sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Seção CINEMA // Crítica A Troca

Um Estranho No Ninho

A Troca // Changeling


Nota: 8,75

Eu tenho que confessar que tenho preconceito com os filmes do Clint Eastwood. São o supra-sumo do clichê. Uma colagem de momentos óbvios, normalmente pra induzir o público ao choro. Sendo sincero, não sou fã. Decidi ver esse por causa da Jolie e fui ver com ressalvas. Mas dessa vez dou a mão à palmatória. Gostei muito desse. O filme fala de uma mãe solteira nos anos 20, independente e bem sucedida, que procura pelo seu filho, que desapareceu de casa. Após 5 meses, a polícia o encontra, mas ela não acredita que aquele seja o seu filho.

O filme foi baseado em fatos reais e é uma denuncia a corrupção policial de Los Angeles da época e seus métodos pouco honestos. Eu poderia fazer muitas observações sobre o filme, mas elas tornariam esse texto num gigante spoiler. Acho que o melhor a dizer então é que o filme é tocante, no que diz respeito ao sofrimento da mãe e o roteiro traz reviravoltas que vão tornando a história cada vez mais interessante, renovando o interesse do público. Apesar da minha aversão ao Clint, ele é um bom diretor, e consegue tirar do seu elenco (normalmente bom, e dessa vez não é diferente) boas atuações.


O filme tem ficado de fora das premiações, a não ser na categoria de melhor atriz, onde Angelina tem sido indicada para todos os prêmios, e caminha pra sua segunda indicação ao Oscar. Apesar de poucos prêmios terem sido entregues, ela muito dificilmente ganhará seu segundo prêmio. A favorita até o momento aparentemente é Anne Hathaway por O Casamento de Rachel.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Seção CINEMA // Crítica Crepúsculo

Traídos pelo Desejo

Crepúsculo // Twilight


Nota: 8,0

A nova sensação literária adoles- cente não poderia deixar de virar um filme. Engraçado como os livros para esse público alvo sempre tem seres esquisitos como tema central. Elfos, hobbits, vampiros, bruxos com coruja de estimação, gnomo, fada-madrinha, ogros, Michael Jackson, e assim por diante. O livro conquistou o mundo e sua estréia já era aguardada ansiosamente pelo público. Isso foi mostrado pela bilheteria que o filme já arrecadou. Eu nunca tinha ouvido falar no livro até pouco tempo antes da estréia do filme. E mesmo se tivesse ouvido, provavelmente não teria lido o livro. Detesto ler coisas longas...

Bom, a história é sobre um amor proibido. Será que já falaram sobre isso? Algumas vezes... Bella (Kristen Stewart) é uma menina que decide ir morar com o pai para que a sua mãe possa acompanhar o padrasto esportista. Ela muda de cidade e de vida, vai para um vilarejo nublado e chuvoso (achei lindo, adoro lugares assim, e adoro chuva), e lá se apaixona pelo esquisitão-mór da cidade (Robert Pattinson), que ninguém sabe que é vampiro. Só a gente que sabe. Eu se morasse lá iria achar que ele era zumbi, com todo aquele charme de morto-vivo com olhar de bêbado. Na sessão que eu estava, tava cheio de adolescente. Todas as vezes que o galã-vampiresco aparecia era aquela comoção. Miados, latidos, grunhidos, mugidos, suspiros e tudo mais. Eu sinceramente não sei o por quê disso. O ex-bruxo de Harry Potter é o contrário daqueles esqueletos que eu montava na infância. Ambos são da cor da parede, mas ele brilha no sol, não no escuro como as minhas caveirinhas. E tem uma expressão só o filme inteiro. Em qualquer circunstância. Aquela de quem levou um pum de elefante na cara ou acabou de descobrir que comeu um bolo cheio de veneno de rato. Vibe Keanu Reeves totalmente detectada.


O filme teve um baixo orçamento para o gênero. Bem diferente de outros do gênero, tipo Harry Potter e O Senhor dos Anéis. Isso dá pra notar na maquiagem dos vampiros, porque o pancake só tem no rosto. O pescoço é de outra cor. O batom deve ser 24 horas pra durar várias cenas. Além dos efeitos especiais serem da mesma qualidade que De Volta Para o Futuro, de 23 anos atrás. Se não forem piores.

Cada filme de vampiro mostra o comportamento desses seres de uma maneira diferente. Aqui existem os bons (que são os "vegetarianos", ou seja, se alimentam de sangue animal. E desde quando animal é vegetal?) e os maus (os que matam gente pra se alimentar). Sinceramente, essa dicotomia era mais interessante e divertida na novela Vamp. Não tem nenhum vampiro lá carismático como a Natasha e o Vlad. E a Cláudia Ohana é muito mais sexy (e cabeluda também, creio eu) que a vampira invejosa lá que era pra ser a mais linda de todas as galáxias. Se ela fosse pro Miss Universo não ia ser nem semifinalista.


Apesar das ironias, o filme é interessante. Até a metade eu gostei muito. O romance é legal, pelo conflito interno que ele gera no casal. Aquela velha coisa de saber lidar entre o que você quer fazer, e o que é certo fazer (se é que isso existe). Isso poderia ter sido muito melhor abordado, by the way. Dá pra fazer uma metáfora com situações reais, tipo, como seria um romance entre uma aristocrata americana e um homem-bomba muçulmano. Ok, nem tão real assim...

Mas como o filme é pra adolescente, e é de vampiro, tem que ter ação, pra donzela poder entrar em risco, e o vampiro-encantado (encantado mesmo, porque a cara de deslumbrado é perene) ir salvar. Só que a ação dura 15 minutos, acaba muito fácil, os efeitos especiais são de deixar Ed Wood morto de vergonha e é tudo muito sem graça, resumindo. Quebrou o clima de antes. O final é sem gracinha, mas é porque vai ter continuações, então ele fica sempre aberto. Pelo menos a música da última cena é legal. Eu quero muito ver o resto. Será que em algumas dessas seqüências ela vai envelhecer, ficar com 46 anos e ele vai continuar forever young?


