o filme ia receber mais indicações. Acho que eis aqui o meu favorito.

Morgan Freeman – Invictus
Dúvida cruel. Clint Eastwood me dá nos nervos, mas é sempre bom pra meter o pau depois. Só pela história já dá pra ver que é mais um supra-sumo do clichê. Vou tomar um hepocler antes de ver.

Tobey Maguire – Brothers
Recebeu boas críticas, mas é difícil ele me convencer. Sempre o acho com cara de paspalho. Tenho que ver pra saber opinar.




Melhor Filme Musical ou Comédia

(500) Days Of Summer
Achei o trailer tão insosso que deixei passar. O casalzinho também é sem graça demais.

The Hangover
Esse eu já achei bem mais do mesmo e deixei passar. Colocava Whatever Works do Woody Allen aí fácil.

It's Complicated
Bem mulherzinha (de meia idade), tipo Alguém Tem Que Ceder.

Julie & Julia
Adoro. Dúvida entre ele e Nine.

Nine
Adoro musicais. Nem vi ainda, mas só pelo elenco e pelo trailer deve ser ótimo.




Melhor Atriz Musical ou Comédia

Sandra Bullock – The Proposal
O filme é meia boquíssima. E já a vi em comédias melhores.

Marion Cotillard – Nine
Só vendo o filme pra saber qual a minha favorita.

Julia Roberts – Duplicity
Esse filme não era de ação/espionagem/suspense? Achei que fosse...

Meryl Streep – It's Complicated
Ela é sempre perfeita.

Meryl Streep – Julie & Julia
Mas nesse ela se supera. Fico com ela.




Melhor Ator Musical ou Comédia

Matt Damon – The Informant!
Gosto dele. Já tem um Oscar (que ele não merece), e por enquanto tá bom demais.

Daniel Day-Lewis – Nine
Curioso pra ver. Ele é perfeito, mas nunca o vi fazendo nada remotamente relacionado com musica.

Robert Downey Jr. – Sherlock Holmes
Meu favorito pelo conjunto da obra. Quero muito ver o filme também.

Joseph Gordon-Levitt – (500) Days Of Summer
Insosso, num filme aguado.

Michael Stuhlbarg – A Serious Man
Filme dos irmãos Coen. Tenho que ver.




Melhor Atriz Coadjuvante

Penélope Cruz – Nine
Já ganhou prêmio demais ano passado por muito pouco. Estrapolou a conta até os próximos 10 anos.

Vera Farmiga – Up In The Air
Gosto dela, mas tenho que ver o filme pra opinar. Ela me lembra a Camila Morgado.

Anna Kendrick – Up In The Air
Não tenho nada a dizer. Preciso ver.

Mo'nique – Precious: Based On The Novel Push By Sapphire
Esse filme desperta minha curiosidade. Ela é comediante, acho. Já tô até vendo Spike Lee, Chris Rock, entre outros, na torcida.

Julianne Moore – A Single Man
Nem vi, mas já digo que é a minha favorita. Ela deve ser a atriz mais pouco reconhecida em premiações no momento, assim como era a Kate Winslet ano passado.




Melhor Ator coadjuvante

Matt Damon – Invictus
Nada dentro das clichezadas do Clint me emocionam. Balde!

Woody Harrelson – The Messenger
Sem nem que filme é esse. Gostei dele como Larry Flynt...

Christopher Plummer – The Last Station
Gostei do trailer.

Stanley Tucci – The Lovely Bones
Gosto muito dele. Já deveria ter recebido outras indicações antes.

Christoph Waltz – Inglourious Basterds
Se ele não vencer, vou me surpreender muito.




Melhor Diretor

Kathryn Bigelow – The Hurt Locker
Filme de guerra já deu.

James Cameron – Avatar
Ele é um ótimo diretor, apesar de achar seus filme muito "não-sérios".

Clint Eastwood – Invictus
Balde!

Jason Reitman – Up In The Air
Por Juno, acho muito cru ainda. Tenho que ver esse.

Quentin Tarantino – Inglourious Basterds
Não sou grandes fãs do filme, mas sou fã dele e ele merece. E além do mais, esse provavelmente é o filme que mais exige de direção. Um verdadeiro maestro. São muitas nuances, muitos atores, muitas sutilezas, muitas faltas dela também, muitas línguas...




Melhor Roteiro

District 9 - Neill Blomkamp, Terri Tatchell
Não...

The Hurt Locker - Mark Boal
Não...

