sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Seção CINEMA // Crítica A Troca

Um Estranho No Ninho

A Troca // Changeling


Nota: 8,75

Eu tenho que confessar que tenho preconceito com os filmes do Clint Eastwood. São o supra-sumo do clichê. Uma colagem de momentos óbvios, normalmente pra induzir o público ao choro. Sendo sincero, não sou fã. Decidi ver esse por causa da Jolie e fui ver com ressalvas. Mas dessa vez dou a mão à palmatória. Gostei muito desse. O filme fala de uma mãe solteira nos anos 20, independente e bem sucedida, que procura pelo seu filho, que desapareceu de casa. Após 5 meses, a polícia o encontra, mas ela não acredita que aquele seja o seu filho.

O filme foi baseado em fatos reais e é uma denuncia a corrupção policial de Los Angeles da época e seus métodos pouco honestos. Eu poderia fazer muitas observações sobre o filme, mas elas tornariam esse texto num gigante spoiler. Acho que o melhor a dizer então é que o filme é tocante, no que diz respeito ao sofrimento da mãe e o roteiro traz reviravoltas que vão tornando a história cada vez mais interessante, renovando o interesse do público. Apesar da minha aversão ao Clint, ele é um bom diretor, e consegue tirar do seu elenco (normalmente bom, e dessa vez não é diferente) boas atuações.


O filme tem ficado de fora das premiações, a não ser na categoria de melhor atriz, onde Angelina tem sido indicada para todos os prêmios, e caminha pra sua segunda indicação ao Oscar. Apesar de poucos prêmios terem sido entregues, ela muito dificilmente ganhará seu segundo prêmio. A favorita até o momento aparentemente é Anne Hathaway por O Casamento de Rachel.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Seção CINEMA // Crítica Crepúsculo

Traídos pelo Desejo

Crepúsculo // Twilight


Nota: 8,0

A nova sensação literária adoles- cente não poderia deixar de virar um filme. Engraçado como os livros para esse público alvo sempre tem seres esquisitos como tema central. Elfos, hobbits, vampiros, bruxos com coruja de estimação, gnomo, fada-madrinha, ogros, Michael Jackson, e assim por diante. O livro conquistou o mundo e sua estréia já era aguardada ansiosamente pelo público. Isso foi mostrado pela bilheteria que o filme já arrecadou. Eu nunca tinha ouvido falar no livro até pouco tempo antes da estréia do filme. E mesmo se tivesse ouvido, provavelmente não teria lido o livro. Detesto ler coisas longas...

Bom, a história é sobre um amor proibido. Será que já falaram sobre isso? Algumas vezes... Bella (Kristen Stewart) é uma menina que decide ir morar com o pai para que a sua mãe possa acompanhar o padrasto esportista. Ela muda de cidade e de vida, vai para um vilarejo nublado e chuvoso (achei lindo, adoro lugares assim, e adoro chuva), e lá se apaixona pelo esquisitão-mór da cidade (Robert Pattinson), que ninguém sabe que é vampiro. Só a gente que sabe. Eu se morasse lá iria achar que ele era zumbi, com todo aquele charme de morto-vivo com olhar de bêbado. Na sessão que eu estava, tava cheio de adolescente. Todas as vezes que o galã-vampiresco aparecia era aquela comoção. Miados, latidos, grunhidos, mugidos, suspiros e tudo mais. Eu sinceramente não sei o por quê disso. O ex-bruxo de Harry Potter é o contrário daqueles esqueletos que eu montava na infância. Ambos são da cor da parede, mas ele brilha no sol, não no escuro como as minhas caveirinhas. E tem uma expressão só o filme inteiro. Em qualquer circunstância. Aquela de quem levou um pum de elefante na cara ou acabou de descobrir que comeu um bolo cheio de veneno de rato. Vibe Keanu Reeves totalmente detectada.


O filme teve um baixo orçamento para o gênero. Bem diferente de outros do gênero, tipo Harry Potter e O Senhor dos Anéis. Isso dá pra notar na maquiagem dos vampiros, porque o pancake só tem no rosto. O pescoço é de outra cor. O batom deve ser 24 horas pra durar várias cenas. Além dos efeitos especiais serem da mesma qualidade que De Volta Para o Futuro, de 23 anos atrás. Se não forem piores.

