domingo, 21 de setembro de 2008

Seção CINEMA

Terra de Ninguém

Ensaio Sobre a Cegueira // Blindness

Nota: 9,0

Fernando Meirelles, o diretor brasileiro de maior sucesso internacional da atualidade, que fez Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel, adaptou a obra Ensaio sobre a Cegueira do escritor português premiado com o Nobel José Saramago. Projeto no mínimo audacioso, que o brasileiro parece gostar de encarar. Estreou em Cannes e não teve críticas divididas. Nada que exaltasse ou depreciasse a produção.

Bom, o filme é sobre uma epidemia de cegueira branca que ataca em alguma cidade não especificada onde todo mundo fala inglês. E essa epidemia parece ser contagiosa, então os contaminados passam a ser trancafiados em um lugar imundo, já que eles são cegos e não podem reclamar, tipo campo de concentração nazista. Só que no meio deles, tem a Julianne Moore, que é mulher do Mark Ruffalo. A Ju não ficou cega, mas finge pra pode ficar junto com o marido. Como as pessoas ficam hospedadas nesse hotel 5 estrelas (cadentes), elas acabam tendo que lutar por suas necessidades e deixam aflorar seus instintos mais primários. Claro que a Ju acaba sendo a que sofre mais com a situação toda.


O filme me lembrou muito O Nevoeiro, que eu vi anteriormente no cinema. As duas histórias e os gêneros são diferentes, mas eles lidam com o mesmo tema: como as pessoas reagem ao caos e anarquia? Em um caso, é uma cegueira, no outro, criaturas assassinas causam isso. Em Cegueira eu achei tudo mais deprimente, porque tudo levava as pessoas a se submeterem a situações em que toda a sua dignidade é tirada. Numa cena o Mark fala pra Julianne algo tipo “é difícil de te ver como minha esposa agora, você age como a minha mãe”. Mas ele tinha esse “privilégio”. E os demais?

Tudo vai se desenvolvendo para momentos cada vez piores. A história não tem fé nenhuma na humanidade, assim como O Nevoeiro. Mas em cada caso as personagens agem de formas distintas. É interessante de se assistir, mas difícil de digerir. A gente sofre com a situação junto com eles. O final em nada lembra o desespero de Nevoeiro.


O elenco é brilhante. Além da Julianne (Evolução, Longe do Paraíso, Boogie Nights, As Horas) do Mark (Em Carne Viva, E Se Fosse Verdade, De Repente 30), temos a brasileira Alice Braga (Cidade de Deus), o mexicano Gael Garcia Bernal (Diários de Motocicleta), Danny Glover (A Cor Púrpura), e a Sandra Oh (Grey’s Anatomy, Sideways) faz uma pontinha.



Mãe do céu...
Mamma Mia!

Nota: 5,0


Como ninguém é perfeito, a Meryl Streep tem que ter algumas coisas trash no currículo. Nada que comprometa. Mamma Mia é uma peça da Broadway que foi montada baseando-se em músicas do ABBA, e agora adaptada para o cinema. As músicas vão se juntando de uma forma até contar uma história. Algo parecido com Across The Universe, só que dessa vez a história ficou mais coesa do que com a música dos Beatles.

A história é sobre uma jovem (Amanda Seyfried) que está prestes a casar com o namorado (Dominic Cooper) e não conhece o pai. Então ela rouba o diário da mãe (Meryl) e convida três dos homens com quem ela se envolveu antes de ela nascer para o casamento no intuito de descobrir qual deles é o seu pai.


O elenco é cheio de atores 45+ no elenco e é teoricamente bom, mas todos cantam mal. Muito mal. Se você quiser escutar ABBA, compre ABBA Gold ou algum DVD da banda. E nenhum dança bem também. As coregrafias são bem amadoras. Meryl, Colin Firth (Bridget Jones 1 e 2, Simplesmente Amor), Pierce Brosnan (O 007 dos anos 90), Stellan Skarsgard (Ronin, O Exorcista – O Início), Julie Walters (Billy Elliott!!!) e Christine Baranski (A Gaiola das Loucas) fazem parte das personagens principais over 50 do filme. E o filme é pra essa faixa etária de fato. Parece sua mãe quando reencontra a "Lourdinha" e a "Carminha", que faziam o segundo grau com ela e iam dançar nos bailinhos do interior tomando ponche, e começam a dançar na sala, com os filhos já grandes vendo e pensando: Que ridículo, mãe! por favor, pare com isso!