No final das contas, eu me pergunto, qual é a graça de se namorar um vampiro? Um donzelo, que nunca vai poder fazer as mesmas coisas que ela. Não comem, dormem, não descansam, não envelhecem (tá! Muitos dariam de um tudo por isso...), não morrem, não transam. Não trepa, nem sai de cima. E é exatamente o que ela faz com a protagonista. No primeiro contato físico mais intenso entre os dois, ele teve que se afastar pra não lhe tascar uma dentada. Que coisa mais insossa. Então o romance ia se resumir a trocas de juras de amor e olhares com cara de besta um pro outro. Rala e rola, que é bom, nem pensar. Acho que ele nem deve ter ereção, já que vampiro não se reproduz por sexo, então pra eles não tem serventia alguma.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Seção CINEMA // Crítica Milk

A Iguadade é Branca

Milk - A Voz da Igualdade // Milk

Nota: 9,5

Essa é definitivamente a década das cinebiografias. E normalmente elas são reconhecidas e premiadas. Principalmente os protagonistas. O diretor Gus van Sant nunca fez biografias antes. Ele alcançou notoriedade ao fazer filmes como Garotos de Programa, que hoje é cult, o humor-negro Um Sonho Sem Limites, Gênio Indomável, que lhe deu uma indicação ao Oscar, Elefante, Vencedor da Palma de Ouro em Cannes, sobre o incidente em Columbine, e deu uma chamuscada no seu filme refilmando Psicose.

Milk (ainda bem que não traduziram o título para português, porque os trocadilhos seriam infames) conta a história de Harvey Milk, primeiro político abertamente gay dos Estados Unidos. O filme relata a inquietude de um homem que ao chegar aos 40 anos tinha a sensação de não ter feito nada produtivo na vida. Ao se mudar para San Francisco, ele se envolve com a política, na busca do reconhecimento dos direitos gays. O filme mostra a ascensão do Castro, o bairro gay da cidade e quais as conjunturas que levaram a cidade a se tornar a Meca do mundo gay, além da luta em si do próprio político, e as conseqüências do seu envolvimento no meio público na sua vida privada.


O elenco reúne nomes famosos da indústria, encabeçado por Sean Penn, como o próprio Harvey Milk; Emile Hirsch (de Na Natureza Selvagem, Heróis Imaginários, Show de Vizinha e Speed Racer) como o levemente afeminado relações públicas Cleve Jones; James Franco (Homem Aranha, Flyboys, Tristão e Isolda) como Scott Smith, o primeiro parceiro do Harvey; Diego Luna (E Sua Mãe também, Frida, O Terminal) como o segundo parceiro, Jack Lira; Lucas Grabeel (High School Musical) como o fotógrafo Danny Nicoletta; e Josh Brolin (ator veterano que fez desde Os Goonies, até Onde Os Fracos Não Têm Vez, No Vale das Sombras, e o Inédito W., que eu quero passar longe!) como o opositor do Milk, Dan White.


A mensagem mais importante que o filme me passa, é que quase todos nós estamos sempre acomodados e relaxados, vendo a vida passar diante dos nossos olhos. Poucos são os que se levantam e vão em busca dos seus ideais, que lutam as adversidades para conquistar seus direitos. Esses são os verdadeiros heróis. Não são Frodo ou Harry Potter. São pessoas reais, de carne e osso, com suas fraquezas e limitações. Todos nós precisamos de pessoas para admirar, que nos sirvam de inspiração, e é bom saber que essa comunidade extremamente oprimida também tem pessoas em quem se espelhar.


Já que estamos em época de premiações, e Milk é um dos filmes fortes da temporada, vou fazer umas ponderações sobre as chances do filme: O filme decepcionou nas indicações ao Globo de Ouro, recebendo apenas uma indicação, de Melhor Ator - Drama para o Sean Penn, que é o favorito e provável vencedor, não só do Globo de Ouro, como do seu segundo Oscar. Já no Critics Choice, o filme lidera com 8 indicações, incluindo Melhor Filme. Quanto ao Oscar, eu aposto (e gostaria) que o filme fosse indicado ao prêmio de Melhor Filme. Passado o episódio Brokeback Mountain, e com todas as acusações de discriminação que a Academia recebeu, certamente eles não vão querer repetir a dose dessa vez. O “clima de injustiça” que ficou também pode levar o filme a vencer, o que não seria injusto. Não vi os demais indicados, mas com certeza, Milk é superior a todos os indicados do ano passado.


Mais possíveis indicações seriam direção, roteiro e ator coadjuvante com três fortes possibilidades: Emile Hirsch, James Franco e Josh Brolin. James e Josh foram indicados ao Critics Choice. Emile não foi indicado a nenhum grande prêmio, mas dos secundários, o seu papel é o que mais chama atenção, e continua na lista dos críticos como um dos prováveis indicados. Além de que ano passado, ele tinha uma indicação por Na Natureza Selvagem quase certa, mas foi preterido. Talvez isso seja considerado um erro a ser corrigido. O papel do James eu não acho que tenha grandes momentos para justificar uma indicação. Boa Sorte a Milk!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Seção CINEMA // Prêmios à Vista!

Começa a melhor temporada do ano para o cinema. É nessa época que começam a sair as indicações aos prêmios e quando os supostos bons filmes estréiam nos cinemas. Muitos dizem que não respeitam os prêmios, especialmente o Oscar, por ser o mais famoso, normalmente por discordar dos resultados. Eu também discordo freqüentemente, mas sem elas, a indústria apenas produziria blockbusters rentáveis, o cinema-pipoca. Os filmes interessantes e inteligentes provavelmente seriam pequenas produções independentes com alcance muito restrito. E se fosse o caso, eu provavelmente não seria fã de cinema.

As premiações mais famosas são:


O Globo de Ouro (www.hfpa.org), que é entregue pela imprensa estrangeira de Hollywood nos meses de janeiro. Os indicados para esse ano e já saíram (você pode vê-los no site oficial com link acima) e serão entregues dia 11 de janeiro. Já houve algumas surpresas nas indicações e farei minhas apostas na semana anterior à premiação. As categorias premiadas são as principais, produção, direção, atuação, roteiro e música, divididas por gêneros, comédia ou drama, assim como na Grécia Antiga o teatro já era dividido. Além das categorias de televisão.



O Prêmio dos Críticos (Critics Choice Award), entregue pela Broadcast Film Critics Association, (www.bfca.org). As categorias de atuação não são dividas por gênero, mas têm um número maior de indicados e há categorias específicas para alguns gêneros, como melhor filme para a família (seja lá o que isso signifique), melhor filme de comédia, ação, etc., além de premiar o melhor filme. Os indicados já foram anunciados, e os prêmios serão entregues dia 8 de janeiro. Veja os indicados no site oficial.



