quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

E no Reino Animal...

Nota: 9,0

Estava ansioso pra ver esse filme. Trata-se de Pecados Íntimos, ou Little Children, seu título original. Na verdade, eu passei o filme tentando entender qual dos dois títulos era o mais apropriado pro filme, e eu achava que o titulo original só combinava com uma das histórias do filme, mas no fim, eu terminei concluindo que qualquer dos títulos explicava bem o contexto geral do filme. O filme é mais um dos grandes da temporada, tem quatro indicações ao Globo de Ouro (Filme/Drama, Ator/Drama, Atriz/Drama e Roteiro), duas ao prêmio do sindicato (Atriz e Ator Coadjuvante) e três ao prêmio dos críticos (Filme, Atriz e Roteiro). Vamos ao filme.

O roteiro é baseado no romance de Tom Perrotta e é adaptado pelo mesmo para as telas. O filme se foca em três histórias distintas, entrelaçadas, mas não tão gritantes e díspares umas das outras como as de Babel, por exemplo. A primeira é sobre Kate Winslet (Titanic e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças), uma mulher frustrada com seu casamento que vive pela filha, e acaba conhecendo Patrick Wilson (Angels in America e Menina Má.com), um advogado que não consegue passar no exame da Ordem, vive pra cuidar do filho e é sustentado pela mulher, a sempre lindíssima Jennifer Connelly (Diamante de Sangue e Uma Mente Brilhante), uma cineasta; A segunda, é sobre Jackie Earle Haley, um molestador de menores que foi solto da prisão, vive na mesma vizinhança e come o pão que o diabo amassou na mão dos vizinhos; A terceira é sobre Noah Emmerich, um policial babaca que vive frustrado porque teve que se aposentar.

No começo, o filme tem duas cenas hilárias. Mas depois, ele descamba pro drama mesmo. Bem denso e profundo. E envolvente. Pelo menos eu fiquei curioso. A gente prende nossa atenção e aguarda ansiosamente pelo o que está pra acontecer. Muitas cenas são surpreendentes. Eu até diria chocantes, para a maioria das pessoas, mas eu não me choco tão facilmente. É um filme sobre a natureza humana em si. Como, mesmo se tentarmos, não podemos fugir muito do que somos, do nosso instinto.

A única coisa no filme que não me agradou muito foi a narração. Achei desnecessária. Parece narração de documentários do Animal Planet. “E eis que o leão, rei das selvas, sorrateiramente cerca a sua presa. Ele observa cautelosamente, aguardando o melhor momento pra o ataque...”. Tudo bem que a narrativa explica algumas coisas que a gente provavelmente não descobriria, como alguns detalhes da vida das personagens, mas muitas das coisas no filme são óbvias de se notar só pelo comportamento das personagens. Mérito do elenco, que é excelente, com certeza fruto também de um grande trabalho do diretor Todd Field.

Recomendo este filme. Sei que nem todo mundo vai gostar. Não é um filme dos mais agradáveis. A natureza humana também não é das mais agradáveis. O final é um tanto absurdo e moralista. Um pouco frustrante. Se você não for tão sarcástico quanto este que vos dirige a palavra, ou não for muito chegado a coisas densas, com certeza vai achar este filme totalmente indigesto. Mas afinal de contas, qual a graça de viver a vida apenas vendo conto de fadas? O mundo é bem maior do que o pequeno universo que nos cerca. É só abrir os olhos e ver como há pessoas tão diferentes de nós e como o mundo é muito mais complexo do que imaginamos. Entender o mundo e entender as pessoas, é entender a vida, é crescer, amadurecer, é ser mais cidadão.

Um comentário:

  1. Ótima dica. Espero que a sessão de arte do Iguatemi traga este filme pra que eu possa conferí-lo.
    Se rendeu ao mundo blogueiro, né, seu moço? Bem-vindo!

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