segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A verdade nos bastidores

Nota: 8,5

Talvez esse seja um dos filmes mais aguardados do ano. Reúne no elenco três dos maiores ícones de Hollywood dos últimos 20 anos, Robert Redford, que também dirige o filme, Meryl Streep e Tom Cruise. Todos dispensam apresentações. Mais um filme com histórias interligadas. Depois de Crash e Babel fazerem sucesso no passado recente, a fórmula é mais uma vez utilizada aqui em Leões e Cordeiros. Só que neste as histórias nunca se encontram apesar de serem muito importante umas pras outras.

Bom, as histórias são as seguintes: um senador recebe uma jornalista em seu gabinete para lhe dar um furo de reportagem. O furo seria a nova estratégia militar americana na Guerra do Oriente Médio. Enquanto isso, um professor de ciências políticas tenta convencer um aluno com um brilhante potencial a levar a vida acadêmica mais a sério. E longe do território americano, acompanhamos a vida de dois soldados americanos na guerra.


Pra mim, o melhor filme que vi no ano. Acho que talvez seja por eu concordar com tudo que tenha sido dito no filme. Vi poucos filmes assim. A Meryl está perfeita como sempre, o Robert (melhor como diretor do que como ator) dá conta do recado, meio passivo, mas convence, e até a arrogância do Tom Cruise cai bem na personagem. O filme é um tanto difícil, ácido, se não prestar bem atenção pode acabar se perdendo. Em nenhum momento as idéias nos são ditas claramente. São expostas lá para que nós possamos captá-las.

O filme não é estereotipado e irresponsavelmente escancarado como Crash, nem tem a mania de grandeza de Babel, por isso me tocou mais que esses dois. Ele passa a sua mensagem sem precisar mastigá-la antes pra nós. Dá pra ver que a guerra não passa de uma propaganda governamental, e quem paga o pato são os socialmente menos favorecidos.

domingo, 7 de outubro de 2007

You can't stop the beat

Nota: 9,0

Depois de Evita, parece que os musicais voltaram com tudo. Moulin Rouge e Chicago consolidaram o retorno do gênero, e depois Dreamgirls, Sweeney Todd e agora, Hairspray vem pra comprovar isso mais uma vez. O elenco cheio de estrelas, o sucesso nas bilheterias, de vendas da trilha sonora já fazem desse um dos filmes mais rentáveis do ano e talvez um dos possíveis favoritos a prêmios do início do próximo ano. Raramente filmes, tipo A Pequena Loja de Horrores, tornam-se musicais da Broadway. Hairspray é um deles. O filme de 1988 de John Waters (o cineasta porra-louca responsável por filmes como Mamãe é de Morte, Pink Flamingos e Cecil B. Dement) conseguiu essa proeza. Como eu vi as duas produções, fica difícil não compará-las, então vamos lá.

O filme original, um cult dos anos 80 que tem nomes muito conhecidos no elenco, é uma comédia que tem como seu tema principal a paixão de uma menina gordinha pela dança e a segregação racial nos anos 60. Como o filme tem muito apelo e influência musical, foi transformado em musical para a Broadway, onde as personagens cantam as e dançam canções e tudo mais. Essa adaptação para a Broadway é que agora foi levada aos cinemas. A história é quase a mesma, mas a maneira de ser contada é bem diferente.

John Waters (que faz uma ponta como o tarado pervertido logo no primeiro número musical) é conhecido por seus filmes caricatos, vide Cry Baby, com o Johnny Depp e Mamãe é de Morte com Kathleen Turner. Hairspray segue a linha destes. Muita música dos anos 60, muita dança e tal. A música título do filme é logo a primeira a tocar e gruda na cabeça que nem chiclete. O roteiro é surreal, tipo roteiro de desenhos animados, cheio de hipérboles, tudo muito bem humorado. Funciona.