Para os atores, há o premio do sindicato (Screen Actors Guild Association), o SAG Awards (www.sagawards.org), que premia apenas atuação, e o melhor elenco, para filmes e produções de TV. O prêmio será entregue dia 25 de janeiro, e as indicações saem dia 18 de dezembro.



E por fim, o Oscar (www.oscars.com). A mais antiga e tradicional premiação, que inclui as categorias técnicas. É entregue pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. São duas festas separadas: a primeira, para os estudiosos que contribuem para o desenvolvimento da arte e da indústria, e a segunda, a mais famosa, onde as produções e os artistas são premiados. Os indicados serão anunciados dia 22 de janeiro e os prêmios serão entregues dia 22 de fevereiro.

Muitos se perguntam como funciona a premiação. Aqui vai uma explicação: Todas as pessoas que já foram indicadas alguma vez na vida ao prêmio, fazem parte da Academia e podem votar. A votação é feita por cédulas enviadas por correio. Para poder ser indicado um filme tem que ter mais de 40 minutos, estrear oficialmente até a meia-noite do dia 31 de dezembro numa sala de cinema no distrito de Los Angeles e estar no mínimo sete dias consecutivos em cartaz. No início de Janeiro, a Academia envia aos seus membros um boletim de voto acompanhado de uma lista com todos os filmes. A princípio, as pessoas escolhem os indicados na sua categoria, ou seja, roteiristas escolhem os indicados a roteiro, atores os indicados a atuação, etc. Depois dos indicados anunciados, todos podem votar em todas as categorias, menos filme estrangeiro.

Esses sistema faz com que existam muitos votantes bem velhinhos que não trabalhem mais, e muitas vezes isso explica alguns resultados conservadores. Um exemplo disso é o caso de 2006. Jack Nicholson, que é o ator vivo - e atuante - mais premiado (3 Oscar – ator por Um Estranho no Ninho, coadjuvante por Laços de Ternura e ator por Melhor é Impossível), votante assíduo e de presença constante nas premiações, fez questão de entregar o prêmio de melhor filme. Ele ficou visivelmente contrariado por entregar o prêmio a Crash, em vez de Brokeback Mountain, como ele mesmo afirmou posteriormente. Uma conseqüência do comportamento foi sua não indicação no ano seguinte pelo filme Os Infiltrados. Pra tentar abafar as acusações de discriminação, a comediante Ellen DeGeneres foi convidada para apresentar a festa.

Tem-se notado uma queda na audiência da premiação, que a cada ano são mais longas. Nos últimos anos, a audiência foi boa quando Titanic e O Senhor dos Anéis venceram melhor filme. Ou seja, quando os grandes blockbusters são premiados. Titanic é um filme que eu respeito. O romance proibido e a luta de classes ambientado numa catástrofe é tocante. O elenco é primoroso e a produção é muito boa. Com o tempo o filme vai alcançar o status de clássico que ele merece. Já o Senhor dos Anéis é infantil demais para o meu seleto e caprichoso paladar. A história é a mesma abordada pelos Jaspions, Jirayas e Power Rangers, além de ser interminável. São 3 filmes com mais de 3 horas cada. E a cerimônia em que ele venceu foi muito chata. A cena daquele monte de anãozinho aplaudindo cada prêmio na platéia só me é mais nauseante que o circo do Roberto Benigni em 1999.

Esse ano, essa queda na audiência tentará ser combatida. A cerimônia será provavelmente apresentada por Hugh Jackman, que já apresentou o Tony por 3 vezes, e será transformado em algo mais divertido, com atuações ao vivo, shows com momentos de música e menos falatório e piadas sobre o governo. Soa interessante.

Esse ano as premiações prometem ser bem mais interessantes que a do ano que passou. Os filmes que surgiram abrangem uma maior diversidade de temas e aparentam ser instigantes. Estarei comentando todos eles assim que os conferir!

domingo, 30 de novembro de 2008

Seção CINEMA

Queime antes que você leia!
Queime Depois de Ler // Burn After Reading

Nota: 8,5

Depois do “meia-bomba pseudo obra prima vencedor do Oscar” Onde Os Fracos não tem Vez, os irmãos Cohen voltam a fazer um filme de humor negro no seu velho estilo. E sendo honesto, é uma produção muito melhor que o sucesso anterior. O tema não me é dos mais agradáveis (EUA x URSS), mas o filme não se foca nisso. Na verdade é sobre um analista do Pentágono (John Malkovich) que é desligado por problemas com bebidas e resolve fazer um livro memórias contendo várias informações supostamente confidenciais. Ele esquece o CD com seus rascunhos na academia e acaba nas mãos do funcionário abilolado (Brad Pitt) e da solteirona desesperada para fazer cirurgias plásticas (Frances McDormand), que resolvem tentar tirar uma grana em cima disso.

Partindo disso aí, uma comédia de erros se segue bem ao estilo Fargo (esse ainda é superior). Ainda temos no elenco a dupla de Conduta de Risco Tilda Swinton e George Clooney. Tilda faz a única aparentemente sensata do quinteto principal, e é a menos engraçada, mas ela tem que existir para o filme não virar uma fantasia. Brad Pitt fica perfeito fazendo papel de babaca. Ele é bom comediante. Deveria ter investido mais no gênero. George Clooney também diverte com sua mania de perseguição. Malkovich competente na sua grosseria eterna.


Possivelmente esse será um dos filmes considerados nas premiações, mas duvido muito que tenha tanta atenção e sucesso quanto “Fracos”. Pelo menos indicação de roteiro e talvez coadjuvantes (Clooney, McDormand ou Pitt) ele deve receber.





Comandos em Ação: Missão Oriente Médio
Rede de Mentiras // Body of Lies

Nota: 6,0

Ridley Scott é considerado um dos mais importantes diretores contemporâneos. Eu sempre vejo os filmes dele, mas falando francamente, os únicos que eu gosto de fato são Blade Runner e Thelma e Louise. O tão aclamado Gladiador eu acho previsível do primeiro ao último segundo, Hannibal é só mediano e nunca vi nenhum dos Aliens... Cruzada, O Gângster, Falcão Negro em Perigo e Até o Limite da Honra, pode juntar num balaio e jogar no mato...