Cada filme de vampiro mostra o comportamento desses seres de uma maneira diferente. Aqui existem os bons (que são os "vegetarianos", ou seja, se alimentam de sangue animal. E desde quando animal é vegetal?) e os maus (os que matam gente pra se alimentar). Sinceramente, essa dicotomia era mais interessante e divertida na novela Vamp. Não tem nenhum vampiro lá carismático como a Natasha e o Vlad. E a Cláudia Ohana é muito mais sexy (e cabeluda também, creio eu) que a vampira invejosa lá que era pra ser a mais linda de todas as galáxias. Se ela fosse pro Miss Universo não ia ser nem semifinalista.


Apesar das ironias, o filme é interessante. Até a metade eu gostei muito. O romance é legal, pelo conflito interno que ele gera no casal. Aquela velha coisa de saber lidar entre o que você quer fazer, e o que é certo fazer (se é que isso existe). Isso poderia ter sido muito melhor abordado, by the way. Dá pra fazer uma metáfora com situações reais, tipo, como seria um romance entre uma aristocrata americana e um homem-bomba muçulmano. Ok, nem tão real assim...

Mas como o filme é pra adolescente, e é de vampiro, tem que ter ação, pra donzela poder entrar em risco, e o vampiro-encantado (encantado mesmo, porque a cara de deslumbrado é perene) ir salvar. Só que a ação dura 15 minutos, acaba muito fácil, os efeitos especiais são de deixar Ed Wood morto de vergonha e é tudo muito sem graça, resumindo. Quebrou o clima de antes. O final é sem gracinha, mas é porque vai ter continuações, então ele fica sempre aberto. Pelo menos a música da última cena é legal. Eu quero muito ver o resto. Será que em algumas dessas seqüências ela vai envelhecer, ficar com 46 anos e ele vai continuar forever young?


No final das contas, eu me pergunto, qual é a graça de se namorar um vampiro? Um donzelo, que nunca vai poder fazer as mesmas coisas que ela. Não comem, dormem, não descansam, não envelhecem (tá! Muitos dariam de um tudo por isso...), não morrem, não transam. Não trepa, nem sai de cima. E é exatamente o que ela faz com a protagonista. No primeiro contato físico mais intenso entre os dois, ele teve que se afastar pra não lhe tascar uma dentada. Que coisa mais insossa. Então o romance ia se resumir a trocas de juras de amor e olhares com cara de besta um pro outro. Rala e rola, que é bom, nem pensar. Acho que ele nem deve ter ereção, já que vampiro não se reproduz por sexo, então pra eles não tem serventia alguma.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Seção CINEMA // Crítica Milk

A Iguadade é Branca

Milk - A Voz da Igualdade // Milk

Nota: 9,5

Essa é definitivamente a década das cinebiografias. E normalmente elas são reconhecidas e premiadas. Principalmente os protagonistas. O diretor Gus van Sant nunca fez biografias antes. Ele alcançou notoriedade ao fazer filmes como Garotos de Programa, que hoje é cult, o humor-negro Um Sonho Sem Limites, Gênio Indomável, que lhe deu uma indicação ao Oscar, Elefante, Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, sobre o incidente em Columbine, e deu uma chamuscada no seu filme refilmando Psicose.

Milk (ainda bem que não traduziram o título para português, porque os trocadilhos seriam infames) conta a história de Harvey Milk, primeiro político abertamente gay dos Estados Unidos. O filme relata a inquietude de um homem que ao chegar aos 40 anos tinha a sensação de não ter feito nada produtivo na vida. Ao se mudar para San Francisco, ele se envolve com a política, na busca do reconhecimento dos direitos gays. O filme mostra a ascensão do Castro, o bairro gay da cidade e quais as conjunturas que levaram a cidade a se tornar a Meca do mundo gay, além da luta em si do próprio político, e as conseqüências do seu envolvimento no meio público na sua vida privada.