O mais recente é uma produção de Adam Shankman, que já fez diversos trabalhos em Hollywood, desde produtor, diretor, ator e coreógrafo, e tem no currículo filmes como Ligado em Você, Prenda-me Se For Capaz, Vem Dançar, Um Amor Pra Recordar, entre outros títulos famosos. Dessa vez, vemos o filme sem as músicas do filme original, e sim com as canções da peça da Broadway (e mais algumas inéditas para poder concorrer a prêmios, lógico), que o próprio elenco canta.

A história sofre modificações, algumas boas, outras não, mas no geral são legais pra gente não ter a sensação de que está vendo o mesmo filme novamente. Algumas personagens mudam de comportamento, tipo a Velma Von Tussle, que no filme original é feita pela Debbie Harry, vocalista da Blondie, e que dessa vez é feita pela Michelle Pfeiffer, e torna-se uma vilã ultra-má que no filme original ela não era. Por outro lado o romance entre o casalzinho principal na nova versão não faz tanto sentido. Acontece meio que do nada. E o final do filme é diferente, apesar da lição passada ser a mesma. O elenco inteiro é ótimo. Os ídolos teen Amanda Bynes e Zac Efron dão conta do recado, e os veteranos dão mais segurança as interpretações. John Travolta como a rechonchuda mãe da nossa protagonista rouba todas as cenas. Queen Latifah ótima como sempre. A estreante Nikki Blonksy brilha como protagonista.


Como diria a critica da Veja, o atual é menos amalucado, ou seja, menos caricato e exagerado, um pouquinho mais verossímil, mas são duas estéticas diferentes. Provavelmente quem não gostar de um, não vai gostar do outro. A parte técnica desse é melhor cuidada. As coreografias são bem melhores também. Mas o de John Waters é uma produção independente dos anos 80 e esse é uma superprodução Hollywoodiana. É um ótimo musical, bem alto astral, divertido, anti-preconceito, beeeeeem melhor que Dreamgirls e Moulin Rouge, mas eu ainda gosto mais de Chicago e Evita.

Nunca à tarde...

Nota: 7,5

Eis mais uma comédia romântica para cativar o público feminino. Nunca é tarde para amar. Dessa vez trata-se da história de uma mulher de meia-idade que conversa com a mãe natureza e se relaciona com um homem pelo menos 10 anos mais novo. Parece novo, mas não é... Esse é o novo filme de Amy Heckerling, responsável pelos mega sucessos Olha Quem Está Falando e As Patricinhas de Beverly Hills, filme que não tem o devido reconhecimento. A própria Amy atua no filme como a mãe natureza.

O filme começa com um monólogo meio sem fundamento e depois nos bombardeia com imagens nada agradáveis de vítimas da obsessão pela beleza que se submetem a cirurgias plásticas e viram aberrações. Depois nós acompanhamos a vida da Michelle Pfeiffer, roteirista de um seriado de TV "banal", como diria um amigo meu, que varia sua temática desde dramas adolescentes, até as mais frívolas comédias devido a busca desenfreada por audiência. O conflito da história é a insegurança da nossa protagonista em relação ao relacionamento que ela se envolve com o novo ator do seriado, que é feito pelo Paul Rudd, que fez "Patricinhas", Virgem de 40 anos, e era o namorado da Phoebe de Friends. Ok, não vou contar mais nada para não estragar a surpresa (como se houvesse alguma...).


O filme é leve e tal, legalzinho dese ver, mas tem umas coisas que não descem bem. Pra começar, a Michelle faz uma mulher que foi trocada pelo ex-marido por uma mulher bem mais nova, e ela ainda mantém uma relação extremamente próxima com ele. Isso não existe... A filha da Michelle é uma pré-adolescente madura demais para a idade. Faz discursos sobre a vida que me lembraram o pessoal de Dawson's Creek (adoooooooro, mesmo vendo claramente todos os defeitos). Essa mesma pré-adolescente faz paródias de músicas conhecidas criticando diversos temas, tipo o talento de uma famosa cantora, os padrões de beleza impostos pela mídia (o que é bem contraditório, porque ela mete o pau na mãe se a gente observar bem) e por fim, o governo Bush. Só por essa parte, o filme ganha um ponto. Mas sugiro que se não gostarem muito do gênero, não vejam o filme à tarde. Dá um sono...