Dessa vez o tema é aquele batido da conflito Oriente Médio x EUA. Leonardo DiCaprio de cabelo pintado e lente de contato faz o agente da CIA que brinca de polícia e ladrão lá por aquelas bandas e se comunica com seu chefe Russel Crowe, também de cabelo pintado, com um walkie-talkie modernoso. Leozinho, se achando a bala que matou Getúlio, sem o conhecimento e consentimento do seu aliado da Jordânia, arma um plano para resolver a sua missão antiterrorismo, a tal rede de mentiras do título, e como mentira tem perna curta, o resultado não é dos mais satisfatórios.


Como eu detesto essa temática, já que eu não simpatizo com nenhum dos lados, o filme ia cada vez mais me dando sono e fugindo a atenção. E é o tipo de filme que se você não ficar 100% atento acaba perdendo o fio da meada. Talvez eu tenha perdido, não sei... E o filme me lembrou muito Syriana, que é pior ainda, muito mais enrolado e confuso, e então as associações também não foram das mais interessantes.




Quem tem medo do bicho-papão?
REC

Nota: 6,0

O filme foi bem recebido em festivais de cinema europeus, e é um terror feito na Espanha, o que me chamou atenção, já que as produções européias costumam ser mais inusitadas. Fui ver e nem li muito a respeito. Só a sinopse básica. O filme trata de uma equipe de TV que vai acompanhar um dia de trabalho do Corpo de Bombeiros. Durante a madrugada eles atendem num chamado de um prédio onde coisas estranhas estão acontecendo e tudo foge do controle.


Eu tinha outras expectativas para o filme. Na verdade é um tema pra lá de batido. Mais uma versão da Noite dos Mortos Vivos, Madrugada dos Mortos, Extermínio, Resident Evil, ou coisa que o valha. O único diferencial desse, é que eles são trancados em um único local. Mas Resident Evil 1 também é mais ou menos assim, então não é tão diferente assim. Ainda tem a câmera trêmula (que falha de vez em sempre) igualzinha a da Bruxa de Blair. Não que o filme seja ruim, eu adoro filmes apocalípticos, e pelo menos dessa vez o fim do mundo não começa pelos EUA, mas pelas propagandas que vi, não esperava que ele fosse tão mais do mesmo, uma imitação de Hollywood.



Woody Almodóvar?
Vicky Cristina Barcelona

Nota: 8,0

Com um título desse só podia partir do Woody Allen. Ele já teve momentos mais inspirados, como A Rosa Púrpura do Cairo, Poderosa Afrodite, O Escorpião de Jade, Tiros na Broadway e Match Point. Títulos bem mais convidativos. Mas o filme é bem melhor que o título. Isso eu garanto! E normalmente um Woody Allen médio é superior a 90% dos caça-níqueis que Hollywood produz. O problema é que o humor inteligente, cult que ele faz, não tem mais público nos EUA, que prefere rir com coisas como Norbit, As Branquelas, Penetras Bom de Bico, etc... Sendo assim, ele perdeu o financiamento que tinha antes nos EUA, e teve que sair do seu casulo (Manhattan – que é outro nome de filme também) e agora está produzindo seus filmes na Europa. Desde Match Point, esse já é o seu 4º filme financiado e produzido por lá (Scoop e O Sonho de Cassandra são os outros), onde ele tem público cativo e o terceiro com sua nova musa Scarlett Johansson. Dessa vez ele ousou mais e partiu para um país mais “exótico” para contar sua história, a Espanha, o que deu um tom bem diferente ao filme.


A história é sobre duas amigas americanas que vão para a Barcelona, Vicky (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson). Elas são completamente diferentes, um verdadeiro ying e yang. Vicky é a zelosa e cautelosa e Cristina, a aventureira. Lá elas se envolvem com o Javier Bardem, um pintor inteligente e sedutor que não esconde suas intenções para com as duas, o que desagrada uma e alegra a outra. No meio disso surge a Penélope Cruz, a ex-mulher temperamental e descontrolada para completar o círculo amoroso disfuncional.


O filme por muitas vezes se confunde com a atmosfera criada por Almodóvar nas suas produções, apesar de não ter a estética kitsch peculiar dele. As músicas incidentais espanholas, os belos cenários, tudo torna o filme bem diferente de tudo que Woody já fez antes, assim como ele fez em Match Point. Mas ainda dá pra reconhecer a marca registrada dele no filme, que sempre tem que ter um chato que racionaliza e verbaliza demais as coisas, que é a personalidade real dele, e normalmente é feito por ele mesmo nos filmes (os filmes dele em que ele atua são os piores...), e dessa vez é a Vicky. Uma chata verborrágica de galocha, que tem um noivo tão chato e pegajoso quanto ela. E para descontrair, tem uma louca bem ao estilo Almodóvar, que é feita pela Penélope, que dá vida ao filme.


Há uma narração meio irritante e completamente dispensável durante o filme, que conta detalhes que são facilmente entendidos ou até desnecessários mesmos. Woody Allen de vez em quando faz isso. Lembrou também a narração óbvia do Morgan Freeman em Menina de Ouro. O elenco é interessante, competente e tem nomes conhecidos, como os já citados e também a Patrícia Clarkson (Boa Noite e Boa Sorte, Em Seu Lugar). Scarlett Johansson está no auge da sua beleza, assim como em Match Point. Woody Allen pelo jeito faz bem a ela. Sinceramente, não li nenhuma crítica a respeito dele, nem sei qual a recepção que tem tido, mas eu achei o resultado bem interessante. Sair dos EUA tem dado novos ares ao Woody, novas perspectivas e deixado seu trabalho cada vez mais interessante.

domingo, 9 de novembro de 2008

Seção CINEMA

Segredos ao vento

Um Segredo Entre Nós // Fireflies in The Garden

Nota: 8,0

Meu TCC na faculdade foi sobre cartazes de filmes. Aprendi várias coisas durante o processo. E uma delas é que o cartaz normalmente, para mim, já diz ao certo se eu gostarei ou não do filme. As disposições das informações e dos elementos gráficos dizem muito sobre a produção e o seu estilo. E eu achei o cartaz desse filme lindo. E sabia desde o início que iria gostar, mesmo não lendo nem a sinopse.