Na sessão que eu estava, tinha diversas pessoas de meia idade e elas morriam de rir com as piadas, que eu, com 23, não via graça nenhuma. O que me mantinha na sessão eram as músicas. Eu ficava curioso pra saber qual música ia dar continuidade à história e como. Mas eles merecem se divertir também né? E o filme pode não ser bom pra mim, mas não faz mal a ninguém. O cenário é bonito (Ilhas gregas), figurinos coloridos, figurantes, na grande maioria, jovens e bonitos, tudo muito alegre. Nada profundo ou para se pensar. Diversão garantida num asilo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Seção CINEMA // O Nevoeiro

O Juízo Final: O Dia da Expiação!*

O Nevoeiro // The Mist

Nota: 8,5

Esse filme me divide… O filme pouco diverte. Irrita. E muito. Mas ele tem seus momentos engraçados. Tem sustos também. É um filme de terror, afinal de contas. Mas acima de tudo isso, dá pra tirar discussões muito interessantes do conteúdo do filme. É baseado numa obra do Stephen King e dirigido pelo Frank Darabont. Ele deve ter alguma cota com o Stephen, porque ele já fez vários filmes baseados em suas obras, como À Espera de Um Milagre, Um Sonho de Liberdade, ambos excelentes.

Bom, a história se passa numa pequena cidade que é atingida por uma tempestade, e logo em seguida o tal nevoeiro toma conta. O nevoeiro abriga criaturas ocultas que atacam as pessoas n as ruas. Um grupo fica preso em um supermercado sem sair temendo ser atacado. No elenco destacam-se o Thomas Jane, marido da Patricia Arquette que fez O Justiceiro, e a Marcia Gay Harden, que ganhou o Oscar por Pollock, e fez Sobre Meninos e Lobos e Na Natureza Selvagem. Na boa, o Oscar de coadjuvante da Marcia deveria ter sido entregue esse ano por esse filme, e a Kate Hudson brilhante e incandescente em Quase Famosos deveria ter justificado seu favoritismo em 2001. Coisas de Oscar. Vai entender!


O filme irrita, como eu já disse antes. O clima de desespero e suspense impera. Eu fiquei a projeção inteira discutindo com o filme: Deixe de ser burro! Saia daí! Corra! Não! Não faça isso! E outras coisas do gênero. Os fatos esdrúxulos vão acontecendo e a gente vai rindo também. Pelo inusitado. Não por ser cômico de fato. E olhe que eu costumo gostar desses filmes apocalípticos. E o que você faria em caso de fim do mundo:

a) sexo
b) fornicação
c) coito
d) acasalamento
e) todas as alternativas acima

E na única oportunidade em que a hipótese é cogitada, a moçoila desiste porque não era assim que ela imaginava sua noite de amor. Ao diabo! O mundo tá acabando e você ainda tá pensando em realizar seus sonhos? Acorda Alice! Acho que ela desistiu com medo do sujeito que ela agarrou. Eu tive mais medo ma sobrancelha depilada dele do que das criaturas da névoa.


E a personagem da Marcia é a mais interessante. Ela faz uma fanática religiosa que se aproveita da situação para se auto-proclamar profetisa de Deus, e no meio do caos e do desespero, não faltam fiéis para buscar alento nas suas crenças. Isso pode ser interpretado de diversas formas. Uma delas como uma crítica às religiões, que vendem falsas soluções para as pessoas fragilizadas. Metáfora para a lavagem cerebral de movimentos como o Nazismo. Pode ser levado mais a fundo e visto como uma forma de criticar o surgimento das religiões mais tradicionais e as pregações islâmicas também. O comportamento da mulher é medieval. Caça as bruxas. Nessa situação, os mais fracos acabam levando-a a sério, e em ocasiões normais ela seria só uma louca pregando ao vento. Como o filme é de Hollywood, americano, eles tinham que citar uma comparação com Fidel Castro... Até hoje o comunismo é criticado. Pelo menos foi um momento breve. Guerra Fria requentada ninguém merece! Vide Indiana Jones 4.


O final é um desastre. É diferente do conto do King. Não é péssimo. Mas não é bom. Deprime, é desesperançoso, e não traz nenhum conforto depois do filme nos incomodar o tempo inteiro, como normalmente é do costume hollywoodiano. Leva uma nota alta por pelo menos ele trazer questionamentos de sociedade interessantes como o citado um pouco antes. Poderia ser muito interessante e proveitoso para incitar discussões em aulas de sociologia, por exemplo (falou o expert no assunto...).

* expiação
ex.pi.a.ção
sf (lat expiatione) 1 Ato ou efeito de expiar. 2 Penitência ou cerimônias para abrandar a cólera divina. 3 Sofrimento de pena ou castigo imposto a delinqüente. sf pl Preces para aplacar a divindade ou para purificar os lugares profanados. E. suprema: pena capital.