segunda-feira, 16 de abril de 2007

Vestida Para Investigar

Nota: 6,5

Halle Berry parece que finalmente quebrou o feitiço. Depois de ter levado o Oscar em 2002, nunca mais conseguiu se engajar em um projeto interessante. E ter uma atuação razoável pra cinema também... A Estranha Perfeita não é nenhuma obra prima, nada novo, mas é um filme divertido. A grande maioria dos críticos desceu a lenha nesse filme, mas eu gostei. A história consegue prender a atenção durante todo o filme, apesar dos inúmeros furos. O filme ainda conta com a participação do Bruce Willis. Eu não o acho um bom ator, mas eu sempre gosto dos filmes dele. São excelentes entretenimentos, e além do mais, ele é carismático. A gente simpatiza com ele.


Halle faz uma jornalista que se frustra e pede demissão depois de um super furo de reportagem seu não ser publicado. Depois disso ela acaba se envolvendo em outro projeto. Com ajuda do seu amigo hacker Giovanni Ribisi (o irmão da Phoebe de Friends), ela começa a investigar o assassinato de uma antiga vizinha sua, pois todas as evidências do crime apontam para o Bruce Willis, um milionário dono de uma famosa agência de publicidade em Nova York.



O filme é um suspense policial daqueles que te não te dão sustos, mas te deixam na expectativa do que está por acontecer. Você fica torcendo o tempo inteiro. Mas tudo é muito previsível, não se surpreendam. A presença sempre estonteante da Halle é marcante, que está linda da ponta do cabelo ao dedo do pé, como de costume, só que um pouquinho mais dessa vez. É bom ver essa evolução da Halle. Ela passou de Miss World USA, a atração fatal de comédias frívolas, depois atração fatal de dramas frívolos, até se revelar uma boa atriz de verdade. Algo bem parecido com o que Sharon Stone e Charlize Theron passaram também. Se bem que depois do Oscar ela parece que tem feito o caminho inverso.


O final do filme é legal, mas é 100% previsível. E eu achei que se preocuparam demais em justificar cada mínimo detalhe para que a história fizesse sentido. Mas ainda assim não faz. Não que isso seja ruim, mas de certa forma, certas pessoas podem até se sentir com a inteligência menosprezada, até porque não h´pa nada demais que não se possa ser compreendido sem as tais justificativas.

Big Brother RDA

Nota: 8,0


Filme alemão que surpreendeu ao vencer Volver na premiação da Academia Européia e O Labirinto do Faúno no Oscar. Nunca ouvi falar em ninguém envolvido nesse filme, então não tenho nenhum dado sobre eles, mas como vivemos em uma era de acesso a informação, procurei na web e descobri o seguinte: O filme é dirigido e escrito por Florian Henckel von Donnersmarck, que faz sua estréia na direção. Ele já fez outros trabalhos na Alemanha também. Os nomes dos filmes são todos em alemão, como não poderiam deixar de ser, e eu não consigo identificar nenhum dos trabalhos. O filme é produzido pela dupla Quirin Berg e Max Wiedemann, que também já fizeram outros trabalhos juntos. Os atores principais são Martina Gedeck, Ulrich Mühe e Sebastian Koch. Você conhece algum deles? Eu também não. Muito prazer.

Bom, o filme fala sobre um casal de artistas, um escritor e uma atriz, que têm a vida espionada pelo governo da Alemanha Oriental por serem da direita opositora. Essa visão é bem estranha. Estamos acostumados a ver como o pessoal da direita são os conservadores e a esquerda é a minoria "intelectualizada", revolucionária e radical, mas nesse filme inverte tudo, pelo governo ser da esquerda comunista. O intuito da espionagem é descobrir qualquer movimento contra o governo feito pelo escritor, para que ele possa ser então banido.


Eu não tenho muito conhecimento de causa para argumentar, mas o filme me passou uma certa sensação de que os socialistas são endemoninhados (ou demonizados, sei lá) no filme. Uma visão da Alemanha capitalista atual da antiga República Democrática Alemã (que se desfez com a queda do Muro de Berlim). Tipo evangélico fazendo filme sobre Espiritismo ou Candomblé. Mas nunca se sabe ao certo como era a realidade da Europa Oriental, eles eram tão fechados para o mundo, mas o que se sabe é que a maioria da população por lá não era muito satisfeita com o excesso de limites impostos pelos governos socialistas, que se auto-intitulavam “Democráticos” , mas na verdade eram totalitários. Meio contraditório, não?