O filme é dirigido por Dennis Lee, que eu nunca ouvi falar. O Google velho de guerra me disse que ele é meio que um faz tudo. Escreve, dirige, atua, produz e faz efeitos especiais. Geralmente esse pessoal não é ótimo em nenhum deles, mas esse filme é bom. No elenco tem várias caras conhecidas como Ryan Reynolds, que casou com a Scarlet Johansson, e parece que resolveu mudar a carreira e tem escolhido uns filmes mais interessantes pra fazer, a super-estrela Julia Roberts, o ótimo Willen Dafoe, que é pouco reconhecido pelo público, talvez por fazer muitos vilões, a inglesa Emily Watson, que já foi indicada duas vezes ao Oscar, e a Hayden Panettiere, a cheerleader do seriado Heroes.

A história é sobre um escritor que volta pra casa e acaba tendo que encarar a morte repentina da mãe e se revive a relação tumultuada que tinha com o pai e fica no dilema se deve ou não publicar seu livro autobiográfico. Apesar de ser uma boa história, o roteiro se embaralha e ficam alguns assuntos pendentes ou mal resolvidos, como o tal segredo do título por exemplo. O fim fica um tanto vago, como se ainda faltassem 10 minutos de filme, mas ainda assim um bom filme.

A única coisa que me incomodou de fato no filme, é o comportamento antiecológico habitual de Hollywood. Há três cenas em que isso fica bem claro, tipo na cena da pescaria e do vaga-lumes no jardim (do título original) onde animais são maltratados para pura diversão, e a outra cena é a da velha torneira derramando sem parar e sem uso. Daqui a alguns anos, quando a água substituir o petróleo como o bem mais escasso e necessário do planeta, os EUA vão terminar invadindo o Brasil...


Onde Vamos Parar?

Última Parada 174

Nota: 7,0

O cinema nacional deu uma melhorada considerável. A quantidade de produções multiplicou-se e a qualidade nem se compara com os filmes que o Brasil produzia nos anos 80. Mas se a gente passou da fase de produzir pornochanchadas de quinta categoria, agora ficamos especialistas em outros dois estilos. Estagnamosou nos temas pobreza/criminalidade e comédias iguais a tudo que passa na Globo à noite durante a semana. Os incontáveis filmes do Didi e da Xuxa a gente nem considera... Lógico que o primeiro tema (criminalidade) é o mais louvável aos olhos do grande público e da mídia. E o mais engraçado disso tudo é que os filmes são todos feitos por jovens cineastas que nunca viveram nada disso. Acho que foi o irmão do Walter Salles (diretor de Central do Brasil, o melhor filme nacional que eu já vi) que disse que tudo isso não passa de uma forma de um monte de riquinhos falarem sobre miséria para se redimir da culpa. Concordei com a frase apesar de não ter muito argumentos para discutir sobre o tema. Conversando com uma amiga sobre o assunto, a gente concluiu que logo, logo o caso Eloá vira filme. Acho que tudo isso já passou do nível de crítica social para virar espetacularização, ou até banalização, da violência. O auge disso tudo pra mim continua sendo Tropa de Elite, em que o troglodita do Capitão Nascimento virou até ícone pop. Por um tempo só, amém!

O filme é sobre o seqüestro de um ônibus no Rio que virou espetáculo jornalístico em 2000. Faz uma recapitulação da vida dos indivíduos envolvidos direta e indiretamente até o dia da tragédia. O elenco tem um monte de desconhecidos que eu nunca vi (como de usual) e são todos bons para o devido fim, mas não acho que teriam grande sucesso indo para outro tipo de produção. O melhor momento do filme, pra mim, é durante seqüestro, quando uma moça fica falando no celular e discutindo com o bandido no ônibus. Trouxe um certo toque de leveza que o filme precisava desde o início. Concluindo, o filme é bom, mas é bem mais do mesmo. Duvido muito que receba a indicação ao Oscar.


Amigo da onça

Amigos, Amigos, Mulheres à Parte // My Best Friend’s Girl

Nota: 4,0

O verão americano sempre nos presenteia com uma enorme quantidade de produções “cômicas” para agradar em cheio o senso de humor da maior parte do público. Ou seja, filmes cheios de piadas grosseiras. O diretor da preciosidade, Howard Deutch, fez um dos meus clássicos teen preferido dos anos 80 (A Garota de Rosa Shocking) e também fez Virando o Jogo com o Keanu Reeves que eu gostei na minha adolescência. Não sei ao certo qual seria minha avaliação agora depois de tanto tempo sem vê-lo.

Bom, a história é sobre um cara (Dane Cook) que trabalha como “prestador de serviços” para homens. Não, ele não é garoto de programa. Esse tipo de filme é muito moralista para aceitar homossexualismo numa boa. Ele sai com as ex-namoradas dos caras e faz uma coleção de grosserias, levando-as a crer que abandonaram o melhor homem que já encontraram na sua vida. Nobre, não? Eu não achei... Bom, no meio disso, ele é contratado pelo insuportável do seu melhor amigo (o Jason Biggs de American Pie) para que ele faça um milagre: uma menina que não quer nada com ele (Kate Hudson) achar que ele é o melhor homem do mundo e que está apaixonada. Não precisa ser nenhum gênio, nem ter bola de cristal (muito menos búzios) pra saber o que acontece depois. Se alguém aqui não conseguiu adivinhar, pode deixar que eu conto: ele se apaixona por ela.

O filme tem um elenco teoricamente bom de comédia. Kate brilhou em Quase Famosos, que quase a deu um merecido Oscar, mas só fez porcaria depois. Ela não é um caso isolado em Hollywood... Jason era o melhor ator de longe na franquia American Pie, e parece que meio se perdeu depois disso. Na verdade não evoluiu. Ficou nas baboseiras. E tem o Dane Cook que eu achei péssimo nesse filme. O primeiro dele que eu vejo, sendo sincero. Carisma zero e totalmente arrogante. Se isso era uma característica da personagem, até que ele não é tão mau ator assim, mas não é nenhum Jason Biggs, por exemplo. E ainda tem o Alec Baldwin fazendo uma pontinha e queimando o filme (o dele, sem trocadilhos).