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Quebrar a confiança causa perda de tempo

Nota: 6,5

Quebra de confiança é o segundo longa do currículo de direção de Billy Ray. Antes ele havia dirigido um outro filme chamado O Preço de Uma Liberdade, que eu já queria ter visto, mas não tive oportunidades. Ambos são casos reais. Mas Billy já havia trabalhado muito em Hollywood, principalmente como roteirista. É dele o roteiro do policial A Cor da Noite com o Bruce Willis, ou de Volcano, por exemplo. Dessa vez ele resolveu contar a história da captura de Robert Hanssen, traidor da nação americana na Guerra Fria. Os crimes são da Guerra Fria, mas a história se passa em 2001.

Na historia em si, o principal é o Ryan Phillippe, ex da Reese Witherspoon, que fez Segundas Intenções, Studio 54 e Trash. Desculpem, Crash. Ele é um novato que quer se tornar agente do FBI, e é incumbido de investigar todos os passos do Robert, feito pelo Chris Cooper, vencedor do Oscar pelo vertiginoso Adaptação. Para isso, ele vai trabalhar com ele e tem que conquistar sua confiança para descobrir o máximo possível, tudo sob o comando da sua chefe, a Laura Linney, de Kinsey, O Exorcismo de Emily Rose, Sobre Meninos e Lobos, etc.

Bom, como todo filme do gênero, vemos toda aquela patriotada, de como é importante servir a nação, e livrá-la das garras do mal (leia-se URSS). Tem também críticas indiretas ao catolicismo (como se o protestantismo fosse diferente...). Enfim, eles desconstroem todo o comportamento do sujeito maligno e vilanizam todas suas características na segunda metade do filme, mostrando como além de destruir a nação, causando prejuízos incalculáveis, ele também pode destruir a vida das pessoas ao seu redor, no caso, causando crise conjugal no nosso herói protagonista.

Eu não me identifiquei nem um pouco com o filme, principalmente porque não simpatizo com nenhum dos lados. Nem russos, nem americanos. É cobra engolindo cobra. A imagem do “traidor” é criada para nós da mesma forma que o nosso protagonista a vê. A princípio, um homem severo, porém justo e religioso (ou seja, hipócrita e preconceituoso, que o moralismo deles adora. Há pior ofensa a alguém do que lhe chamar de religioso?), em seguida, quando a verdade da investigação é revelada, o homem começa a se modificar. Suas virtudes transformam-se em defeitos gravíssimos que o tornam uma pessoa desprezível, impossível de se conviver, e “merecedora” de qualquer punição. E para eles é claro que merece! Quem manda trair a terra das liberdades... Judas...

domingo, 2 de setembro de 2007

Mensagem subliminar ambiental

Nota: 8,0

Mais um episódio do interminável seriado de TV. Desde que me entendo por gente que Os Simpsons passam na tv. A novidade desta vez é que o episódio é mais longo e passa no cinema. Até o mala do Homer chama a gente de otário por pagar pra ver uma coisa que passa toda semana de graça na tv. Quando criança eu os via como um desenho sem graça, e hoje vejo com olhos diferentes. Com seu senso de humor fugindo do convencional, os Simpsons são aquela eterna crítica ao American Way of Life, e aquele povo é tão cego (pra não dizer outra coisa) que assiste, acha ótimo, mas não capta as críticas nas entrelinhas. Não se enxergam no espelho criado. Se bem que no Brasil é a mesma coisa. Roque Santeiro passou, repassou, trepassou, fez sucesso, e ninguém absorveu ou parou pra relacionar a realidade da novela com a realidade vivida por nós. Uma pena...


Aqui o episodio especial foca-se no tema do meio ambiente. Springfield está atolada na imundície e eles resolvem promover uma despoluição da cidade. Aí é que entra a família dinossauro. Homer resolve criar um porco, e esse porco evacua demais, pra soar mais elegante. Então ele resolve jogar os excrementos na lagoa recém despoluída da cidade, que fica mais poluída do que antes, e leva o governo americano a tomar uma medida drástica: interditar a cidade numa redoma de vidro ultra-resistente. Se o governo americano real fizesse isso mesmo, já pensou como seriam lindas as fotos da Terra tiradas por satélite? Os EUA estariam cheios de bolhinhas brilhando, refletindo a luz do Sol!


