quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Seção CINEMA // Crítica Milk

A Iguadade é Branca

Milk - A Voz da Igualdade // Milk

Nota: 9,5

Essa é definitivamente a década das cinebiografias. E normalmente elas são reconhecidas e premiadas. Principalmente os protagonistas. O diretor Gus van Sant nunca fez biografias antes. Ele alcançou notoriedade ao fazer filmes como Garotos de Programa, que hoje é cult, o humor-negro Um Sonho Sem Limites, Gênio Indomável, que lhe deu uma indicação ao Oscar, Elefante, Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, sobre o incidente em Columbine, e deu uma chamuscada no seu filme refilmando Psicose.

Milk (ainda bem que não traduziram o título para português, porque os trocadilhos seriam infames) conta a história de Harvey Milk, primeiro político abertamente gay dos Estados Unidos. O filme relata a inquietude de um homem que ao chegar aos 40 anos tinha a sensação de não ter feito nada produtivo na vida. Ao se mudar para San Francisco, ele se envolve com a política, na busca do reconhecimento dos direitos gays. O filme mostra a ascensão do Castro, o bairro gay da cidade e quais as conjunturas que levaram a cidade a se tornar a Meca do mundo gay, além da luta em si do próprio político, e as conseqüências do seu envolvimento no meio público na sua vida privada.


O elenco reúne nomes famosos da indústria, encabeçado por Sean Penn, como o próprio Harvey Milk; Emile Hirsch (de Na Natureza Selvagem, Heróis Imaginários, Show de Vizinha e Speed Racer) como o levemente afeminado relações públicas Cleve Jones; James Franco (Homem Aranha, Flyboys, Tristão e Isolda) como Scott Smith, o primeiro parceiro do Harvey; Diego Luna (E Sua Mãe também, Frida, O Terminal) como o segundo parceiro, Jack Lira; Lucas Grabeel (High School Musical) como o fotógrafo Danny Nicoletta; e Josh Brolin (ator veterano que fez desde Os Goonies, até Onde Os Fracos Não Têm Vez, No Vale das Sombras, e o Inédito W., que eu quero passar longe!) como o opositor do Milk, Dan White.


A mensagem mais importante que o filme me passa, é que quase todos nós estamos sempre acomodados e relaxados, vendo a vida passar diante dos nossos olhos. Poucos são os que se levantam e vão em busca dos seus ideais, que lutam as adversidades para conquistar seus direitos. Esses são os verdadeiros heróis. Não são Frodo ou Harry Potter. São pessoas reais, de carne e osso, com suas fraquezas e limitações. Todos nós precisamos de pessoas para admirar, que nos sirvam de inspiração, e é bom saber que essa comunidade extremamente oprimida também tem pessoas em quem se espelhar.


Já que estamos em época de premiações, e Milk é um dos filmes fortes da temporada, vou fazer umas ponderações sobre as chances do filme: O filme decepcionou nas indicações ao Globo de Ouro, recebendo apenas uma indicação, de Melhor Ator - Drama para o Sean Penn, que é o favorito e provável vencedor, não só do Globo de Ouro, como do seu segundo Oscar. Já no Critics Choice, o filme lidera com 8 indicações, incluindo Melhor Filme. Quanto ao Oscar, eu aposto (e gostaria) que o filme fosse indicado ao prêmio de Melhor Filme. Passado o episódio Brokeback Mountain, e com todas as acusações de discriminação que a Academia recebeu, certamente eles não vão querer repetir a dose dessa vez. O “clima de injustiça” que ficou também pode levar o filme a vencer, o que não seria injusto. Não vi os demais indicados, mas com certeza, Milk é superior a todos os indicados do ano passado.


Mais possíveis indicações seriam direção, roteiro e ator coadjuvante com três fortes possibilidades: Emile Hirsch, James Franco e Josh Brolin. James e Josh foram indicados ao Critics Choice. Emile não foi indicado a nenhum grande prêmio, mas dos secundários, o seu papel é o que mais chama atenção, e continua na lista dos críticos como um dos prováveis indicados. Além de que ano passado, ele tinha uma indicação por Na Natureza Selvagem quase certa, mas foi preterido. Talvez isso seja considerado um erro a ser corrigido. O papel do James eu não acho que tenha grandes momentos para justificar uma indicação. Boa Sorte a Milk!

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