quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Seção CINEMA // O Nevoeiro

O Juízo Final: O Dia da Expiação!*

O Nevoeiro // The Mist

Nota: 8,5

Esse filme me divide… O filme pouco diverte. Irrita. E muito. Mas ele tem seus momentos engraçados. Tem sustos também. É um filme de terror, afinal de contas. Mas acima de tudo isso, dá pra tirar discussões muito interessantes do conteúdo do filme. É baseado numa obra do Stephen King e dirigido pelo Frank Darabont. Ele deve ter alguma cota com o Stephen, porque ele já fez vários filmes baseados em suas obras, como À Espera de Um Milagre, Um Sonho de Liberdade, ambos excelentes.

Bom, a história se passa numa pequena cidade que é atingida por uma tempestade, e logo em seguida o tal nevoeiro toma conta. O nevoeiro abriga criaturas ocultas que atacam as pessoas n as ruas. Um grupo fica preso em um supermercado sem sair temendo ser atacado. No elenco destacam-se o Thomas Jane, marido da Patricia Arquette que fez O Justiceiro, e a Marcia Gay Harden, que ganhou o Oscar por Pollock, e fez Sobre Meninos e Lobos e Na Natureza Selvagem. Na boa, o Oscar de coadjuvante da Marcia deveria ter sido entregue esse ano por esse filme, e a Kate Hudson brilhante e incandescente em Quase Famosos deveria ter justificado seu favoritismo em 2001. Coisas de Oscar. Vai entender!


O filme irrita, como eu já disse antes. O clima de desespero e suspense impera. Eu fiquei a projeção inteira discutindo com o filme: Deixe de ser burro! Saia daí! Corra! Não! Não faça isso! E outras coisas do gênero. Os fatos esdrúxulos vão acontecendo e a gente vai rindo também. Pelo inusitado. Não por ser cômico de fato. E olhe que eu costumo gostar desses filmes apocalípticos. E o que você faria em caso de fim do mundo:

a) sexo
b) fornicação
c) coito
d) acasalamento
e) todas as alternativas acima

E na única oportunidade em que a hipótese é cogitada, a moçoila desiste porque não era assim que ela imaginava sua noite de amor. Ao diabo! O mundo tá acabando e você ainda tá pensando em realizar seus sonhos? Acorda Alice! Acho que ela desistiu com medo do sujeito que ela agarrou. Eu tive mais medo ma sobrancelha depilada dele do que das criaturas da névoa.


E a personagem da Marcia é a mais interessante. Ela faz uma fanática religiosa que se aproveita da situação para se auto-proclamar profetisa de Deus, e no meio do caos e do desespero, não faltam fiéis para buscar alento nas suas crenças. Isso pode ser interpretado de diversas formas. Uma delas como uma crítica às religiões, que vendem falsas soluções para as pessoas fragilizadas. Metáfora para a lavagem cerebral de movimentos como o Nazismo. Pode ser levado mais a fundo e visto como uma forma de criticar o surgimento das religiões mais tradicionais e as pregações islâmicas também. O comportamento da mulher é medieval. Caça as bruxas. Nessa situação, os mais fracos acabam levando-a a sério, e em ocasiões normais ela seria só uma louca pregando ao vento. Como o filme é de Hollywood, americano, eles tinham que citar uma comparação com Fidel Castro... Até hoje o comunismo é criticado. Pelo menos foi um momento breve. Guerra Fria requentada ninguém merece! Vide Indiana Jones 4.


O final é um desastre. É diferente do conto do King. Não é péssimo. Mas não é bom. Deprime, é desesperançoso, e não traz nenhum conforto depois do filme nos incomodar o tempo inteiro, como normalmente é do costume hollywoodiano. Leva uma nota alta por pelo menos ele trazer questionamentos de sociedade interessantes como o citado um pouco antes. Poderia ser muito interessante e proveitoso para incitar discussões em aulas de sociologia, por exemplo (falou o expert no assunto...).

* expiação
ex.pi.a.ção
sf (lat expiatione) 1 Ato ou efeito de expiar. 2 Penitência ou cerimônias para abrandar a cólera divina. 3 Sofrimento de pena ou castigo imposto a delinqüente. sf pl Preces para aplacar a divindade ou para purificar os lugares profanados. E. suprema: pena capital.

3 comentários:

  1. Não deu vontade de assistir o filme. Parece aquele estilo: mais do mesmo.

    Depois daquele que as plantinhas e o vento matam as pessoas, estou de relaçoes cortadas com o apocalipse. É mais interessante ver materias no globo.com sobre o LHC.

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  2. O Nevoeiro é ótimo e não tem nada de "mais do mesmo". Vitor, passou a impressão que vc não gostou do final justamente por não proporcionar alívio - como faz o conto. O final é puro "Além da Imaginação". E uma metáfora à guerra do Iraque. Brilhante!
    E não concordo que a caixa teria que ter vontade de transar com o soldado. É a primeira noite no supermercado, o clima apocalítico tá muito forte... No conto, o "herói" transa com a loira, o que fica totalmente fora do clima, até porque o Stephen King é terrível pra descrever uma cena erótica. Mas fiquei feliz que o Darabont deixa esse momento de fora. Claro, as pessoas se comportam de forma diferente, mas o mundo tá acabando, há insetos gigantes ameaçando invadir o super, e vc vai transar?... Difícil, não sei. É diferente das duas moças em Extermínio. Quando elas chegam ao "quartel" já há um certo clima de segurança. Lá tem água quente, algum conforto, um mínimo de esperança...

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  3. Spoilers!!! Quem não viu o filme não leia!

    Eu não gostei muito do final não, mas não pelo tal alívio. Também achei meio previsível ehehehehehe. Até o pessoal no cinema cantou o final quando ele saiu do carro. Foi meio mórbido, meio engraçado. E eu não acho que a caixa teria que transar com aquele cara lá também. Só achei esquisito que ninguém cogitou a possibilidade, e esse foi o único momento em que isso foi citado e tal, por isso comentei. E tem um filme horroroso do Cronenberg que eu vi há um tempão na tv de madrugada que o pessoal tem tara em situações caóticas assim como essa. E os insetos só aparecem depois dessa cena do casalzinho. Antes a ameaça era só sair do super. Aí eu já achei que o clima para a coisa realmente foi pro espaço...

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