Uma história engraçada com um tema atual e importante, mas que as pessoas saem da sala de projeção e ignoram. Todo mundo gosta de se divertir, mas ninguém quer se preocupar com os temas sérios. Ainda mais americano que nem presta atenção nas coisas importantes que estão sendo passadas e nem o Tratado de Kyoto quer assinar. A frase é clichê, mas tem que ser dita: se cada um fizesse sua parte, poderíamos reverter esse quadro. Mas para um tema como esses, agir é muito mais importante (e eficiente) do que falar.

O doce veneno de Hollywood

Nota: 8,5

Americano odeia ler legenda. O que se faz quando se pretende que um bom filme seja conferido por público tão restritivo? Refilmá-lo com atores de língua inglesa, e quase sempre com “melhor aparência”, ou mais bonitos, como você preferir. Isso também aconteceu com o alemão Simplesmente Martha, que gerou este Sem Reservas. Outros casos conhecidos são Vanilla Sky, Os Infiltrados e até Betty, A Feia, que virou seriado de TV. Por fim, acabam levando crédito por uma produção que consegue atingir públicos muito mais amplos que os seus originais, que são apenas lembrados pelo pequeno grupo de pessoas que realmente se interessam por cinema.


A boa notícia é que esse remake é competente e bem produzido e bem interpretado. Catherine Zeta-Jones é a protagonista. Linda como sempre. Ela faz uma chef de cozinha que vê sua rotina quebrada quando tem que criar a sua sobrinha, a Abigail Breslin do Pequena Miss Sunshine, após a morte da irmã. Enquanto isso, ela tem que aprender a dividir o ambiente de trabalho com o Aaron Eckhart, de Obrigado Por Fumar, um outro chef com estilo bem diferente do seu. A direçào é do Scott Hicks, indicado ao Oscar em 1997 por Shine, Brilhante.


O filme vem sendo vendido com comédia, mas é um drama leve bem agradável de se ver. Ainda mais pra quem aprecia culinária, como eu. Catherine mostra um lado “ranzinza” diferente do de Chicago, que lhe deu o Oscar. Abigail novamente encantadora como em Pequena Miss Sunshine, mas dessa vez como menos impacto por ser um papel já feito e refeito inúmera vezes. E o Aaron dá vida ao filme, os toques de humor e simpatia que tornam o filme mais leve, Assim como Renée Zellweger fez no ótimo Cold Mountain. O filme perde um ponto por uns furos de comportamento que eu nem parei pra pensar muito pra não perder a boa impressão do filme, e claro, pela falta de originalidade. Copiar é sempre mais fácil...

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Rato Borralheiro

Nota: 9,25

Desde criança eu adoro as produções em animação. Claro que as de hoje em dia são bem diferentes das que eu costuma ver na infância. Hoje em dia elas são feitas em 3D, o que dá a elas uma reprodução muito mais próxima da realidade, há momentos em que a semelhança é extrema. Mas também isso ocasionou um excesso na produção de histórias muito pouco interessantes, mas com gráficos perfeitos. As únicas produções realmente boas feitas em 3D foram Toy Story, Vida de Inseto, Procurando Nemo, Shrek e Os Incríveis, e agora Ratatouille junta-se a eles.

Para quem não sabe Ratatouille é o nome de um prato típico francês, feito de verduras e legumes, e creio que tenha sido escolhido como nome do filme por causa da semelhança do nome com a palavra rato (ou rat) e também pelo filme tratar sobre culinária e se passar na França. Bem, nada deve ter sido por acaso.