Pra não dizer que o filme é de todo mau, a trilha sonora é ótima. Cheia de músicas dos anos 70 e 80, tipo The Cars, Tom Petty, John Hiatt e The Kooks.

domingo, 21 de setembro de 2008

Seção CINEMA

Terra de Ninguém

Ensaio Sobre a Cegueira // Blindness

Nota: 9,0

Fernando Meirelles, o diretor brasileiro de maior sucesso internacional da atualidade, que fez Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel, adaptou a obra Ensaio sobre a Cegueira do escritor português premiado com o Nobel José Saramago. Projeto no mínimo audacioso, que o brasileiro parece gostar de encarar. Estreou em Cannes e não teve críticas divididas. Nada que exaltasse ou depreciasse a produção.

Bom, o filme é sobre uma epidemia de cegueira branca que ataca em alguma cidade não especificada onde todo mundo fala inglês. E essa epidemia parece ser contagiosa, então os contaminados passam a ser trancafiados em um lugar imundo, já que eles são cegos e não podem reclamar, tipo campo de concentração nazista. Só que no meio deles, tem a Julianne Moore, que é mulher do Mark Ruffalo. A Ju não ficou cega, mas finge pra pode ficar junto com o marido. Como as pessoas ficam hospedadas nesse hotel 5 estrelas (cadentes), elas acabam tendo que lutar por suas necessidades e deixam aflorar seus instintos mais primários. Claro que a Ju acaba sendo a que sofre mais com a situação toda.


O filme me lembrou muito O Nevoeiro, que eu vi anteriormente no cinema. As duas histórias e os gêneros são diferentes, mas eles lidam com o mesmo tema: como as pessoas reagem ao caos e anarquia? Em um caso, é uma cegueira, no outro, criaturas assassinas causam isso. Em Cegueira eu achei tudo mais deprimente, porque tudo levava as pessoas a se submeterem a situações em que toda a sua dignidade é tirada. Numa cena o Mark fala pra Julianne algo tipo “é difícil de te ver como minha esposa agora, você age como a minha mãe”. Mas ele tinha esse “privilégio”. E os demais?

Tudo vai se desenvolvendo para momentos cada vez piores. A história não tem fé nenhuma na humanidade, assim como O Nevoeiro. Mas em cada caso as personagens agem de formas distintas. É interessante de se assistir, mas difícil de digerir. A gente sofre com a situação junto com eles. O final em nada lembra o desespero de Nevoeiro.


O elenco é brilhante. Além da Julianne (Evolução, Longe do Paraíso, Boogie Nights, As Horas) do Mark (Em Carne Viva, E Se Fosse Verdade, De Repente 30), temos a brasileira Alice Braga (Cidade de Deus), o mexicano Gael Garcia Bernal (Diários de Motocicleta), Danny Glover (A Cor Púrpura), e a Sandra Oh (Grey’s Anatomy, Sideways) faz uma pontinha.



Mãe do céu...
Mamma Mia!

Nota: 5,0


Como ninguém é perfeito, a Meryl Streep tem que ter algumas coisas trash no currículo. Nada que comprometa. Mamma Mia é uma peça da Broadway que foi montada baseando-se em músicas do ABBA, e agora adaptada para o cinema. As músicas vão se juntando de uma forma até contar uma história. Algo parecido com Across The Universe, só que dessa vez a história ficou mais coesa do que com a música dos Beatles.

A história é sobre uma jovem (Amanda Seyfried) que está prestes a casar com o namorado (Dominic Cooper) e não conhece o pai. Então ela rouba o diário da mãe (Meryl) e convida três dos homens com quem ela se envolveu antes de ela nascer para o casamento no intuito de descobrir qual deles é o seu pai.


O elenco é cheio de atores 45+ no elenco e é teoricamente bom, mas todos cantam mal. Muito mal. Se você quiser escutar ABBA, compre ABBA Gold ou algum DVD da banda. E nenhum dança bem também. As coregrafias são bem amadoras. Meryl, Colin Firth (Bridget Jones 1 e 2, Simplesmente Amor), Pierce Brosnan (O 007 dos anos 90), Stellan Skarsgard (Ronin, O Exorcista – O Início), Julie Walters (Billy Elliott!!!) e Christine Baranski (A Gaiola das Loucas) fazem parte das personagens principais over 50 do filme. E o filme é pra essa faixa etária de fato. Parece sua mãe quando reencontra a "Lourdinha" e a "Carminha", que faziam o segundo grau com ela e iam dançar nos bailinhos do interior tomando ponche, e começam a dançar na sala, com os filhos já grandes vendo e pensando: Que ridículo, mãe! por favor, pare com isso!

Na sessão que eu estava, tinha diversas pessoas de meia idade e elas morriam de rir com as piadas, que eu, com 23, não via graça nenhuma. O que me mantinha na sessão eram as músicas. Eu ficava curioso pra saber qual música ia dar continuidade à história e como. Mas eles merecem se divertir também né? E o filme pode não ser bom pra mim, mas não faz mal a ninguém. O cenário é bonito (Ilhas gregas), figurinos coloridos, figurantes, na grande maioria, jovens e bonitos, tudo muito alegre. Nada profundo ou para se pensar. Diversão garantida num asilo.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Seção CINEMA // O Nevoeiro

O Juízo Final: O Dia da Expiação!*

O Nevoeiro // The Mist

Nota: 8,5

Esse filme me divide… O filme pouco diverte. Irrita. E muito. Mas ele tem seus momentos engraçados. Tem sustos também. É um filme de terror, afinal de contas. Mas acima de tudo isso, dá pra tirar discussões muito interessantes do conteúdo do filme. É baseado numa obra do Stephen King e dirigido pelo Frank Darabont. Ele deve ter alguma cota com o Stephen, porque ele já fez vários filmes baseados em suas obras, como À Espera de Um Milagre, Um Sonho de Liberdade, ambos excelentes.

Bom, a história se passa numa pequena cidade que é atingida por uma tempestade, e logo em seguida o tal nevoeiro toma conta. O nevoeiro abriga criaturas ocultas que atacam as pessoas n as ruas. Um grupo fica preso em um supermercado sem sair temendo ser atacado. No elenco destacam-se o Thomas Jane, marido da Patricia Arquette que fez O Justiceiro, e a Marcia Gay Harden, que ganhou o Oscar por Pollock, e fez Sobre Meninos e Lobos e Na Natureza Selvagem. Na boa, o Oscar de coadjuvante da Marcia deveria ter sido entregue esse ano por esse filme, e a Kate Hudson brilhante e incandescente em Quase Famosos deveria ter justificado seu favoritismo em 2001. Coisas de Oscar. Vai entender!


