domingo, 7 de outubro de 2007

You can't stop the beat

Nota: 9,0

Depois de Evita, parece que os musicais voltaram com tudo. Moulin Rouge e Chicago consolidaram o retorno do gênero, e depois Dreamgirls, Sweeney Todd e agora, Hairspray vem pra comprovar isso mais uma vez. O elenco cheio de estrelas, o sucesso nas bilheterias, de vendas da trilha sonora já fazem desse um dos filmes mais rentáveis do ano e talvez um dos possíveis favoritos a prêmios do início do próximo ano. Raramente filmes, tipo A Pequena Loja de Horrores, tornam-se musicais da Broadway. Hairspray é um deles. O filme de 1988 de John Waters (o cineasta porra-louca responsável por filmes como Mamãe é de Morte, Pink Flamingos e Cecil B. Dement) conseguiu essa proeza. Como eu vi as duas produções, fica difícil não compará-las, então vamos lá.

O filme original, um cult dos anos 80 que tem nomes muito conhecidos no elenco, é uma comédia que tem como seu tema principal a paixão de uma menina gordinha pela dança e a segregação racial nos anos 60. Como o filme tem muito apelo e influência musical, foi transformado em musical para a Broadway, onde as personagens cantam as e dançam canções e tudo mais. Essa adaptação para a Broadway é que agora foi levada aos cinemas. A história é quase a mesma, mas a maneira de ser contada é bem diferente.

John Waters (que faz uma ponta como o tarado pervertido logo no primeiro número musical) é conhecido por seus filmes caricatos, vide Cry Baby, com o Johnny Depp e Mamãe é de Morte com Kathleen Turner. Hairspray segue a linha destes. Muita música dos anos 60, muita dança e tal. A música título do filme é logo a primeira a tocar e gruda na cabeça que nem chiclete. O roteiro é surreal, tipo roteiro de desenhos animados, cheio de hipérboles, tudo muito bem humorado. Funciona.


O mais recente é uma produção de Adam Shankman, que já fez diversos trabalhos em Hollywood, desde produtor, diretor, ator e coreógrafo, e tem no currículo filmes como Ligado em Você, Prenda-me Se For Capaz, Vem Dançar, Um Amor Pra Recordar, entre outros títulos famosos. Dessa vez, vemos o filme sem as músicas do filme original, e sim com as canções da peça da Broadway (e mais algumas inéditas para poder concorrer a prêmios, lógico), que o próprio elenco canta.

A história sofre modificações, algumas boas, outras não, mas no geral são legais pra gente não ter a sensação de que está vendo o mesmo filme novamente. Algumas personagens mudam de comportamento, tipo a Velma Von Tussle, que no filme original é feita pela Debbie Harry, vocalista da Blondie, e que dessa vez é feita pela Michelle Pfeiffer, e torna-se uma vilã ultra-má que no filme original ela não era. Por outro lado o romance entre o casalzinho principal na nova versão não faz tanto sentido. Acontece meio que do nada. E o final do filme é diferente, apesar da lição passada ser a mesma. O elenco inteiro é ótimo. Os ídolos teen Amanda Bynes e Zac Efron dão conta do recado, e os veteranos dão mais segurança as interpretações. John Travolta como a rechonchuda mãe da nossa protagonista rouba todas as cenas. Queen Latifah ótima como sempre. A estreante Nikki Blonksy brilha como protagonista.


Como diria a critica da Veja, o atual é menos amalucado, ou seja, menos caricato e exagerado, um pouquinho mais verossímil, mas são duas estéticas diferentes. Provavelmente quem não gostar de um, não vai gostar do outro. A parte técnica desse é melhor cuidada. As coreografias são bem melhores também. Mas o de John Waters é uma produção independente dos anos 80 e esse é uma superprodução Hollywoodiana. É um ótimo musical, bem alto astral, divertido, anti-preconceito, beeeeeem melhor que Dreamgirls e Moulin Rouge, mas eu ainda gosto mais de Chicago e Evita.

Nunca à tarde...

Nota: 7,5

Eis mais uma comédia romântica para cativar o público feminino. Nunca é tarde para amar. Dessa vez trata-se da história de uma mulher de meia-idade que conversa com a mãe natureza e se relaciona com um homem pelo menos 10 anos mais novo. Parece novo, mas não é... Esse é o novo filme de Amy Heckerling, responsável pelos mega sucessos Olha Quem Está Falando e As Patricinhas de Beverly Hills, filme que não tem o devido reconhecimento. A própria Amy atua no filme como a mãe natureza.

O filme começa com um monólogo meio sem fundamento e depois nos bombardeia com imagens nada agradáveis de vítimas da obsessão pela beleza que se submetem a cirurgias plásticas e viram aberrações. Depois nós acompanhamos a vida da Michelle Pfeiffer, roteirista de um seriado de TV "banal", como diria um amigo meu, que varia sua temática desde dramas adolescentes, até as mais frívolas comédias devido a busca desenfreada por audiência. O conflito da história é a insegurança da nossa protagonista em relação ao relacionamento que ela se envolve com o novo ator do seriado, que é feito pelo Paul Rudd, que fez "Patricinhas", Virgem de 40 anos, e era o namorado da Phoebe de Friends. Ok, não vou contar mais nada para não estragar a surpresa (como se houvesse alguma...).


O filme é leve e tal, legalzinho dese ver, mas tem umas coisas que não descem bem. Pra começar, a Michelle faz uma mulher que foi trocada pelo ex-marido por uma mulher bem mais nova, e ela ainda mantém uma relação extremamente próxima com ele. Isso não existe... A filha da Michelle é uma pré-adolescente madura demais para a idade. Faz discursos sobre a vida que me lembraram o pessoal de Dawson's Creek (adoooooooro, mesmo vendo claramente todos os defeitos). Essa mesma pré-adolescente faz paródias de músicas conhecidas criticando diversos temas, tipo o talento de uma famosa cantora, os padrões de beleza impostos pela mídia (o que é bem contraditório, porque ela mete o pau na mãe se a gente observar bem) e por fim, o governo Bush. Só por essa parte, o filme ganha um ponto. Mas sugiro que se não gostarem muito do gênero, não vejam o filme à tarde. Dá um sono...