quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

O Sonho ainda não acabou, mas só tem de goiabada

Nota: 8,0

Devo confessar que estava curioso que pra ver esse filme. Desde Courtney Love no divertidíssimo O Povo Contra Larry Flynt que não vemos uma cantora se dar tão bem nas telas. Só de aparecer no cartaz do filme, Mariah Carey, Madonna ou Britney Spears já são esculachadas. Fez até Christina Aguilera desistir de tentar uma incursão no meio também. E Beyoncé conseguiu conquistar a simpatia da crítica e até uma indicação ao Globo de Ouro. Se bem que ela já tinha feito alguns filmes. Porcarias como A Pantera Cor-de-Rosa e Austin Powers: O Homem do Membro de Ouro. Mas não só por isso: quem me conhece sabe que eu adoro o American Idol, e a Jennifer Hudson tem sido elogiadíssima por sua participação nesse filme. Ela era a gorda brega e chorona da terceira temporada, que acabou entrando entre os finalistas na repescagem e foi eliminada numa noite “chocante” para os americanos, em que as três melhores candidatas, segundo eles, foram as menos votadas da semana. Ela tem uma voz forte, canta muito bem e é muito carismática. Mas não no filme...


Dreamgirls é dirigido, produzido e adaptado para as telas por Bill Condon (do ótimo Kinsey e do estranho Deuses e Monstros). É uma adaptação da peça da Broadway homônima, que está em cartaz desde 1981. A história do filme é basicamente sobre as Supremes (mas não a história toda), e a Beyoncé era pra representar a Diana Ross. O resultado não foi bom. Não culpa dela, mas sim do roteiro. Ela não lembra a Diana nem de longe. O comportamento da personagem era bem diferente do da Diana, que todos sabem que era extremamente temperamental e caprichosa, e cá entre nós, é pra lá de feia. Já a Beyoncé é linda desde a ponta do cabelo pixaim até o dedão do pé. Ô mulher bonita! Até de peruca ela encanta. E no filme ela é um doce, bem como a June Carter da Reese Witherspoon em Johnny e June. A reconstrução da época é perfeita, e vemos até grupos famosos aparecerem, mas com pseudônimos, como os Jackson 5.


Bom, o filme é sobre um trio de amigas, Beyoncé (que dispensa apresentações), Jennifer Hudson (que faz suas estréia no cinema) e Anika Noni Rose, que querem chegar ao estrelato como um grupo de cantoras. Elas conseguem seu primeiro passo se associar a Jamie Foxx (Ray e Colateral), um empresário em busca do sucesso, que as encaixa como backing vocals do sempre canastrão Eddie Murphy (Dr. Dolittle, Um Tira da Pesada, etc.). Em seguida, ele dispensa o Eddie e as lança como um grupo, mas troca a cantora principal do trio, o que causa os conflitos do filme.

Eu me diverti com o filme. As músicas são ótimas. Sabe aquelas músicas que te fazem bater palmas e balançar a cabeça que nem catenga (lagartixa)? São essas. Bem estilo Motown, bem anos 60, como não poderia deixar de ser. Mas eles encaixaram no filme uma música da Beyoncé chamada Listen, que destoa das demais, e que provavelmente entrou lá pra poder a concorrer a prêmios.



Tudo é muito divertido. A parte técnica é impecável. Excelentes cenários, figurinos e perucas de fazer a Cher se morder de inveja. Tudo muito bonito. Até o Eddie usava peruca. Parecia uma mistura de Prince com James Brown e o Planeta dos Macacos. Hilário! As mulheres, então, mudavam de penteado a cada 5 minutos, que nem a Michelle Pfeiffer em Íntimo e Pessoal.


Mas é um musical. E quiseram meter música em tudo, o que pra mim era desnecessário. Já tinha música em todos os lugares, nas apresentações, nas gravações, no rádio, na TV... Eles deveriam ter deixado todos diálogos falados mesmo. Dava até mais chance dos artistas interpretarem mais. A maioria deles já canta na maior parte do tempo mesmo... Uma discussão lá pela metade do filme, foi toda cantada, e perdeu a chance de ser, de longe, a melhor cena da produção.


O resultado é bem legal. Não é tão bom e sarcástico como Chicago, mas é divertido. Outra coisa que eu senti no filme é que a gente tem uma dificuldade de encontrar o protagonista no filme. A Beyoncé é tida como protagonista, acho que pra vender mais o filme. Mas a Jennifer Hudson é até mais fundamental na história do que ela. Mas talvez o principal seja o Jamie Foxx... Enfim! O filme acabou de levar três Globos de Ouro. Melhor filme Comédia ou Musical, Melhor Ator Coadjuvante pro Eddie, e Melhor Atriz Coadjuvante pra Jennifer. Eu não teria dado nenhum dos três prêmios, mas só o Eddie que eu achei realmente injusto ter levado. Brad Pitt em Babel e o Jack Nicholson em Os Infiltrados eram bem superiores, não só nos seus filmes, mas em talento também. Nos demais prêmios eu teria escolhido a Rinko Kikuchi em Babel e o filme seria Pequena Miss Sunhine, que tem muito mais a ser passado do que simplesmente divertir, que é o caso de Dreamgirls.

6 comentários:

  1. mal vejo a hora de bater palmas e balançar a cabeça que nem catenga (!). Huahuahauhauhauahuahau. beijos.

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  2. Pelo que tinha visto achei que o filme era bem fraco, mas gostei dos comentários. Parece interessante, vou conferir o filme!

    PS. Realmente Eddie Murphy bater Jack Nicholson e B. Pitt... piada!

    Tchê - Gleifer

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  3. Bem, como sou rato de musical, estarei na porta do cinema esperando...

    Tom

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  4. O principal problema do filme, quanto a mim, é não maturar certos e determinados momentos, alguns passam depressa demais e a narrativa atropela-se.

    Roberto Simões
    CINEROAD.blogspot.com

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    Respostas
    1. O filme fica no superficial o tempo inteiro. Disso eu lembro. É uma falha tanto do musical quanto do filme, e a resolução surge do nada, meio que fácil demais. No final me pareceu mais uma desculpa pra colocar todas essas canções juntas nua obra só.

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