Inglourious Basterds - Quentin Tarantino
Não... Odeio o desfecho.

It's Complicated - Nancy Meyers
Não. Não deve ser nada demais. Nem sei por que foi indicado.

Up In The Air - Jason Reitman, Sheldon Turner
Hmmm. Não tinham outros melhores filmes pra indicar não?




Melhor Animação

Cloudy With A Chance Of Meatballs
Não vi.

Coraline
Não vi. [2]

Fantastic Mr. Fox
Não vi. [3]

The Princess And The Frog
Não vi. [4]

Up
Vi! Lindo.




Melhor Filme Estrangeiro

Não vi nenhum, nem nunca ouvi falar antes também... O da Espanha é o do Almodóvar com a Penélope Cruz? Mas só pra ir contra a supremacia européia, torço pelo chileno.

Baaria (Itália)

Broken Embraces (Espanha)

The Maid (La Nana) (Chile)

A Prophet (Un Prophete) (França)

The White Ribbon (Das Weisse Band - Eine Deutsche Kindergeschichte) (Alemanha)




Melhor Trilha Sonora

Up - Michael Giacchino
Não ouvi

The Informant! - Marvin Hamlisch
Não ouvi [2]

Avatar - James Horner
Não ouvi [3]

A Single Man - Abel Korzeniowski
Não ouvi [4]

Where The Wild Things Are - Karen O, Carter Burwell
Não ouvi [5]




Melhor Canção

"Cinema Italiano" – Nine
Music & Lyrics By: Maury Yeston
Adoro o estilo de música do filme. Essa não deve ser diferente, pra não destoar.

"I See You" – Avatar
Music By: James Horner and Simon Franglen
Lyrics By: James Horner, Simon Franglen and Kuk Harrell
Horner já ganhou por Titanic. Não acho que esse não ser algo superior não.

"I Want To Come Home" – Everybody's Fine
Music & Lyrics By: Paul McCartney
Eles gostam de premiar roqueiros consagrados. Pode ser a vez dele.

"The Weary Kind (Theme From Crazy Heart)" – Crazy Heart
Music & Lyrics By: Ryan Bingham and T Bone Burnett
Contry do filme do Jeff Bridges. Sei não... O T Bone cuidou das canções de Johnny e June.

"Winter" – Brothers
Music By: U2
Lyrics By: Bono
Eles gostam de premiar roqueiros consagrados. Pode ser a vez dele também.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Um Sonho Possível

O Brutos Também Amam

Um Sonho Possível // The Blind Side

Nota: 8,5

Eu sabia! Tinha certeza que ali no fundo, bem dentro no âmago daquele ser, havia uma atriz. Acho que pela primeira vez vejo a Sandra Bullock fazendo um filme interessante. Mentira. Eu já tinha visto outros filmes interessantes dela, mas nada desafiador, que ela tivesse que se transformar em alguém muito diferente dela. Ela já tinha feito algo parecido em Miss Simpatia, que não é um filme pra ser levado a sério... Crash é uma porcaria, nem me cogitem a opção de citar. A direção e o roteiro são do John Lee Hancock, que eu não conhecia, mas dirigiu O Álamo, que deixei passar.

A história é adaptação de um livro às telas (como sempre!). O livro fala sobre a evolução de uma posição daquele jogo civilizado, cordial, elegante (um xadrez, uma esgrima, um hipismo, uma ginástica rítmica!), que os americanos chamam de futebol e com mais proteções, e no resto do mundo usam só um short e uma camisa. Na outra parte do livro vem a história lacrimejante de um dos grandes (talvez o maior, mas como não entendo bulhufas do assunto, seria arriscado apontar) jogadores dessa posição na atualidade, Michael Oher.

Michael teve uma infância difícil, filho de uma drogada que perdeu a guarda dele pro Estado, lá nos sul dos EUA (Tennessee), aquele lugar cheio de republicanos religiosos, onde há toda uma inclusão social, um clima gostoso de solidariedade, em que eles brincam de Guerra de Secessão, relembrando os bons tempos que já se foram e não voltam mais. Ele é admitido em uma escola para ricos devido ao seu potencial esportivo. Mas suas notas não o permitem participar dos times. Em um feriado de Ação de Graças (Thanksgiving) uma família rica o vê andando sozinho no frio e o leva pra casa.