A história é sobre Rémy, um ratinho inconformado em ter que se alimentar de lixos e restos e tem uma verdadeira paixão pela culinária. Devido a alguns incidentes, sua colônia tem que fugir do interior para Paris, e lá ele se perde do grupo e acaba dando de cara no restaurante fundado pelo seu ídolo, o falecido chef Gusteau e lá ele vê a oportunidade de realizar o seu sonho de se tornar um chef de cozinha, mas ele tem um pequeno empecilho no caminho, ser um rato. A única forma de atingir o seu objetivo é contando com a ajuda de Linguini, o atrapalhado servente do restaurante.

Como todo desenho animado americano, o filme tem a sua lição de moral, que americano nenhum nunca segue, por sinal, e sempre é muito sutil para as crianças, beirando a mensagem subliminar, ou lavagem cerebral, como preferirem. Para um público adulto ela é muito fácil de ser identificada mesmo antes de assistir o filme.

O filme é muito bonito, a reconstrução de Paris é fascinante, e os ratinhos em si são muito engraçados, me lembraram os ratinhos de Cinderela, animação da Disney de 1950. Só as tomadas com uma visão grupal da colônia que tornam-se um pouco angustiantes, pois a semelhança com uma infestação de ratos real é extrema, mas a gente se acostuma durante a projeção. A animação em 2D para os créditos finais é também perfeita. As piadinhas do filme são engraçadas e inofensivas, bem oportunas. Em resumo, o filme é uma excelente diversão pra quem gosta do gênero e mostra que a Pixar é a realmente a melhor a produtora de filmes em animação da atualidade.

domingo, 8 de julho de 2007

Crimes Enfadonhos

Nota: 7,5

Terceiro filme seguido que eu vejo, e todos com o Dermot Mulroney. Parece a carreira cinematográfica dele deslanchou de vez. O primeiro um romance (O Amor Pode Dar Certo), o segundo um drama leve, que não deveria ser leve (Ela é a Poderosa) e agora Zodíaco, um suspense policial. Bem, quase todo mundo sabe que o filme é baseado em fatos reais e tal, e já existiam diversos filmes sobre o tema, mas nenhum com estrelas de primeiro time. E como eu também não sabia nada da história, nem conhecia os outros filmes, não tinha parâmetros pra comparar. O roteiro desse aqui é uma adaptação da obra literária do Robert Graysmith, um dos envolvidos na trama original.


Zodíaco era o serial killer que atacava na Califórnia nos anos 60 e 70, e se comunicava com a polícia mandando cartas que continham códigos. Aí é que entra o Jake Gyllenhaal, de Brokeback Mountain, fazendo o Robert, um desenhista de jornal que fica obcecado pelos crimes, Robert Downey Jr., cronista que recebe as cartas, Mark Ruffalo e Dermot Mulroney, os policiais encarregados do caso. Ainda tem a Chlöe Sevigny, que fez Meninos Não Choram, como namorada do Jake. A direção é do David Fincher, que fez Seven, Clube da Luta e O Quarto do Pânico.

O filme tem até um enredo interessante. As reconstituições dos crimes deixa tudo um pouco mórbido demais, e indigesto pra maioria das pessoas, mas o resultado não é de todo mau. Ficou longo demais, quebrando ritmo. Se fosse mais curto, mais enxuto, seria mais instigante.

Poder tá em falta

Nota: 7,5

Ela é Poderosa! Mais uma suposta comédia de meio de ano, com título nacional ridículo (o original também não diz muita coisa), e eu confesso que esperava bem menos desse filme. Até porque eu não sabia nada sobre o filme, e ele aborda temas bem interessantes, só que um tanto mal desenvolvidos. E tudo que tem a Lindsay Lohan no meio parece que é avacalhado, mas eu sempre me esqueço que ela é boa atriz, não importando a vida pessoal dela, que ela faça o que ela quiser e bem entender. Mas ela é talentosa, me lembra a Jodie Foster quando jovem. O restante do elenco é teoricamente muito bom também, tem a Jane Fonda, Felicity Huffman, de Transamérica e Desperate Housewives e o Dermot Mulroney, de O Casamento do Meu Melhor Amigo e O Amor Pode Dar Certo.


