terça-feira, 10 de abril de 2007

Uma bela noite para um exorcismo - Parte Final

Bem, esse texto demorou, mas é porque eu só queria fazer qualquer análise depois de assistir de novo a premiação, e eu só pude rever nesse final de semana. As minhas impressões basicamente continuam as mesmas de quando eu vi no dia. Então vamos começar:

Ellen DeGeneres apresentando. Eu não gostei muito não... Eu gostava mais da Whoopi e do Billy Crystal. Mas revendo eu até apreciei mais. Ela é esforçada. Começou com aquele exagero de conversa fiada dizendo que o sonho de quase todo mundo é ganhar um Oscar, e o dela era de apresentar um Oscar, mas logo ela engatou e disse que sem negros e gays não haveria Hollywood. Demorou pra falar algo “polêmico”... Pelo menos foi bem melhor que o Chris Rock em 2004, que só falava de artistas negros o tempo inteiro. Quando falou de um branco, foi do Jude Law e pra meter o pau. Depois levou um fora muito bem dado do Sean Penn. Pelo menos ele criticou o Bush em dado momento. Não lembro do comentário exatamente. Não sei se essa foi a cerimônia mais longa, mas foi a que eu achei mais demorada. Pareceu uma eternidade.

Al Gore e Leonardo DiCaprio vieram ao palco e fizeram o anúncio de algo tipo a “Academia Verde”, ou seja, que a Academia irá se engajar em campanhas ambientais. Como? Não me pergunte porque eu não sei... Tomara que seja algo substancial.
A piada da noite foi a Jennifer Hudson dizendo que estava extremamente surpresa, e que não esperava ganhar o seu prêmio de coadjuvante. Pobrezinha! Toda modesta. Depois da cerimônia, na entrevista coletiva, quando perguntada o que ela iria fazer com prêmio, ela respondeu que iria guardar junto com o BAFTA, o globo de ouro, o premio dos críticos, o prêmio dos jornalistas e o prêmio do sindicato. Imagine se ela esperasse ganhar! E na minha opinião ela nem merecia. Ela é melhor cantora (quando não berra) do que atriz. Duvido que ela consiga engatar uma sólida carreira de atriz daqui pra frente.
E as três estrelas do filme cantando as músicas de Dreamgirls? Uma gritaria da p****! Dava dor nos ouvidos. Um exagero. Só a Beyoncé se salvou. Celine Dion cantando um pouco antes, na homenagem ao compositor Ennio Morricone, humilhou as três, apesar da música ser um tantinho insossa. Falando em música, também achei pra lá de desnecessária aquela apresentação do Jack Black, WIll Ferrell e do John C. Reily logo no começo. Eles reclamavam que comediantes não eram reconhecidos pela Academia, e que qualquer dia eles iam levar um Oscar e a Helen Mirren, que estava muito “gostosa”, pra casa. Muito sem graça. Sabe aqueles momentos em que você se constrange e morre de vergonha pelo mico que os outros estão pagando? Esse foi um deles... Se bem que eles estavam ganhando uma bolada pelo King Kong. Até eu pagaria pela grana.... Vibrei com a vitória do Alan Arkin. Realmente ele é muito melhor ator que o Eddie Murphy, que ficou tão decepcionado com a derrota que deixou a cerimônia logo após a sua categoria. Isso é que eu chamo de espírito esportivo.

Pontos altos da noite:

- O filho do Will Smith, junto com a Abigail Breslin, querendo entregar um prêmio sem anunciar o outro vencedor antes. A Abgail, toda sem graça, teve que interrompê-lo pra poder fazer o anúncio. Deve ter sido ensaiado, mas ela fez tudo parecer espontâneo;

- A entrega do Oscar de figurino, desde a apresentação muito bem humorada das atrizes do Diabo veste Prada, até a exibição dos figurinos no palco, mas o resultado foi pífio;

- James Taylor cantando a música de Carros foi lindo. Adoro as músicas dele e o próprio estilo dele, bem simples, sem exageros e extremamente harmonioso. Uma paz;

- O coral de efeitos sonoros reproduzindo momentos marcantes da história do cinema também foi muito interessante;

- Os dançarinos nas sombras retratando os filmes indicados da noite também foi louvável. Muito bonito. Até a Ellen interagiu com eles.

A vitória de “Os Infiltrados” para mim era pra lá de esperada e merecida, mas quase todo mundo já esperava por qualquer resultado. Se bem que quem entregou o prêmio foi o Jack Nicholson (numa versão careca quase irreconhecível), e cada vez que ela entrega um Oscar, sempre é um desmantelo! É Gwyneth Paltrow, é Crash, e por aí vai... Então eu até prendi a respiração. Será que urucubaca iria persistir? Será que A Rainha ou Clint Eastwood poderiam ganhar? Mas a maldição foi quebrada, ainda bem! Tirando essa “surpresa”, de resto não houve muitas. Talvez Happy Feet ter ganho o prêmio de melhor animação tenha sido meio que uma zebra.

Nenhum discurso polêmico ou memorável. Helen Mirren (em seu papel pra lá de sem graça) e Forest Whitaker (mais coadjuvante do que protagonista) levaram o seus esperados Oscars. Scorsese finalmente levou seu pra casa e foi ovacionado pelo público presente. Ele realmente mereceu. E ainda merece levar mais outro daqui pra frente. Os prêmios de roteiro foram muito bem entregues pros roteiristas de “Os Infiltrados” e “Pequena Miss Sunshine”. O argentino Gustavo Santaolalla ganhou o prêmio de Trilha Sonora de novo por Babel. Ano passado sua vitória foi justíssima pela trilha de Brokeback Mountain, mas esse ano eu não concordei muito não.

Por fim foi uma cerimônia melhor que a do ano passado. Sem surpresas desagradáveis. Tinha até mais gente bonita. A Reese Witherspoon estava linda demais! A mulher mais bonita da noite. O divórcio faz bem as atrizes hollywoodianas. Nicole Kidman que o diga. Já a Penélope Cruz voltou a ter aquela cara de periquito de sempre. Estava tão linda no filme... Uma pena!

2 comentários:

  1. gostei das observações. acho que o divórcio faz bem às mulheres em geral. Só não gostei do que disse da Penélope, minha musa mor. beijoooo.

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  2. Bem, vou me ater à música, que é do que eu entendo melhor.
    Eu prefiro mil vezes a J-Hu e sua incrível modéstia forçada à Bundancê. Por algum motivo, eu nunca acredito no que ela canta, e o fato de Jennifer sempre se rasgar no palco praticamente me força a ver que ela sente algo de verdade - nem que seja dor de barriga.
    E a Celine realmente foi oshow de interpretação...
    Mas nada apaga as "vitórias verdes" do Al Gore. Aquilo , sim, foram pontos altíssimos!

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