segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Quebrar a confiança causa perda de tempo

Nota: 6,5

Quebra de confiança é o segundo longa do currículo de direção de Billy Ray. Antes ele havia dirigido um outro filme chamado O Preço de Uma Liberdade, que eu já queria ter visto, mas não tive oportunidades. Ambos são casos reais. Mas Billy já havia trabalhado muito em Hollywood, principalmente como roteirista. É dele o roteiro do policial A Cor da Noite com o Bruce Willis, ou de Volcano, por exemplo. Dessa vez ele resolveu contar a história da captura de Robert Hanssen, traidor da nação americana na Guerra Fria. Os crimes são da Guerra Fria, mas a história se passa em 2001.

Na historia em si, o principal é o Ryan Phillippe, ex da Reese Witherspoon, que fez Segundas Intenções, Studio 54 e Trash. Desculpem, Crash. Ele é um novato que quer se tornar agente do FBI, e é incumbido de investigar todos os passos do Robert, feito pelo Chris Cooper, vencedor do Oscar pelo vertiginoso Adaptação. Para isso, ele vai trabalhar com ele e tem que conquistar sua confiança para descobrir o máximo possível, tudo sob o comando da sua chefe, a Laura Linney, de Kinsey, O Exorcismo de Emily Rose, Sobre Meninos e Lobos, etc.

Bom, como todo filme do gênero, vemos toda aquela patriotada, de como é importante servir a nação, e livrá-la das garras do mal (leia-se URSS). Tem também críticas indiretas ao catolicismo (como se o protestantismo fosse diferente...). Enfim, eles desconstroem todo o comportamento do sujeito maligno e vilanizam todas suas características na segunda metade do filme, mostrando como além de destruir a nação, causando prejuízos incalculáveis, ele também pode destruir a vida das pessoas ao seu redor, no caso, causando crise conjugal no nosso herói protagonista.

Eu não me identifiquei nem um pouco com o filme, principalmente porque não simpatizo com nenhum dos lados. Nem russos, nem americanos. É cobra engolindo cobra. A imagem do “traidor” é criada para nós da mesma forma que o nosso protagonista a vê. A princípio, um homem severo, porém justo e religioso (ou seja, hipócrita e preconceituoso, que o moralismo deles adora. Há pior ofensa a alguém do que lhe chamar de religioso?), em seguida, quando a verdade da investigação é revelada, o homem começa a se modificar. Suas virtudes transformam-se em defeitos gravíssimos que o tornam uma pessoa desprezível, impossível de se conviver, e “merecedora” de qualquer punição. E para eles é claro que merece! Quem manda trair a terra das liberdades... Judas...

domingo, 2 de setembro de 2007

Mensagem subliminar ambiental

Nota: 8,0

Mais um episódio do interminável seriado de TV. Desde que me entendo por gente que Os Simpsons passam na tv. A novidade desta vez é que o episódio é mais longo e passa no cinema. Até o mala do Homer chama a gente de otário por pagar pra ver uma coisa que passa toda semana de graça na tv. Quando criança eu os via como um desenho sem graça, e hoje vejo com olhos diferentes. Com seu senso de humor fugindo do convencional, os Simpsons são aquela eterna crítica ao American Way of Life, e aquele povo é tão cego (pra não dizer outra coisa) que assiste, acha ótimo, mas não capta as críticas nas entrelinhas. Não se enxergam no espelho criado. Se bem que no Brasil é a mesma coisa. Roque Santeiro passou, repassou, trepassou, fez sucesso, e ninguém absorveu ou parou pra relacionar a realidade da novela com a realidade vivida por nós. Uma pena...


Aqui o episodio especial foca-se no tema do meio ambiente. Springfield está atolada na imundície e eles resolvem promover uma despoluição da cidade. Aí é que entra a família dinossauro. Homer resolve criar um porco, e esse porco evacua demais, pra soar mais elegante. Então ele resolve jogar os excrementos na lagoa recém despoluída da cidade, que fica mais poluída do que antes, e leva o governo americano a tomar uma medida drástica: interditar a cidade numa redoma de vidro ultra-resistente. Se o governo americano real fizesse isso mesmo, já pensou como seriam lindas as fotos da Terra tiradas por satélite? Os EUA estariam cheios de bolhinhas brilhando, refletindo a luz do Sol!


Uma história engraçada com um tema atual e importante, mas que as pessoas saem da sala de projeção e ignoram. Todo mundo gosta de se divertir, mas ninguém quer se preocupar com os temas sérios. Ainda mais americano que nem presta atenção nas coisas importantes que estão sendo passadas e nem o Tratado de Kyoto quer assinar. A frase é clichê, mas tem que ser dita: se cada um fizesse sua parte, poderíamos reverter esse quadro. Mas para um tema como esses, agir é muito mais importante (e eficiente) do que falar.

O doce veneno de Hollywood

Nota: 8,5

Americano odeia ler legenda. O que se faz quando se pretende que um bom filme seja conferido por público tão restritivo? Refilmá-lo com atores de língua inglesa, e quase sempre com “melhor aparência”, ou mais bonitos, como você preferir. Isso também aconteceu com o alemão Simplesmente Martha, que gerou este Sem Reservas. Outros casos conhecidos são Vanilla Sky, Os Infiltrados e até Betty, A Feia, que virou seriado de TV. Por fim, acabam levando crédito por uma produção que consegue atingir públicos muito mais amplos que os seus originais, que são apenas lembrados pelo pequeno grupo de pessoas que realmente se interessam por cinema.


A boa notícia é que esse remake é competente e bem produzido e bem interpretado. Catherine Zeta-Jones é a protagonista. Linda como sempre. Ela faz uma chef de cozinha que vê sua rotina quebrada quando tem que criar a sua sobrinha, a Abigail Breslin do Pequena Miss Sunshine, após a morte da irmã. Enquanto isso, ela tem que aprender a dividir o ambiente de trabalho com o Aaron Eckhart, de Obrigado Por Fumar, um outro chef com estilo bem diferente do seu. A direçào é do Scott Hicks, indicado ao Oscar em 1997 por Shine, Brilhante.


O filme vem sendo vendido com comédia, mas é um drama leve bem agradável de se ver. Ainda mais pra quem aprecia culinária, como eu. Catherine mostra um lado “ranzinza” diferente do de Chicago, que lhe deu o Oscar. Abigail novamente encantadora como em Pequena Miss Sunshine, mas dessa vez como menos impacto por ser um papel já feito e refeito inúmera vezes. E o Aaron dá vida ao filme, os toques de humor e simpatia que tornam o filme mais leve, Assim como Renée Zellweger fez no ótimo Cold Mountain. O filme perde um ponto por uns furos de comportamento que eu nem parei pra pensar muito pra não perder a boa impressão do filme, e claro, pela falta de originalidade. Copiar é sempre mais fácil...