A direção é do Garry Marshall, que tem uma lista enorme de trabalhos conhecidos como ator, diretor, produtor e roteirista, mas destaco seus trabalhos na direção em Uma Linda Mulher, Noiva Em Fuga, Amigas Para Sempre e O Diário da Princesa. O roteiro é do Mark Andrus, que fez Divinos Segredos e Melhor É Impossível, dois filmes que eu gosto muito, e que são bem superiores a esse.

Aqui o filme fala sobre a Lindsay, uma menina revoltada de cidade grande que a mãe, a Felicity, que é uma mala, não agüenta e manda pro interior passar um tempo com a avó, a Jane, a poderosa do título... História totalmente clichê, mas o desenrolar da história definitivamente não se encaixa no perfil de comédia em que o filme vem sendo vendido. Fala de abuso de menores, morte e relações de família mal resolvidas. Mas o final não cola... A cena é sofrível. A última fala então, é tenebrosa.


O filme tem suas falhas, como por exemplo personagens mal delineados, principalmente o Dermot, e o comportamento supostamente autodestrutivo da própria Lindsay. Para uma menina que aos 14 anos consumia crack, ela chega aos 18 anos, continua porra-louca, e não bebe nem uma gota de álcool. Só gosta de sexo, mas isso aí é comum a todo mundo, mas poucos assumem. E as problemáticas lançadas no filme são mal aproveitadas e não são solucionadas. Só a principal que chega a ter um desfecho, absurdo, vale salientar. A melhor cena é sem dúvida quando as meninas interioranas ficam vigiando ela e o galã municipal. Ela as segue e diz que se isso continuasse ela iria procurar os namorados de cada uma delas e trepar com eles. Não existe ameaça mais interessante que essa.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Um Romance Para Recordar

Nota: 7,5

Mais um romance vem e nada de novo acontece. Se você já viu Love Story, Outono em Nova York, Tudo Por Amor, Doce Novembro, e o pior de todos: Um Amor Para Recordar, então você já vai saber decorado o que acontece nesse. É incrível como toda fórmula de sucesso é copiada exaustivamente e descaradamente. E as cópias nunca chegam a ter o mesmo nível de qualidade do original. Coisas do mundo do entretenimento. O roteiro é infalível. Lágrimas na certa. Tudo manipulado, lógico, feito justamente para causar esse tipo de reação nas pessoas, nunca tentar uma reação realmente espontânea do público. Acho que é patrocinado por fábrica de lenço de papel, pra poder lucrar também na sessão.

A história de O Amor Pode Dar Certo é sobre o Dermot Mulroney, de O Casamento do Meu Melhor Amigo e Tudo em Família, um homem que descobre que tem câncer, mantém em segredo e resolve viver seus últimos dias intensamente. Ele resolve fazer todas as loucuras que nunca fez na vida, antes que o trágico fim ocorra. Nisso ele conhece a Amanda Peet, de Meu Vizinho Mafioso, Alguém Tem que Ceder e De Repente É Amor, e os dois acabam se envolvendo, meio que sem querer... querendo... Aí vem aquela colagem de clichês. Cenas que já vimos em outros filmes começam a surgir por todos os lados, como a cena de sexo atrás da torre do relógio, idêntica a de 9 e ½ Semanas de Amor, mas muito menos sexy que a original. Essa daí foi feita mais para causar suspiros comovidos mesmo.

Mas como eu já disse, a fórmula é infalível, e as mulheres vão adorar. Os atores são bons, a trilha sonora é ótima, o roteiro é besta, mas é suficiente pra ser uma boa diversão e arrancar lágrimas de boa parte do público. Eu tenho que confessar que fiquei entretido, mas nem parei pra analisar muito a fundo pra não quebrar o clima. Leva aí uma nota relativamente alta só por ser divertido e por ter a Amanda, mas eu ainda gostava mais dela em Jack & Jill.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Crítica Um Crime de Mestre

A Única Face de Um Ator

Um Crime de Mestre // Fracture

Nota: 7,0

Um dos grandes problemas do cinema americano é a maneira como ele estigmatiza atores a um único personagem e variações dele. Desse mal sofrem vários, diversos, alguns por escolha própria, outros por falta de oportunidade de mudar. Alguns exemplos são Robin Williams (o pateta), Julia Roberts (a mulher independente e decidida), Cameron Diaz (a loira extrovertida e geralmente burra) e Anthony Hopkins, o eterno psicopata (no cinema). Depois de O Silêncio dos Inocentes é só isso o que ele faz, e só é isso o que o grande público reconhece, desconhecendo seu passado como grande ator nos teatros britânicos e no próprio cinema.