O final do filme é legal. Chega a ser emocionante nos últimos momentos. Não vou contar nada pra não estragar qualquer surpresa que o filme possa vir a ter para vocês como espectadores. Só achei que teve um furo cronológico bem no finalzinho do filme. Utilização de uma moeda incompatível para a época. Mas é um bom filme. Eu adoro filmes políticos, o ruim é que a gente fica muito suscetível à visão da realidade do roteirista e do diretor, que nem sempre são as mais apropriadas.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Uma bela noite para um exorcismo - Parte Final

Bem, esse texto demorou, mas é porque eu só queria fazer qualquer análise depois de assistir de novo a premiação, e eu só pude rever nesse final de semana. As minhas impressões basicamente continuam as mesmas de quando eu vi no dia. Então vamos começar:

Ellen DeGeneres apresentando. Eu não gostei muito não... Eu gostava mais da Whoopi e do Billy Crystal. Mas revendo eu até apreciei mais. Ela é esforçada. Começou com aquele exagero de conversa fiada dizendo que o sonho de quase todo mundo é ganhar um Oscar, e o dela era de apresentar um Oscar, mas logo ela engatou e disse que sem negros e gays não haveria Hollywood. Demorou pra falar algo “polêmico”... Pelo menos foi bem melhor que o Chris Rock em 2004, que só falava de artistas negros o tempo inteiro. Quando falou de um branco, foi do Jude Law e pra meter o pau. Depois levou um fora muito bem dado do Sean Penn. Pelo menos ele criticou o Bush em dado momento. Não lembro do comentário exatamente. Não sei se essa foi a cerimônia mais longa, mas foi a que eu achei mais demorada. Pareceu uma eternidade.

Al Gore e Leonardo DiCaprio vieram ao palco e fizeram o anúncio de algo tipo a “Academia Verde”, ou seja, que a Academia irá se engajar em campanhas ambientais. Como? Não me pergunte porque eu não sei... Tomara que seja algo substancial.
A piada da noite foi a Jennifer Hudson dizendo que estava extremamente surpresa, e que não esperava ganhar o seu prêmio de coadjuvante. Pobrezinha! Toda modesta. Depois da cerimônia, na entrevista coletiva, quando perguntada o que ela iria fazer com prêmio, ela respondeu que iria guardar junto com o BAFTA, o globo de ouro, o premio dos críticos, o prêmio dos jornalistas e o prêmio do sindicato. Imagine se ela esperasse ganhar! E na minha opinião ela nem merecia. Ela é melhor cantora (quando não berra) do que atriz. Duvido que ela consiga engatar uma sólida carreira de atriz daqui pra frente.
E as três estrelas do filme cantando as músicas de Dreamgirls? Uma gritaria da p****! Dava dor nos ouvidos. Um exagero. Só a Beyoncé se salvou. Celine Dion cantando um pouco antes, na homenagem ao compositor Ennio Morricone, humilhou as três, apesar da música ser um tantinho insossa. Falando em música, também achei pra lá de desnecessária aquela apresentação do Jack Black, WIll Ferrell e do John C. Reily logo no começo. Eles reclamavam que comediantes não eram reconhecidos pela Academia, e que qualquer dia eles iam levar um Oscar e a Helen Mirren, que estava muito “gostosa”, pra casa. Muito sem graça. Sabe aqueles momentos em que você se constrange e morre de vergonha pelo mico que os outros estão pagando? Esse foi um deles... Se bem que eles estavam ganhando uma bolada pelo King Kong. Até eu pagaria pela grana.... Vibrei com a vitória do Alan Arkin. Realmente ele é muito melhor ator que o Eddie Murphy, que ficou tão decepcionado com a derrota que deixou a cerimônia logo após a sua categoria. Isso é que eu chamo de espírito esportivo.

Pontos altos da noite:

- O filho do Will Smith, junto com a Abigail Breslin, querendo entregar um prêmio sem anunciar o outro vencedor antes. A Abgail, toda sem graça, teve que interrompê-lo pra poder fazer o anúncio. Deve ter sido ensaiado, mas ela fez tudo parecer espontâneo;

- A entrega do Oscar de figurino, desde a apresentação muito bem humorada das atrizes do Diabo veste Prada, até a exibição dos figurinos no palco, mas o resultado foi pífio;

- James Taylor cantando a música de Carros foi lindo. Adoro as músicas dele e o próprio estilo dele, bem simples, sem exageros e extremamente harmonioso. Uma paz;

- O coral de efeitos sonoros reproduzindo momentos marcantes da história do cinema também foi muito interessante;

- Os dançarinos nas sombras retratando os filmes indicados da noite também foi louvável. Muito bonito. Até a Ellen interagiu com eles.