A família rica consiste da Sandra Bullock, loira, peruézima, extravagante, altiva e imperiosa, quase uma Susana Vieira, o Tim McGraw, cantor country marido da Faith Hill, a filha adolescente, a Lilly Collins, que é filha do Phil Collins, e o filho mais novo, que é uma figura. Os conservadores e bons cristãos acolhem o rapaz por uma noite, mas ele vai ficando cada vez mais, conquistando a família inteira, que acaba por adotá-lo, e ainda contratam uma tutora, a Kathy Bates (que eu adoro e acho que deveria ser muito mais aproveitada tanto nesse filme, como em Hollywood em geral), pra ajudá-lo a melhorar as notas, entrar pro time de futebol e conseguir bolsas de estudos pra faculdade.

A fórmula é batidíssima e clichê, mas a história não deixa de ser muito bonita. Vale a pena ser contada. O elenco tá perfeito, o jovem protagonista é muito carismático, a Kathy está perfeita como sempre, mas quem rouba as cenas é a Sandra. A superação do rapaz é o mais importante da história, mas ela é que é a alma do filme, e já dizem estar na disputa por prêmios nos próximos meses. Ela tá tão cheia de plástica, com a cara mais esticada que lençol no varal, e acabou conseguindo um papel perfeito pra ela, coisa que eu achava estar ficando cada vez mais distante. Plásticas acabam com a expressividade facial, e um ator precisar transmitir emoções. Esse mês saem as indicações ao Globo de Ouro e a Critics’ Choice. Vamos ver no que dá.

O roteiro prima pelo senso de humor, como quando a Sandra reclama em uma repartição pública da falta de eficiência dos funcionários, e pergunta quem é o responsável pelo lugar, e a atendente aponta pro quadro do Bush. Ou quando a Kathy diz na sua entrevista a Sandra que tem duas coisas a dizer, que é ateia e democrata. O filme tem esse outro lado também de dizer que os brutos também amam e que os conservadores têm sentimentos nobres. Eu não sei, nunca tive muito contato com esse tipo de gente pra saber, e só acredito vendo. Sou São Tomé incrédulo mesmo, nesse aspecto. Ainda mais nessa época em que Obama é presidente, vencedor do Nobel da paz, e Sarah Palin e Miss Califórnia viraram os ícones dessa camada da sociedade, um filme desse pra limpar a barra vem a calhar. Tirando esses poréns, o filme é bem agradável de ver.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica As Filhas de Marvin

Assim Como Eu e Você

As Filhas de Marvin // Marvin’s Room (1996)

Nota: 9,5


O que será que me fez levar tanto tempo pra ver um filme com Meryl Streep, Diane Keaton, Leonardo DiCaprio e Robert DeNiro? Não consigo pensar numa justificativa plausível. Marvin’s Room era uma peça de teatro que foi adaptada para o cinema,como quase todo o material feito em Hollywood. Quase tudo vem de algum livro, ou alguma peça. Roteiros originais são escassos. E também é dirigido por um diretor de teatro, Jerry Zaks, que vários Tonys. O elenco eu já citei na primeira frase, e o roteiro foi adaptado por John Guare e pelo próprio escritor da peça, Scott MacPherson, que morreu em 1992, anos antes do filme ser filmado e lançado.

A história é sobre duas irmãs, Diane e Meryl. Quando o pai delas sofre um derrame e tica incapacitado, a irmã mais velha, a Diane, se dedica aos cuidados dele e da tia (feita pela Gwen Verdon, a maior bailarina da Broadway nos anos 50 e 60 e esposa de Bob Fosse, diretor de Cabaré), que é doente da coluna desde criança e é viciada em novela, enquanto a mais nova, a Meryl, ignora a família e se muda para outro estado onde se casa, e perde contato. Só que depois de 20 anos a Diane é diagnosticada com leucemia e precisa de um transplante de medula, e entra em contato com a irmã, que vai à sua ajuda com os dois filhos, o Leo, o mais velho, revoltado por nunca ter tido uma presença paterna e é internado numa clínica psiquiátrica após tocar fogo na casa, e o mais novo, um mosca morta.

Vendo esses filmes é fácil para a gente que tá de fora julgar o que é certo ou errado fazer, mas só vivendo a situação mesmo pra saber o que a gente de fato faria ou não. Até que ponto a gente estaria disposto a abdicar da nossa liberdade e individualidade pra ajudar nossos parentes que não têm mais como cuidar de si próprios e precisam de ajuda. E é uma situação muito mais comum do que se imagina. São várias as pessoas que fazem isso, e eu acredito que elas devam viver dilemas internos, sempre se perguntando como seriam suas vidas se elas pudessem ter se dedicado a si mesmas.