O elenco reúne nomes famosos da indústria, encabeçado por Sean Penn, como o próprio Harvey Milk; Emile Hirsch (de Na Natureza Selvagem, Heróis Imaginários, Show de Vizinha e Speed Racer) como o levemente afeminado relações públicas Cleve Jones; James Franco (Homem Aranha, Flyboys, Tristão e Isolda) como Scott Smith, o primeiro parceiro do Harvey; Diego Luna (E Sua Mãe também, Frida, O Terminal) como o segundo parceiro, Jack Lira; Lucas Grabeel (High School Musical) como o fotógrafo Danny Nicoletta; e Josh Brolin (ator veterano que fez desde Os Goonies, até Onde Os Fracos Não Têm Vez, No Vale das Sombras, e o Inédito W., que eu quero passar longe!) como o opositor do Milk, Dan White.


A mensagem mais importante que o filme me passa, é que quase todos nós estamos sempre acomodados e relaxados, vendo a vida passar diante dos nossos olhos. Poucos são os que se levantam e vão em busca dos seus ideais, que lutam as adversidades para conquistar seus direitos. Esses são os verdadeiros heróis. Não são Frodo ou Harry Potter. São pessoas reais, de carne e osso, com suas fraquezas e limitações. Todos nós precisamos de pessoas para admirar, que nos sirvam de inspiração, e é bom saber que essa comunidade extremamente oprimida também tem pessoas em quem se espelhar.


Já que estamos em época de premiações, e Milk é um dos filmes fortes da temporada, vou fazer umas ponderações sobre as chances do filme: O filme decepcionou nas indicações ao Globo de Ouro, recebendo apenas uma indicação, de Melhor Ator - Drama para o Sean Penn, que é o favorito e provável vencedor, não só do Globo de Ouro, como do seu segundo Oscar. Já no Critics Choice, o filme lidera com 8 indicações, incluindo Melhor Filme. Quanto ao Oscar, eu aposto (e gostaria) que o filme fosse indicado ao prêmio de Melhor Filme. Passado o episódio Brokeback Mountain, e com todas as acusações de discriminação que a Academia recebeu, certamente eles não vão querer repetir a dose dessa vez. O “clima de injustiça” que ficou também pode levar o filme a vencer, o que não seria injusto. Não vi os demais indicados, mas com certeza, Milk é superior a todos os indicados do ano passado.


Mais possíveis indicações seriam direção, roteiro e ator coadjuvante com três fortes possibilidades: Emile Hirsch, James Franco e Josh Brolin. James e Josh foram indicados ao Critics Choice. Emile não foi indicado a nenhum grande prêmio, mas dos secundários, o seu papel é o que mais chama atenção, e continua na lista dos críticos como um dos prováveis indicados. Além de que ano passado, ele tinha uma indicação por Na Natureza Selvagem quase certa, mas foi preterido. Talvez isso seja considerado um erro a ser corrigido. O papel do James eu não acho que tenha grandes momentos para justificar uma indicação. Boa Sorte a Milk!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Seção CINEMA // Prêmios à Vista!

Começa a melhor temporada do ano para o cinema. É nessa época que começam a sair as indicações aos prêmios e quando os supostos bons filmes estréiam nos cinemas. Muitos dizem que não respeitam os prêmios, especialmente o Oscar, por ser o mais famoso, normalmente por discordar dos resultados. Eu também discordo freqüentemente, mas sem elas, a indústria apenas produziria blockbusters rentáveis, o cinema-pipoca. Os filmes interessantes e inteligentes provavelmente seriam pequenas produções independentes com alcance muito restrito. E se fosse o caso, eu provavelmente não seria fã de cinema.

As premiações mais famosas são:


O Globo de Ouro (www.hfpa.org), que é entregue pela imprensa estrangeira de Hollywood nos meses de janeiro. Os indicados para esse ano e já saíram (você pode vê-los no site oficial com link acima) e serão entregues dia 11 de janeiro. Já houve algumas surpresas nas indicações e farei minhas apostas na semana anterior à premiação. As categorias premiadas são as principais, produção, direção, atuação, roteiro e música, divididas por gêneros, comédia ou drama, assim como na Grécia Antiga o teatro já era dividido. Além das categorias de televisão.