Dessa vez o Anthony faz uma variação do Hannibal Lecter, a diferença é que esse aqui não é adepto da antropofagia. A trama de Um Crime de Mestre é também muito semelhante à de Silêncio, só que bem menos genial, que diga-se de passagem, esse filme de genial não tem nada. Bom, o filme foca-se no delito cometido pelo Anthony, o assassinato de sua própria esposa, logo no início, um crime confesso e escancarado, mas que a polícia, na pele do advogado feito pelo recém indicado ao Oscar Ryan Gosling, que foi coleguinha do Justin Timberlake, Kerri Russell, Britney Spears e Christina Aguilera no Clube do Mickey. Ainda está no filme o David Stratharn, que fez Boa Noite e Boa Sorte. A direção é assinada por Gregory Hoblit, que fez Possuídos, aquele filme chato com o Denzel Washington que só fica bom nos 10 minutos finais, e o fantasioso, porém divertido, Alta Freqüência, com o Dennis Quaid e com Jesus Cristo, digo, Jim Caviezel.
O título original (Fracture) entrega totalmente o fim, mas no título nacional colocaram o oposto, traduziram com uma expressão que é o contrário praticamente. Ele tem aquela lição de moral chinfrim, o crime não compensa, mentira tem pernas curtas, e baboseiras do tipo, e ainda dá um puxão de orelha no nosso herói, Ryan, um advogado arrogante e nojentinho que está enlouquecendo porque vai perder o julgamento, pra um cara que está sendo defendido por ele mesmo na corte. Humilhação maior pra americano, que o maior medo na vida e ser chamado de loser, não há. Uma pena é ver o talento do Anthony ser desperdiçado dessa forma. Tanta coisa interessante que ele poderia estar fazendo, enquanto isso Hollywood estagnou-se na mesma fórmula besta de sempre, só que cada vez mais mal feita.

domingo, 10 de junho de 2007

Senhora do Destino

Nota: 5,5

Essa foi uma das mais estranhas idas ao cinema que eu já fiz. Bem, alguns amigos e eu decidimos ir ver Crime de Mestre, com o Anthony Hopkins. Fernanda procurou na net e viu que tinha sessão as 19h20, então lá fomos nós. Como somos todos estudante, um monte de liso, fomos de ônibus. A bagaceira já começou aí.

Quando eu sento no banco e olho pra baixo, vomito por todo o chão. Nojo. Mudo de lugar, mas o mal-estar ficou presente na minha pessoa. Após chegar no cinema, constatamos que a sessão de 19h20 só era exibida nos finais de semana (era uma quinta-feira). Então entramos num consenso de que iríamos ver Zodíaco, com Jake Gyllenhaal, as 18h25. Quando chegamos na frente da fila, a sessão lotou...





Então, de sopetão, decidimos ver Premonições. Ninguém esperava ou queria ver esse filme, mas lá fomos nós. Bom, a baboseira é uma confusão só. A história ronda a Sandra Bullock, que faz uma mulher que prevê a morte do seu marido e a cada dia que acorda está numa realidade diferente, ou seja um dia ela acorda e ele está morto, no outro ela acorda e ele ainda está vivo, e assim sucessivamente. Então a missão dela é evitar a tragédia. O filme faz esses arrodeios todos pra confundir a nossa cabeça e a gente não perceber o quão ridiculamente óbvio ele é. Parece que a Sandra gostou mesmo dessa fórmula, porque Crash é bem nesse estilo, filme ridículo que se passa por cult. E ainda tem quem engula... E ainda parece com A Casa do Lago, que ela lançou a algum tempo atrás e ninguém mais se lembra da tal besteira. À noite, quando eu fui dormir, eu fiquei torcendo pra acordar no dia anterior e olhar direito os horários de exibição dos filmes.