O filme irrita, como eu já disse antes. O clima de desespero e suspense impera. Eu fiquei a projeção inteira discutindo com o filme: Deixe de ser burro! Saia daí! Corra! Não! Não faça isso! E outras coisas do gênero. Os fatos esdrúxulos vão acontecendo e a gente vai rindo também. Pelo inusitado. Não por ser cômico de fato. E olhe que eu costumo gostar desses filmes apocalípticos. E o que você faria em caso de fim do mundo:

a) sexo
b) fornicação
c) coito
d) acasalamento
e) todas as alternativas acima

E na única oportunidade em que a hipótese é cogitada, a moçoila desiste porque não era assim que ela imaginava sua noite de amor. Ao diabo! O mundo tá acabando e você ainda tá pensando em realizar seus sonhos? Acorda Alice! Acho que ela desistiu com medo do sujeito que ela agarrou. Eu tive mais medo ma sobrancelha depilada dele do que das criaturas da névoa.


E a personagem da Marcia é a mais interessante. Ela faz uma fanática religiosa que se aproveita da situação para se auto-proclamar profetisa de Deus, e no meio do caos e do desespero, não faltam fiéis para buscar alento nas suas crenças. Isso pode ser interpretado de diversas formas. Uma delas como uma crítica às religiões, que vendem falsas soluções para as pessoas fragilizadas. Metáfora para a lavagem cerebral de movimentos como o Nazismo. Pode ser levado mais a fundo e visto como uma forma de criticar o surgimento das religiões mais tradicionais e as pregações islâmicas também. O comportamento da mulher é medieval. Caça as bruxas. Nessa situação, os mais fracos acabam levando-a a sério, e em ocasiões normais ela seria só uma louca pregando ao vento. Como o filme é de Hollywood, americano, eles tinham que citar uma comparação com Fidel Castro... Até hoje o comunismo é criticado. Pelo menos foi um momento breve. Guerra Fria requentada ninguém merece! Vide Indiana Jones 4.


O final é um desastre. É diferente do conto do King. Não é péssimo. Mas não é bom. Deprime, é desesperançoso, e não traz nenhum conforto depois do filme nos incomodar o tempo inteiro, como normalmente é do costume hollywoodiano. Leva uma nota alta por pelo menos ele trazer questionamentos de sociedade interessantes como o citado um pouco antes. Poderia ser muito interessante e proveitoso para incitar discussões em aulas de sociologia, por exemplo (falou o expert no assunto...).

* expiação
ex.pi.a.ção
sf (lat expiatione) 1 Ato ou efeito de expiar. 2 Penitência ou cerimônias para abrandar a cólera divina. 3 Sofrimento de pena ou castigo imposto a delinqüente. sf pl Preces para aplacar a divindade ou para purificar os lugares profanados. E. suprema: pena capital.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Seção CINEMA

A Fogueira das Vaidades

Sex and the City

Nota: 4,0


O seriado de TV era até engraçadinho na mior parte do tempo, mas o filme é um lixo. Achei frívolo e vazio. Além de ofensivo. Primeiro pela tal cena preconceituosa em que uma delas tem diarréia porque bebeu água no México. Cuidado! A América Latina é venenosa! Celeiro de doenças. Afaste-se! E segundo porque generaliza os homens através das personagens masculinas estereotipadas no filme. Um covarde, um adúltero, um mulherengo (que só fala uma única vez, mas aparece nu em todas as suas cenas) e outro ausente. O único “correto” é um bestão lá marido de outra idem. A mesma toupeira da diarréia. Já que os homens são tão ruins assim, fiquei surpreso ao não vê-las todas virarem lésbicas no final, assim elas não teriam mais que conviver com eles.

Ou seja, o filme vem com um discurso que tenta ser feminista tipo “men are crap”. Tudo muito profundo e bem desenvolvido que nem merece ser chamado de feminista. É ofensivo ao movimento, que é infinitamente superior à essa discussão sem sentido. E esse pensamento parte de quem? Das quatro protagonistas ilustres, esclarecidas e formadoras de opinião: a consumista fútil, a frígida fria e pseudo-intelectual, a songa-monga demente e a ninfomaníaca. De todas elas, a única que é engraçada é a tarada, a Samantha da Kim Cattral, que dá vida ao filme. Partem dela as únicas falas interessantes. Todas as outras dão nos nervos de tão chatas. E o tal discurso “feminista” do filme acaba ficando mais ridículo do que já é naturalmente por partir desses espécimes ímpares do sexo feminino e porque elas vivem em função dos homens. Ou seja, elas ofendem todo mundo incluindo elas mesmas no final das contas. Esse texto só poderia ter sido por um homem! Na verdade deve ser um homem frustrado por não ter nascido mulher. Só isso explica. Uma mulher de verdade não faria um roteiro tão ridículo. Em suma o filme de feminista não tem nada. É só consumista e medíocre, porém metido a inteligente.

Como nada pode ser tão ruim assim, a melhor coisa do filme é a presença da Jennifer Hudson, que está muito, mas muito melhor, do que no Dreamgirls, que a deu um Oscar, onde ela interpreta uma versão caricata dela mesma. Aqui ela aparece mais vulnerável e sensível, uma interpretação mais madura e realista. Dá um banho nas protagonistas.

Se você for diferente de mim e consegue abstrair (ou não captar) tudo isso que eu falei, ou concordar com o que o filme propaga, com certeza vai se divertir.


Parente Serpente

O Sonho de Cassandra // Cassandra's Dream

Nota: 8,5

Gosto do Woody Allen. Como diretor e roteirista. Quando ele atua nos filmes, normalmente estraga a produção. Para o meu gosto, evidentemente. Principalmente por ele criar personagens próprias para ele e tentar passar uma imagem meio “galã irresistível” (porém sempre irritantemente neurótico) de si mesmo que não combina com presença cênica. Fica até ridículo, eu acho. Ele sempre arruma romances com mulheres que na vida real nunca nem olhariam para ele. Em Scoop, ele deixa essa parte pro Hugh Jackman e ele faz o mágico medroso, feiosinho e engraçado. Aí funcionou! Não duvido nada que ele gostaria de ter protagonizado A Rosa Púrpura do Cairo no lugar do Jeff Daniels. Ia acabar com o filme.