A vitória de “Os Infiltrados” para mim era pra lá de esperada e merecida, mas quase todo mundo já esperava por qualquer resultado. Se bem que quem entregou o prêmio foi o Jack Nicholson (numa versão careca quase irreconhecível), e cada vez que ela entrega um Oscar, sempre é um desmantelo! É Gwyneth Paltrow, é Crash, e por aí vai... Então eu até prendi a respiração. Será que urucubaca iria persistir? Será que A Rainha ou Clint Eastwood poderiam ganhar? Mas a maldição foi quebrada, ainda bem! Tirando essa “surpresa”, de resto não houve muitas. Talvez Happy Feet ter ganho o prêmio de melhor animação tenha sido meio que uma zebra.

Nenhum discurso polêmico ou memorável. Helen Mirren (em seu papel pra lá de sem graça) e Forest Whitaker (mais coadjuvante do que protagonista) levaram o seus esperados Oscars. Scorsese finalmente levou seu pra casa e foi ovacionado pelo público presente. Ele realmente mereceu. E ainda merece levar mais outro daqui pra frente. Os prêmios de roteiro foram muito bem entregues pros roteiristas de “Os Infiltrados” e “Pequena Miss Sunshine”. O argentino Gustavo Santaolalla ganhou o prêmio de Trilha Sonora de novo por Babel. Ano passado sua vitória foi justíssima pela trilha de Brokeback Mountain, mas esse ano eu não concordei muito não.

Por fim foi uma cerimônia melhor que a do ano passado. Sem surpresas desagradáveis. Tinha até mais gente bonita. A Reese Witherspoon estava linda demais! A mulher mais bonita da noite. O divórcio faz bem as atrizes hollywoodianas. Nicole Kidman que o diga. Já a Penélope Cruz voltou a ter aquela cara de periquito de sempre. Estava tão linda no filme... Uma pena!

segunda-feira, 2 de abril de 2007

ZZZZZZZZZZZZ........

Nota: 6,0

Mais um filme baseado nos quadrinhos do Frank Miller. Sin City é tão ruim que eu não agüentei ver mais de 30 minutos, nem sei sobre o que a história é sobre, e tinha a sensação que com 300 não seria diferente. Mas até que me enganei, deu até pra dormir um pouco e não perder nada, porque esse filme não tem conteúdo algum, quase ¾ dele são de cenas de guerra. É braço voando, cabeça rolando, perna decepando, sangue jorrando, sem contar na quantidade interminável de criatura asquerosa que tem nesse filme. Até o Corcunda de Notre Dame faz uma ponta nele. Aí, como designer, me restou apreciar a parte técnica do filme que é impecável. A fotografia então é um show à parte, mas o roteiro... Eu pensava o tempo inteiro: tanto dinheiro gasto e não acontece nada nesse filme...



O filme em si é sobre a invasão Persa em Esparta. Os espartanos, liderados pelo seu rei Leônidas, o Gerard Butler do excepcional “Querido Frankie”, não se rendem e vão à luta com um exército de apenas 300 soldados, para enfrentar o mega exército do rei-Deus Xerxes, que não é nada mais, nada menos que a legítima drag queen da Antigüidade, a própria Priscila, rainha do deserto de Dasht-e-Kavir, e é interpretado pelo Rodrigo Santoro. A primeira cena do Rodrigo é hilária. Quando ele coloca a mão no ombro do Gerard falando do chicote dele, é de rolar de rir. O cinema veio abaixo nessa hora. E por causa do calor também. Acho que o ar condicionado estava quebrado. A gente suava mais que os descamisados espartanos em luta. E cá pra nós, os 300 de Esparta valem mais que 10000 persas. Cada um deles matava 5 com um golpe só. E além disso, eu nunca vi tanto abdômen definido junto na minha vida. Os espartanos iriam lucrar bem mais se esquecessem essas histórias de guerra e abrissem uma lavanderia. Tanque era o que não faltava ali. Todos maquiados, claro. Altamente homoerótico. Mas também, como nada é perfeito, a burrice ali comia solta. Aquele povo tinha um amendoim na cabeça. Nunca vi povo pra conversar tanta abobrinha. E olha que o filme tem pouco diálogo...



O final deixou bem claro que vai ter seqüência. É o novo Senhor dos Anéis. Só resta ver se vai levar Oscar também. Se sim, a Academia realmente vai provar que está descendo o nível de qualidade consideravelmente. Mas pelo menos ele merece alguns prêmios técnicos. O bom do filme é que o grande público adora ver esses blockbusters, o que acaba sendo um excelente trampolim pro Rodrigo Santoro, que é excelente ator e não merece ser reduzido a essas besteiras, e deve abrir muitas portas pra ele. E ele tem feito tudo direitinho, apareceu rapidamente em As Panteras, só pra marcar presença e não queimar o filme, fez o comercial caríssimo do Channel No. 5 com a Nicole Kidman, entrou no elenco principal do Lost, um dos programas de TV mais vistos no mundo, e agora participa essa mega produção. Em breve ele deve estar marcando presença em grandes filmes.

