domingo, 2 de setembro de 2007

O doce veneno de Hollywood

Nota: 8,5

Americano odeia ler legenda. O que se faz quando se pretende que um bom filme seja conferido por público tão restritivo? Refilmá-lo com atores de língua inglesa, e quase sempre com “melhor aparência”, ou mais bonitos, como você preferir. Isso também aconteceu com o alemão Simplesmente Martha, que gerou este Sem Reservas. Outros casos conhecidos são Vanilla Sky, Os Infiltrados e até Betty, A Feia, que virou seriado de TV. Por fim, acabam levando crédito por uma produção que consegue atingir públicos muito mais amplos que os seus originais, que são apenas lembrados pelo pequeno grupo de pessoas que realmente se interessam por cinema.


A boa notícia é que esse remake é competente e bem produzido e bem interpretado. Catherine Zeta-Jones é a protagonista. Linda como sempre. Ela faz uma chef de cozinha que vê sua rotina quebrada quando tem que criar a sua sobrinha, a Abigail Breslin do Pequena Miss Sunshine, após a morte da irmã. Enquanto isso, ela tem que aprender a dividir o ambiente de trabalho com o Aaron Eckhart, de Obrigado Por Fumar, um outro chef com estilo bem diferente do seu. A direçào é do Scott Hicks, indicado ao Oscar em 1997 por Shine, Brilhante.


O filme vem sendo vendido com comédia, mas é um drama leve bem agradável de se ver. Ainda mais pra quem aprecia culinária, como eu. Catherine mostra um lado “ranzinza” diferente do de Chicago, que lhe deu o Oscar. Abigail novamente encantadora como em Pequena Miss Sunshine, mas dessa vez como menos impacto por ser um papel já feito e refeito inúmera vezes. E o Aaron dá vida ao filme, os toques de humor e simpatia que tornam o filme mais leve, Assim como Renée Zellweger fez no ótimo Cold Mountain. O filme perde um ponto por uns furos de comportamento que eu nem parei pra pensar muito pra não perder a boa impressão do filme, e claro, pela falta de originalidade. Copiar é sempre mais fácil...

2 comentários:

  1. meu lema: NUNCA assisto remake de filme estrangeiro. é um desprestígio com a criatividade e cultura de pessoas que não possuem uma indústria cultural do porte de hollywood. Não vejo, não vejo e não vejo. Nem importa se é bom, ótimo, ruim ou mais ou menos. Porque se a obra original é boa (já teve um reconhecimento prévio), com a estrutura e a grana volumosa que eles tem fazer um filme ruim seria praticamente um milagre. Eu não vejo. E eles podem pegar a 'boa aparência' (ah, pq são os eua que definem o que é padrão de beleza no mundo, agora pronto!) e comer com farinha. Autenticidade não tem preço.

    ResponderExcluir