quarta-feira, 14 de março de 2007

Promoção de comédia enlatada no mercadinho da Dona Zefinha

Nota: 7,0

Eu me pergunto o que motiva uma pessoa a se tornar um ator. Eu acredito que seja a possibilidade de incorporar diferentes personalidades, passar para as pessoas belas mensagens e algum dia ser lembrado por aquela excepcional performance, por aquela personagem tão encantador, seja ele um Forrest Gump, uma Scarlet O’Hara, um Ennis Del Mar, um Jack Sparrow ou Jack do Titanic ou um Hannibal Lecter. Tudo isso para citar a Drew Barrymore. Ela que veio da tradicional família Barrymore de Hollywood, tendo parentes como Ethel e John Barrymore, foi criança prodígio atuando em ET, virou adolescente-problema, metida com drogas, superou a fase e se tornou atriz e produtora de sucesso. Só que ela já passou dos 30 e só faz comédias românticas tolas, como Letra e Música, que ninguém lembra mais o nome delas depois de dois meses. Mesmo mal assola Hugh Grant, mas pelo menos ele fez comédias mais interessantes e bem feitas, que nos fazem lembrar dos seus nomes e dele, por conseqüência, como os ótimos Quatro Casamentos e um Funeral, Um Lugar Chamado Notting Hill e O Diário de Bridget Jones, diferente da Drew, que a gente lembra dela, mas não lembra de nada que ela tenha feito. Carisma os dois têm, o Hugh tem talento, a Drew eu não sei dizer, só falta se engajarem em projetos mais interessantes. Não há problema com comédias, elas podem ser extremamente atrativas e inteligentes também, como Melhor É Impossível, Pequena Miss Sunshine e Eleição.


Mas sabe que eu adorei esse filme. Por dois motivos. O primeiro é porque eu adoro os anos 80. Desde a estética kitsch, as músicas, as bandas, os filmes, as minhas recordações da infância como brinquedos, desenhos animados, doces, propagandas, até o contexto político-social da década (excluindo o do Brasil, que foi uma merda pra variar...). E o segundo é pelas músicas do filme. São ótimas. Só o vídeo clipe do início do filme já reúne tudo isso que eu citei e já vale o ingresso. Eu até saí do cinema cantando:

“...Pop (Pop!),
Goes my heart ,
Pop goes my heart...”

Com exceção de "Pop Goes My Heart", as músicas do filme são de autoria do Adam Schlesinger, que fez também a excelente "That Thing You Do", a música do filme The Wonders, que lhe valeu uma indicação ao Oscar. "Pop" e o tema romântico do filme, "Way Back Into Love", foram cotadas pras premiações mas não chegaram a ser indicadas. São ambas ótimas. "Way Back Into Love" é mais popular, mas "Pop" é a cara do filme. Quase todo mundo que eu conheço adora That Thing You Do, mas se Pop Goes My Heart vai chegar ao mesmo nível de popularidade só o tempo dirá. Eu não faço a mínima idéia. Mas já gosto bastante de ambas. São melhores dos que as cinco canções indicadas ao Oscar desse ano.

Já falei demais e não falei nada do filme né? Pois é. O filme é escrito e dirigido por Marc Lawrence, que fez Miss Simpatia 1 e 2, e é sobre o Hugh, que é um astro pop dos anos 80 que caiu no ostracismo com a dissolução da sua banda, mas surge a oportunidade de escrever uma canção pra sensação pop do momento, a vazia e insípida Cora, interpretada pela aspirante à estrela Hayley Bennett, que canta coisas como “É com um bom bumbum que se conquista um namorado”. É uma crítica visível a cantoras como Britney, Christina e Jessica Simpson. Nâo concrodei muito com essas críticas. É uma visão muito unilateral da indústria fonográfica e esquece o lado humano dessas artistas. O problema é que o Hugh só é bom com melodia, ele precisa de alguém que escreva uma boa letra, e é aí que entra a Drew, que é quem cuida das plantas do ap dele. Ele descobre nela uma grande poetisa e a convence a trabalhar nesse projeto junto com ele. O final eu não preciso nem dizer né? Ta escrito nas estrelas. Mas eu me diverti. A história é pobre, as personagens mal feitas, mas dá pra rir, e como eu já disse, só a música já vale a pena.

Um comentário:

  1. Ai, pra quê tanto juízo de valor?
    Eu acho a Drew uma luz, sabia? Ela é inesquecível para mim apenas por ser a Drew - linda, alto astral, autêntica, não-siliconada. prefiro ela, que assume que gosta de fazer comédias tolas e água-com-açucar do que essas atrizes que forçam a barra fazendo papéis 'difíceis' apenas para incrementar o currículo, e, quem sabe, num vacilo, ganhar um prêmio destes (tipo a Nicole Kidman - que eu acho excelente atriz, mas está muito melhor em Moulin Rouge que em 'As horas', com aquela voz arfejante e aquele nariz ridículo. A Drew é muito segura de si para pagar um mico desses. E o Hugh, bom, o cara é já uma lenda viva das comédias românticas, ninguém faz tão bem quanto ele. De resto, concordo com tudo e amei o filme – só o videoclipe já vale o ingresso. Beijo!

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