Aqui ele não atua. Ainda bem! Na história, dois irmão, Ewan McGregor e Colin Farrell, que estão enfrentando problemas financeiros, acabam aceitando uma proposta pra lá de indecorosa um tio bem sucedido (Tom Wilkinson de Conduta de Risco, Entre Quatro Paredes, etc.) em troca de dinheiro. Uma situação meio Fargo (não queiram comparar os dois filmes, são diferentes), em que nada dá certo e vai virando uma bola de neve aumentando cada vez mais. O clima de caos silencioso que se desenrola juntamente com os ataques de mea-culpa do covardão feito pelo Colin Farrel são hilários. A maioria dos críticos gongou o filme e as interpretações, mas eu gostei muito. Não esperava que o Colin tivesse esse lado cômico não.

O final me decepcionou um pouco por ser muito abrupto. Dá a sensação que faltou alguma coisa. Mas essa é outra característica do Woody. Desde Match Point ele vem fazendo filmes fora da sua adorada Nova York (provavelmente por falta de financiamento das bandas de lá, já que ele não vende no seu mercado natal, que prefere coisas tipo As branquelas ou qualquer bobagem similar) e apostando no humor negro, nas comédias de erros. Talvez tentando se aproximar do gosto do público europeu, que é seu principal público na atualidade.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Seção CINEMA // O Homem Morcego

Matar de Rir é o Melhor Remédio

Batman – O Cavaleiro das Trevas // The Dark Knight

Nota: 9,0

Ganhamos no trabalho ingresso pra pré-estréia do novo filme do Batman. Com direito a pipoca e refrigerante. Coisa ruim... Fomos todos juntos ver o filme. Sempre assisti filmes de super-heróis. Sempre gostei deles também. Mas vendo a devoção de tantas outras pessoas pelo gênero eu só posso deduzir que não sou exatamente fã. Acho que a melhor definição seria simpatizante. Vi todos os filmes do Batman e esse talvez seja o que eu mais tenha gostado. Pra ser sincero não lembro mais do enredo de nenhum deles, só do elenco e dos vilões de cada um. E dos diretores também.

Dessa vez volta o Coringa, que esteve no primeiro filme, nos anos 80, feito pelo Jack Nicholson. Aqui ele é feito pelo falecido Heath Ledger. O Heath é um caso a parte que no final eu falo melhor sobre ele. Na história o Coringa se oferece à amedontrada máfia de Gotham City para matar o Batman, para que eles possam continuar seus crimes como outrora. O filme é continuação do Batman Begins, e tem praticamente o mesmo elenco. A ausência é a Katie Holmes, que deve ter sido proibida de fazer a produção pelo seu marido, o biruta-mor de Hollywood, Tom Cruise. Talvez tenha sido pela gravidez também, mas acho que a produção foi feita depois de ela dar a luz. Sabe-se lá. Enfim, ela foi substituída pela Maggie Gyllenhaal (irmã do meu sósia Jake Gyllenhaal, como vocês podem ver em alguns posts mais abaixo), que fez Sherrybaby, O Sorriso de Monalisa, etc.

Duas coisas me chamam atenção no filme. A primeira: Qual pessoa em sã consciência moraria em Gotham City? A cidade é um verdadeiro celeiro de loucos. Maior concentração de alucinados violentos por metro quadrado. Talvez seja uma representação sucinta da sociedade americana. A mesma pergunta eu me fazia ao assistir Power Rangers. Quem moraria em Alameda dos Anjos? A cidade é destruída todo santo episódio.

Segunda: O verdadeiro herói de toda essa saga é o Alfred, feito pelo consagrado Michael Caine. Ele deve ser extremamente bem pago. É um mordomo cultíssimo, que administra toda a vida do patrão, arruma a casa, cozinha, lava e passa o terno de metal vampiresco Gucci do Christian Bale (vulgo Bruce Wayne), faz a manutenção da parafernália tecnológica lá, faz a revisão do batmóvel, recita filosofia aos 4 ventos, é terapeuta do nosso herói e tudo isso mancando de uma perna. Eu quero ser assim quando eu crescer!

O mais importante de tudo é que o filme diverte, dentro do universo proposto pela história. Tudo que Indiana Jones 4 deveria ser e não é. Eu achei esse um tanto mais sombrio, com menos humor e mais dramático que todos os outros, especialmente o primeiro da era Tim Burton e o pior de todos lá, o que tinha a Hera Venenosa. Talvez um estilo mais parecido com Batman, O retorno. Eu lembro que vi esse filme no cinema quando criança. Fiquei com medo e fiz minha mãe sair da sala comigo logo no começo. Depois a gente ficou horas esperando meu pai e meu irmão saírem do filme. Talvez se eu assistisse esse naquela época eu teria pesadelos horríveis.

Heath Ledger

Esse foi o último filme feito pelo australiano antes de ele sofrer a overdose acidental de medicamentos. Dizem que ele ficou realmente perturbado fazendo o filme, que o vilão exigiu demais dele. O que se pode dizer é que o resultado do trabalho dele é excelente. A melhor frase do filme vem dele. Na verdade está impressa em um carro dele. Matar de rir é o melhor remédio. E o humor ácido, negro desse Coringa causa essas reações no público.

Ele realmente soube como não se comparar com o trabalho do Jack Nicholson. O seu Coringa é mais sarcástico e cruel. É mais frio e sempre a beira do colapso nervoso. Da real loucura. Claro que combinando perfeitamente com o clima dessa produção do Christopher Nolan, que é muito mais gótica do que a do Tim Burton, que era mais caricata, menos caótica e tinha mais humor. Ambos estilos louváveis. Ambos são releituras diferenciadas da HQ. Só acrescentam e enriquecem a obra. E o Heath tem seus méritos claros nisso.

Sua interpretação é a melhor do elenco. Tanto que muitos críticos já o apontam como possível vencedor do Oscar de coadjuvante próximo ano. Ele dá vida ao filme. A gente sempre espera ele reaparecer pra ver o que ele tem pra aprontar. E normalmente é essa a característica principal do trabalho do Heath. Eu adorei tudo que ele fez, desde os mais bobos como 10 Coisas que Eu Odeio em Você e Coração de Cavaleiro, como os mais sérios como Brokeback Mountain e A Última Ceia. Talvez o melhor profissional da sua geração. Provavelmente ele agora será lembrado como um James Dean contemporâneo, mais um jovem talento que se perde nas perdições da indústria.