sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Como Fazer Inimigos e Influenciar Pessoas


Nota: 5,5


Quando vi um filme de Mike Nichols classificado como comédia, nem li a sinopse, mas já pensei que seria um grande filme. Ledo engano... Mike tem no currículo projetos que eu adoro, como Closer, Angels in America, A Primeira Noite de Uma Homem, Uma Secretária de Futuro, Silkwood, Lembranças de Hollywood e Quem tem Medo de Virginia Woolf?. Tantos filmes que eu esperava muito desse Jogos do Poder, mas o filme é um tédio sem fim. Além de não ser nenhuma comédia (Talvez por ter a Julia no elenco fica mais fácil vender para o público como comédia. Ou seja, vendendo gato por lebre). É só mais um filme de autopromoção americano que os estúdios de Hollywood adoram financiar.

Bom, o filme fala sobre um político americano (O Charlie Wilson do título original) condecorado pelas forças armadas por ter sido um dos responsáveis pela retirada das tropas soviéticas do Afeganistão, lá nos tempos da Guerra Fria. Ou seja, a história em si já é uma receita pro fracasso. Como sempre, mais uma forma de Hollywood demonizar a URSS e o comunismo, e mostrar como eles libertaram o Afeganistão das forças do mal, e depois a víbora que eles criaram os mordeu. Ainda tentam pôr uma parcela de meaculpa mas ainda assim não cola. E as cenas de guerra são dignas de filme amador. Trash demais da conta.

O elenco na teoria é bom, mas também não tem grandes momentos. Julia Roberts ultra caricata fazendo aquele projeto mal acabado de Dolly Parton. Pelo menos é uma variação diferente dos papéis de mulher independente e decidida que ela faz em todos os filmes dela. Didn't work, anyway... Amy Adams pra lá de apagada como a assessora do Tom Hanks, que há algum tempo não faz bons filmes. E a única cena que me chamou atenção foi uma que não tem relevância nenhuma pro filme, que poderia ser cortada facilmente, é logo no começo, em que a Emily Blunt (figurante de luxo no filme) desce escadas à meia luz cantando Angel Of the Morning. Extremamente charmosa. Lembrou as divas do cinema antigo.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Se arrependimento matasse...

Nota: 9,0

O diretor Joe Wright faz mais uma adaptação de um romance para as telas. O primeiro foi Orgulho e Preconceito. Desta vez, Atonement ou Desejo e Reparação, de Ian McEwan. Ambos são filmes parecidos, mas eu achei esse daqui mais tocante, verossímil.A estória é sobre duas irmãs apaixonadas pelo mesmo homem: Keira Knightley (que estrelou Orgulho e Preconceito, Piratas do Caribe, etc.) e Saoirse Ronan (de Nunca é Tarde Para Amar). Só que a Saoirse só tem 13 anos, e claramente o amor dela não é correspondido. Com ciúmes do envolvimento da irmã com o objeto da afeição, o James McAvoy (esteve em O Último Rei da Escócia com o Forest Whitaker, Crônicas de Nárnia, etc.), ela acaba tomando atitudes impensadas que levam a separação do casal.

O filme tem um ritmo um pouco lento, mas conseguiu prender totalmente a minha atenção. As retomadas das cenas em diferentes pontos de vista dão mais riqueza a história. Dá pra compreender melhor o comportamento das personagens. O filme ainda conta com uma participação da Vanessa Redgrave, que é esnobada por Hollywood por seus ideais socialistas, mas tem um certo espaço nas produções britânicas, e nessa ela está perfeita. E também Brenda Blethyn aparece, que também esteve em Orgulho e Preconceito. No outro filme ela tinha mais destaque. A personagem era mais divertida.

Keira confirma que realmente nasceu para ser mulher blasé do passado. Aquela cara de lesa dela combina perfeitamente com a estética. Está tão bem quanto esteve em Orgulho e Preconceito. Apesar de eu ter me centrado mais nas personagens femininas da trama nos comentários, todas são coadjuvantes. O verdadeiro protagonista é o James mcAvoy, que está muito bem também.

O filme lidera as indicações ao Globo de Ouro. Sete no total. Filme (drama), ator (drama), atriz (drama), atriz coadjuvante, diretor, roteiro e trilha sonora. Todas merecidos, e eu ainda colocava a Vanessa Redgrave no meio das indicações também. Se bem que a Keira não é protagonista... E o papel dela nem é tão interessante quanto o da irmã.