O Prêmio dos Críticos (Critics Choice Award), entregue pela Broadcast Film Critics Association, (www.bfca.org). As categorias de atuação não são dividas por gênero, mas têm um número maior de indicados e há categorias específicas para alguns gêneros, como melhor filme para a família (seja lá o que isso signifique), melhor filme de comédia, ação, etc., além de premiar o melhor filme. Os indicados já foram anunciados, e os prêmios serão entregues dia 8 de janeiro. Veja os indicados no site oficial.



Para os atores, há o premio do sindicato (Screen Actors Guild Association), o SAG Awards (www.sagawards.org), que premia apenas atuação, e o melhor elenco, para filmes e produções de TV. O prêmio será entregue dia 25 de janeiro, e as indicações saem dia 18 de dezembro.



E por fim, o Oscar (www.oscars.com). A mais antiga e tradicional premiação, que inclui as categorias técnicas. É entregue pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. São duas festas separadas: a primeira, para os estudiosos que contribuem para o desenvolvimento da arte e da indústria, e a segunda, a mais famosa, onde as produções e os artistas são premiados. Os indicados serão anunciados dia 22 de janeiro e os prêmios serão entregues dia 22 de fevereiro.

Muitos se perguntam como funciona a premiação. Aqui vai uma explicação: Todas as pessoas que já foram indicadas alguma vez na vida ao prêmio, fazem parte da Academia e podem votar. A votação é feita por cédulas enviadas por correio. Para poder ser indicado um filme tem que ter mais de 40 minutos, estrear oficialmente até a meia-noite do dia 31 de dezembro numa sala de cinema no distrito de Los Angeles e estar no mínimo sete dias consecutivos em cartaz. No início de Janeiro, a Academia envia aos seus membros um boletim de voto acompanhado de uma lista com todos os filmes. A princípio, as pessoas escolhem os indicados na sua categoria, ou seja, roteiristas escolhem os indicados a roteiro, atores os indicados a atuação, etc. Depois dos indicados anunciados, todos podem votar em todas as categorias, menos filme estrangeiro.

Esses sistema faz com que existam muitos votantes bem velhinhos que não trabalhem mais, e muitas vezes isso explica alguns resultados conservadores. Um exemplo disso é o caso de 2006. Jack Nicholson, que é o ator vivo - e atuante - mais premiado (3 Oscar – ator por Um Estranho no Ninho, coadjuvante por Laços de Ternura e ator por Melhor é Impossível), votante assíduo e de presença constante nas premiações, fez questão de entregar o prêmio de melhor filme. Ele ficou visivelmente contrariado por entregar o prêmio a Crash, em vez de Brokeback Mountain, como ele mesmo afirmou posteriormente. Uma conseqüência do comportamento foi sua não indicação no ano seguinte pelo filme Os Infiltrados. Pra tentar abafar as acusações de discriminação, a comediante Ellen DeGeneres foi convidada para apresentar a festa.

Tem-se notado uma queda na audiência da premiação, que a cada ano são mais longas. Nos últimos anos, a audiência foi boa quando Titanic e O Senhor dos Anéis venceram melhor filme. Ou seja, quando os grandes blockbusters são premiados. Titanic é um filme que eu respeito. O romance proibido e a luta de classes ambientado numa catástrofe é tocante. O elenco é primoroso e a produção é muito boa. Com o tempo o filme vai alcançar o status de clássico que ele merece. Já o Senhor dos Anéis é infantil demais para o meu seleto e caprichoso paladar. A história é a mesma abordada pelos Jaspions, Jirayas e Power Rangers, além de ser interminável. São 3 filmes com mais de 3 horas cada. E a cerimônia em que ele venceu foi muito chata. A cena daquele monte de anãozinho aplaudindo cada prêmio na platéia só me é mais nauseante que o circo do Roberto Benigni em 1999.

Esse ano, essa queda na audiência tentará ser combatida. A cerimônia será provavelmente apresentada por Hugh Jackman, que já apresentou o Tony por 3 vezes, e será transformado em algo mais divertido, com atuações ao vivo, shows com momentos de música e menos falatório e piadas sobre o governo. Soa interessante.

Esse ano as premiações prometem ser bem mais interessantes que a do ano que passou. Os filmes que surgiram abrangem uma maior diversidade de temas e aparentam ser instigantes. Estarei comentando todos eles assim que os conferir!