quinta-feira, 24 de maio de 2007

Remember My Name

Nota: 9,5

Eu já tinha visto esse filme antes, mas não tinha dado a ele o valor que ele merecia. Talvez porque eu não tinha cabeça ainda pra entendê-lo devidamente. Fama é um clássico dos anos 80 que fez um enorme sucesso e acabou virando seriado de TV e peça off-Broadway. O filme é dirigido pelo Alan Parker, um diretor inglês que eu gosto muito. Ele tem no currículo filmes ótimos como Mississippi em Chamas, The Commitments, Coração Satânico e A Vida de David Gale. Entretanto os mais famosos são:

Evita, que os críticos detestaram, mas eu adorei. A falta de diálogos não me incomodou nem um pouco. As músicas são excelentes, a história é boa e as interpretações muito convincentes. Até Madonna funcionou como atriz dessa vez;
O estranhíssimo The Wall do Pink Floyd, que é o auge da depressão. Nem David Lynch chegou a esse extremo;

E, como ninguém é perfeito, O Expresso da Meia-Noite. Traficante merece toda e qualquer punição, mas se ele for americano em país estrangeiro merece fuga espetacular e uma volta para casa como herói. A trilha sonora de Giorgio Moroder pra esse filme foi uma das coisas que mais me amedrontaram na infância e até hoje eu não gosto de ouvir.


Em Fama, Alan mostra uma de suas principais características, que é trabalhar com elenco jovem. Nesse filme, que mostra um grupo de jovens durante o tempo em que estudaram na escola de artes de Nova York, ele escolheu trabalhar não com atores, mas com jovens que tivessem talento para as atividades que suas personagens fossem fazer. Isso é tão claro que nenhum deles hoje em dia é ator famoso e eu nem sei mais nenhum filme em que eles tinham atuado. Talvez o maior destaque deles seja a Irene Cara, que fez sucesso como cantora nos anos 80, ganhou alguns Grammys e até levou um Oscar de canção pela sua co-autoria da inesquecível Flashdance... What a Feeling. Uma curiosidade é que a Madonna fez testes para esse filme. Não foi aceita...


O filme mostra muito visivelmente o quão árduo é o caminho pra se chegar ao sucesso no meio artístico. E isso é só uma perspectiva deles como estudantes na escola, nem chegamos a vê-los se projetando como profissionais ainda. A melhor frase que define tudo isso é proferida pelo professor de teatro, que é a seguinte: Só o talento não é suficiente. É necessário ter um bom agente, muito trabalho e uma boa dose de sorte. Na verdade a temática do filme é muito semelhante a do Cidade dos Sonhos do David Lynch, mas Fama é muito mais cativante e claro no propósito de passar a sua mensagem.



Enfim, hoje em dia eu gosto muito do filme e por ser musical não fica repetitivo vê-lo e revê-lo. O final é apoteótico, mesmo com todos eles sabendo de todas as dificuldades que terão adiante. A cena de Out Here On My Own é de uma sutileza e simplicidade tocantes. Muito bonita. A música, então, é linda. O teste da Doris Finsecker também é muito legal. Outra que gosto muito é a cena da canção que dá título ao filme. Tudo bem que todos aqueles jovens dançando na rua e parando o trânsito é um tanto surreal, mas sendo todos eles estudantes de artes performáticas isso até que seria possível.

2 comentários:

  1. Esse filme é lindinho. Se não me engano o ‘galego’ aí da foto é o Ron Howard, diretor de cinema que fez ‘Uma mente brilhante’, entre outros... ele tb tava na série de TV. Gosto de fama, apesar da mensagem ser ingênua, faz a gente balançar o esqueleto e é o que importa. Agora, uma pergunta: se eu vendesse maconha vc acha que eu devia ser esquertejada? Fiquei com medo essa sua frase aí, sobre os traficantes. Há muitos tipos de traficantes, os que ganham com isso estão nas bahamas, lavando dinheiro, os moleques de 15 anos das favelas são os que estão morrendo (ai não resisti, eu sou uó com essa coisa de politicamente correto, sorry).

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  2. O galego não é o Ron Howard. É o Paul McCrane, que canta Is It Okay if I Call You Mine, uma música linda, mas bem deprê.

    Na verdade o comentário sobre os traficantes, eu apenas descrevi como o filme trata o criminoso. Como ele é americano, somos obrigados a torcer por ele e no fim das contas ele é visto como herói, quando na verdade é uma pessoa que tentou sair do país com haxixe. Heróico não?

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