Na minha família mesmo teve casos bem parecidos. Eu poderia falar sobre eles, tirando a parte dos dilemas, porque eu não sei o que se passa na cabeça de cada um. Tipo o meu avô que ficou esclerosado, e precisava dos filhos pra cuidar. Uns ajudavam mais, outros menos, como cada um podia, e isso sempre gerava discussões entre eles. Pouco tempo depois que ele morreu a irmã solteirona dele que morava sozinha no interior trilhou pelo mesmo caminho e acabou sendo trazida pra morar na capital com a minha avó, onde ela veio a falecer também.

Ela não era das pessoas mais fáceis de lidar. Minha avó, que conviveu com ela desde jovem, que o diga. Eu me lembro de quando eu era criança e ela vinha visitar e começava com as brincadeiras chatas dela. Puxava a chupeta e beliscava. Eu tinha ódio. Quando eu cresci passei a levar as chatices dela na brincadeira. Ela às vezes se irritava, achava que eu tava debochando dela. Talvez eu estivesse mesmo... E no fim ela já nem se lembrava mais de mim, então cada vez que me via eu era um intruso diferente no mundo dela, e o tratamento dependia do humor dela no dia. Mas a gente gostava dela. Talvez por ser família. Tenho certeza que as opiniões das outras pessoas sobre ela eram diferentes.

Voltando ao filme, acho que a única crítica que poderia fazer a ele é sobre o cartaz. Por ele, parece ser uma história de uma família de classe média alta, e é bem longe da realidade. No filme a Diane assume as rugas e a idade e no cartaz não aparenta nada disso. Nem dá pra notar como a Meryl é cafona. Dá pra ver pelas outras fotos do post. Outra crítica seria em relação da utilização da canção feita pela Carly Simon para o filme. Apesar da letra meia-boca, a melodia é linda, e deveria ter sido usada durante o filme, e não nos créditos finais.

Apesar da carga dramática do filme, ele também prima pelo senso de humor. Sabe quando a gente ria das excentricidades da Shirley MacLaine em Laços de Ternura? Aqui a gente pode rir da tia avó que tem problemas da coluna e anda com uma maquininha que dá choques anestésicos, da falta de decoro e compostura da Meryl e das tentativas do Leonardo de chamar atenção.

Filmes como esse também me provam como a Meryl é de fato a maior atriz de Hollywood. Ela pode fazer uma sobrevivente de campos de concentração, uma lésbica, uma freira intransigente, uma editora de moda, uma líder sindical, uma artista em reabilitação ou uma amalucada como a Lee todas com a mesma intensidade. Ano que vem ela pode ganhar mais um Oscar por Julie & Julia, mas já na primeira premiação da temporada, a vencedora foi a Hillary Swank... Será que a Academia vai preferir dar um terceiro Oscar pra Hillary antes da Meryl?

sábado, 21 de novembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Lua Nova

Lua Cheia de Amor: Quem Tem Medo do Lobo Mau?

A Saga Crepúsculo: Lua Nova // The Twilight Saga: New Moon


Nota: 5,5


Como o dinheiro move montanhas, e há mais livros continuando com a história, mesmo que má e porcamente pelo andar da carruagem, os estúdios não perderiam a oportunidade de arrancar dinheiro do bolso de adolescentes fanáticas que ainda não sabem diferenciar arte de comércio, e gente como eu que pagam só pra ter argumento pra meter o pau. Porque, sinceramente, a história do primeiro, que dizem ser menos fiel ao livro, que eu não li e jamais lerei, é muito superior. Só peca quando cai naquela babaquice de mordida, sangue, veneno, a luta do bem e do mal, espada de Greyskull, etc. e tal. E aqui é praticamente só isso que tem. O pouco que difere disso e lembra o primeiro filme não convence. Ainda mais porque todas as personagens mudam seus comportamentos.

Bom, depois do final feliz do primeiro filme, a história continua no aniversário da Bela. Ela acidentalmente se corta com um papel de presente e provoca tumulto na casa do vampiro-purpurina, que brilha ao sol feito a Priscilla no deserto. É aí que Pattinson realiza que o relacionamento é inapropriado e dá um pé na bunda na coitada, no meio da floresta. Ela já devia ter feito uma sangueroska e dado pra esse povo faz tempo, francamente... Com sangue de galinha mesmo, eles nem iam notar a diferença. Aí ela dá adeus à menina segura, decidida e independente e vira uma espécie de Penélope Cruz em Vicky Cristina Barcelona, sem o furor latino. Uma mulherzinha histérica e descontrolada, fazendo merda a torto e direito, gritando feito uma louca noite adentro por causa de um pesadelo à toa. A feminista virou donzela de conto de fada. Eu a tinha jogado no hospício de Garota Interrompida do lado da Angelina Jolie. Ela ficava boa do fricote logo, logo.