Viajando na maionese

Nota: 6,0

Jim Carrey mais uma fez foge das comédias e faz um filme mais sério. Dessa vez, Número 23 é o nome dele, que ainda conta com a Virginia Madsen no elenco. É dirigido pelo já veterano Joel Schumacher, que fez a porcaria O Fantasma da Ópera, Por Um Fio, com o Colin Farrell e Em Má Companhia. O roteiro é assinado pelo estreante Fernley Phillips. No filme, Jim faz um cara que trabalha numa carrocinha e no dia do seu aniversário é mordido por um cão e tem que perseguir o cachorro pela cidade pra poder capturá-lo, o que o leva a se atrasar para um encontro que ele tinha marcado com a sua esposa, a Virginia, que fez Firewall e Sideways. Como ele demora, ela acaba entrando numa livraria e acaba comprando um livro pra ele, chamado Número 23. As histórias narradas no livro o deixam altamente intrigado e ele acaba se identificando com elas, fazendo associações com delas com a sua vida, com sua mulher, seu filho, as pessoas ao seu redor, e fica decifrando mensagens na entrelinhas como se o livro fosse uma grande pista de algo, ficando num estado de paranóia elevadíssimo.



Dizer a origem do título do filme acabaria estragando um pouco uma das poucas “surpresas” do filme, mas até que faz algum sentido. O filme em si é sobre a paranóia, sobre desequilíbrio mental, o que na minha opinião é bem mais assustador do que qualquer espírito, monstro assassino ou demônio, mas a história é muito superficial, não sei bem se mal escrita, mas é mal direcionada. Poderia ter tomado outros rumos que tornaria tudo muito mais interessante, e quem sabe até em um bom filme de suspense, mas não, fica no suspense meia-boca, como tem de rodo por aí. Os adolescentes vão adorar. Adolescente adora filmes de terror, suspense, mesmo quando não entende o final, como em O Sexto Sentido, esse sim um bom suspense. O final é pra lá de previsível, totalmente inverossímil e um tanto moralista. Dá até pra distrair, mas é esquecível. Quando será que teremos de novo suspenses como os de Hitchcock?

Um sem razão, a outra sem juízo

Nota: 8,0

Depois de Match Point, parecia que Woody Allen tinha mudado de fase, com um filme mais denso, enveredando-se pelo drama, mas Scoop veio pra provar o contrário. O filme foi dilacerado pela crítica, mas não sei bem porque. Não é um filme ruim. É uma comédia leve, com o humor peculiar do Woody Allen, e que tem sempre aquelas piadas sem graça, mas que pelo menos não incomodam, nem constrangem.

O filme narra uma jornalista totalmente estabanada chamada Sondra, interpretada pela sempre linda Scarlett Johansson, que vive tentando escrever aquele furo de reportagem, aquela matéria sensacional, mas... Num dia desses, ela vai a um show de um mágico americano, o Woody Allen, no caso, fazendo o mesmo papel de lesado que ele sempre faz em seus filmes, e ela acaba sendo voluntária em um de seus números. É nesse momento que ela recebe a visita de um espírito, o Ian McShane, do seriado Deadwood, que lhe revela o nome do serial killer que está atacando no momento em Londres. Esse é o Scoop, ou o grande furo do título do filme. Intrigada com a revelação, ela acaba tentando investigar o caso, com ajuda do Woody, ou seja, a dupla dinâmica, Boneca e Jamanta. Os dois juntos são de uma demência sem tamanho. Overdose de estupidez.


A pista dada pelo Penadinho acaba levando os dois até o Hugh Jackman, mais conhecido como Wolverine do X-Men, que faz parte da mais alta sociedade londrina. Só que a topeira da Scarlett acaba se apaixonando pelo homem, antes mesmo de averiguar a veracidade dos fatos. Aí já viu né, dificultou tudo... No terço final do filme parece que ele vai se encaminhando para ter um final igualzinho ao do Match Point, o que levaria o filme a nada na minha conceituação, mas, porém, entretanto, todavia, ele dá uma viradinha e se salva do afogamento. Literalmente...

Enfim, o filme é um bom entretenimento, é engraçadinho, mostra peculiaridades do povo britânico, é bem dirigido, bem interpretado (com exceção do Woody, que é um bom produtor, muito bom roteirista e excelente diretor, mas como ator é execrável), e tem até uma liçãozinha de moral no fim, mas não é nada demais. Woody já fez coisas melhores, mas até mesmo um filme fraco do Woody consegue ser bem acima da média das besteiras que arrecadam milhões por aí afora.