A Kristen cada vez mais me lembra a Jodie Foster. Em todos os sentidos, se é que vocês me entendem... E ainda fazendo par com o Pattinson, que é canastrão até nos músculos desenhados com maquiagem (foto acima), é que fica mais difícil de digerir o motivo de tanto deslumbramento. Imagina o bafo de sangue de cavalo que ele deve ter... No primeiro colou, mas dessa vez tem concorrência. E desleal. Então não dá pra engolir o romancezinho adolescente. Ainda mais porque são adolescentes (ela, no caso, ele é mais velho até do que o Nino do Castelo Rá-Tim-Bum, só não envelhece). Mudam de opinião como quem muda de roupa.

Após o abandono ela "busca esquecer" o purpurina reformando uma moto velha com ajuda do Jacob, feito pelo Taylor Lautner, o cabeludo cafona do primeiro filme, e ali floresce uma nova paixão. O filme extrapola o nível do fantasioso. Quando um jovem musculoso e bronzeado (mesmo morando no frio e chuvoso estado de Washington) aparece seminu no quarto de uma adolescente de 17 anos, e claramente há atração física entre eles, o que acontece? Pois é, só aqui que não acontece nada... É muita pureza pra minha hipocrisia. Nem a filha da Sarah Palin lá no Alasca (provavelmente por muito menos) deixou passar, quanto mais esses dois.

Só que o que ela descobre depois é que o novo peguete dela é lobisomem. Na boa, essa menina é um imã de esquisitice. No próximo filme deve ter o encontro do Papai Noel com Coelhinho da Páscoa, só pode. Pé Grande, Múmia, Frankenstein, Penadinho, todo mundo na fila pra aparecer também. Saci Pererê e Mula Sem Cabeça não chegam lá porque é longe e frio. Qualquer dia também vai encontrar os smurfs, porque ela não é Chapéuzinho Vermelho, mas adora se enfiar num mato. E só encontrou vampiro e lobisomem até agora. Já dá pra soltá-la na Amazônia, porque pra quem encara vampiro e lobisomem, sucuri e onça pintada ela tira de letra.

O outro filme era menor, de baixo orçamento, e com o sucesso ganhou mais verba pras seqüências, tiraram a diretora e trouxeram o diretor de A Bússola de Ouro, expandiram o elenco, contrataram a Dakota Fanning, que era adorável em Uma Lição de Amor, e agora tá crescendo e me lembrando um pouco as gêmeas Olsen, e o Michael Sheen (foto acima), de Frost/Nixon e A Rainha, mas os efeitos especiais continuam ruins. Nenhum dos lobisomens parece real. Parecem personagens de vídeo game. E logo no começo, quando a Bela tira uma foto dos amigos, o efeito que fizeram no visor da máquina é péssimo. A maquiagem melhorou pouca coisa só.

O roteiro tampouco ajuda. Tem uns diálogos tenebrosos e umas cenas sem pé nem cabeça. A cena da Bela deprimida no quarto fazendo nada enquanto o tempo passa e ela pensa na morte da bezerra, foi muito melhor feita há 10 anos atrás em Um Lugar Chamado Notting Hill, com o Hugh Grant andando por uma feira enquanto as estações mudam. E ainda tinha o Ronan Keating cantando "When You Say Nothing At All" de trilha incidental, pra dar mais charme. Ou é "Ain't No Sunhine", não lembro mais... Faz dez anos já. Outra coisa que eu não entendo é por que em todo filme que alguém foge vai parar no Rio. Já virou esconderijo oficial de Hollywood. Pelo menos esse gênero é prato cheio pra tirar sarro. Continuarei a ver as seqüências pra ainda ter muito deboche pra escrever!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Seção CINEMA // Crítica Garota Interrompida

Eu Sou Rebelde Porque o Mundo Quis Assim…

Garota Interrompida // Girl, Interrupted

Nota: 9,5

Esse filme completa agora 10 anos, e eu continuo gostando tanto quanto quando eu vi pela primeira vez. No fim dos anos 80 e começo dos anos 90 Winona Ryder vinha se tornando uma das mais promissoras atrizes de Hollywood, fazendo filmes de sucesso como Minha Mãe É Uma Sereia, Edward Mãos de Tesoura, A Época da Inocência, Drácula e Adoráveis Mulheres. A própria Winona produziu esse filme praticamente (aparentemente...) com uma forma de estabelecê-la de vez na indústria como grande estrela, grande atriz, e ela poder levar o Oscar, que ela teve nas mãos alguns anos antes, mas deram pra Anna Paquin.

Só que havia no meio do caminho uma Angelina Jolie, que roubou a cena. E o Oscar... Depois disso teve o escândalo dos roubos e a carreira dela foi pelo ralo de vez. Acho que se de fato a intenção dela era ganhar prêmios, ela deveria ter agarrado o papel da Lisa, feita pela Joile, porque é de longe o personagem mais interessante do filme, apesar de ser coadjuvante. Mas pelo menos ela acrescentou mais um filme bom no currículo.

Eu fico às vezes tentando imaginar qual a cena memorável dela no filme, mas não consigo escolher uma. São todas ótimas. A do fantoche (foto acima), a da solitária, a que elas cantam Downtown, as duas da sorveteria, e várias outras. A cena que mostraram no Oscar durante o anúncio das indicadas é muito boa, mas pegaram o trecho mais sem graça. Provavelmente não escolheram outra porque ela fala palavrão em todas. E palavrão na TV é o fim do mundo. Acho que só Dercy Gonçalves pra falar palavrão na TV e ninguém dar valor. Ela já tava velha caduca mesmo, então se passava por espontaneidade. Isso no Brasil, por outras bandas acho que nem deve haver exceções.

Garota Interrompida é baseado em um livro autobiográfico escrito por Susanna Kaysen, sobre o tempo em que passou internada numa clínica psiquiátrica. Após tentar suicídio, Susanna, interpretada pela Winona (esquálida!), é internada numa clínica psiquiátrica e diagnosticada com distúrbio Borderline (não tem nada a ver com a música da Madonna). Pesquisei e descobri que em português o nome é transtorno de personalidade limítrofe. Ela reage bem ao tratamento, até começar a se influenciar por Lisa, feita pela Angelina, a sociopata internada na clínica há 8 anos.

Ainda no elenco tem a Brittany Murphy, num dos raros momentos em que ela não está em uma comédia, fazendo uma menina abusada sexualmente, Jared Leto, como o namorado da Winona, prestes a ir à Guerra do Vietnã, Vanessa Redgrave como a psiquiatra do hospital, e a Whoopi Goldberg como a enfermeira-chefe. A direção é do James Mangold, que fez depois Kate & Leopold e Johnny & June, dois filmes que eu também gosto muito.

Esse filme também marcou o fim de uma fase da Angelina. Tava no auge da revolta, tinha feito trabalhos de sucesso seguidos, como George Wallace e Gia, que a renderam diversos prêmios, casou-se com Billy Bob Thornton, caprichou nas esquisitices e virou alvo freqüente dos tablóides e das colunas de fofoca. Depois ela só colecionou filmes fracos, como Tomb Raider, Alexandre e Sr. e Sra, Smith, que eu até acho divertido, mas é mais famoso por outros motivos.

Só agora que ela tá voltando aos trilhos, fez A Troca e O Preço da Coragem (que eu não gosto, mas já é uma evolução), e virou humanitária, adotando crianças carentes, seguindo os passos da Mia Farrow. Tomara que a Zahara (ou o Maddox, pelo andar da carruagem...) não roube o Brad dela. Comentário infame, eu sei... Ela agora substituiu o Tom Cruise no elenco do policial Salt. Refizeram o roteiro só para ela estrelá-lo. Deve estrear no verão de 2010 nos EUA.

Enfim, o filme tem um ritmo ótimo, prende a atenção do começo ao fim, o elenco totalmente em sintonia, apesar de a Angelina ter todos os bons momentos e a trilha sonora dos anos 60 é um veludo para os ouvidos, com Simon & Garfunkel, The Mamas & The Papas, Jefferson Airplane, The Band e principalmente End of The World da Skeeter Davis e Downtown da Petula Clark. O tema é um dos meus favoritos. Acho pano pra manga pra boas discussões. Apesar do meu entusiasmo, o filme não teve das melhores repercussões. A própria autora do livro achou o filme tendencioso e melodromático por criar situações que não existiram, e, portanto, não estão livro. Mas ela viveu a situação real, nós não, então não saberíamos exatamente o que é real ou não na história. Mas o que aparece na tela me agradou.