O irresponsável realizador deste filme responde pela alcunha de Mennan Yapo, ator/diretor/roteirista alemão que já atuou no legalzinho Adeus Lênin, e agora sacode essa bomba pra gente. No elenco ainda vemos Julian McMahon, um dos cirurgiões de Nip/Tuck e Amber Valletta que já fez o igualmente trágico Hitch, Conselheiro Amoroso. O filme tem o seu lado bom também, ele consegue prender a atenção. Mesmo você vendo aquele show de absurdos passando na sua frente, você ainda fica na expectativa de como aquilo tudo ainda vai acabar. Ou seja, está no mesmo patamar de Efeito Borboleta, ridículo, mas prende a atenção. Pelo menos isso.

terça-feira, 5 de junho de 2007

1 é bom, 2 é muito e 3 estraga... Lástima!

Nota: 6,0

Eu gostei muito dos filmes anteriores, mas dessa vez a história não rendeu mais. Esse é um dos grandes males de Hollywood, se algo deu certo, deve-se aproveitar e arrancar toda e qualquer moedinha que se puder. E acabam por estragar a imagem de um filme que foi tão bom outrora. Nem a trilha sonora sempre ótima de Shrek conseguiu salvar o filme dessa vez. E nesse não é nem tão ótima assim. As músicas que eu mais gostei foram Best Days (que não toca durante o filme) e a regravação de Barracuda, na voz da Fergie. Eu nem a reconheci. Pra se ter uma idéia, é como se Kelly Key regravasse Rita Lee com o digno respeito.


Enfim, vamos ao enredo de Shrek Terceiro. Dessa vez o rei que virou sapo morre e deixa o Shrek como herdeiro do trono, mas ele bate o pé, não aceita a fardo e vai atrás do filho bastardo do rei, um magrelinho franzino que responde pela alcunha de Arthur. Já deu pra reconhecer a história né? Enquanto isso, o Príncipe Encantado, mais gay do que nunca, faz uma aliança com todos os vilões dos contos de fada, e até das fábulas de Esopo, pra promover um golpe de Estado lá na Terra da fantasia. Pois é, a história parece ser boa, mas não é não. É um saco. As piadas já cansaram, a história perdeu o fôlego, já rendeu o que tinha pra render. E as citações são difíceis de serem entendidas pelo grande público, não tão fã de cinema como eu. Vou fazer uma enquete na porta do cinema pra ver se alguém entendeu a paródia das Panteras durante o filme. Quem também quiser enviar a resposta certa pro meu e-mail ganha 1 milhão (tirado diretamente do milharal do meu tio lá em Maceió).



Pode ser que as crianças gostem. Não sei. As crianças de hoje são tão imprevisíveis. Na minha infância as crianças gostavam de diversões melhores. Mas todo mundo diz isso depois que cresce. Deve ser a idade chegando... Pois é! Mas o que eu sei é que só com uma boa varinha de condão pra salvar esse daí.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Remember My Name

Nota: 9,5

Eu já tinha visto esse filme antes, mas não tinha dado a ele o valor que ele merecia. Talvez porque eu não tinha cabeça ainda pra entendê-lo devidamente. Fama é um clássico dos anos 80 que fez um enorme sucesso e acabou virando seriado de TV e peça off-Broadway. O filme é dirigido pelo Alan Parker, um diretor inglês que eu gosto muito. Ele tem no currículo filmes ótimos como Mississippi em Chamas, The Commitments, Coração Satânico e A Vida de David Gale. Entretanto os mais famosos são:

Evita, que os críticos detestaram, mas eu adorei. A falta de diálogos não me incomodou nem um pouco. As músicas são excelentes, a história é boa e as interpretações muito convincentes. Até Madonna funcionou como atriz dessa vez;
O estranhíssimo The Wall do Pink Floyd, que é o auge da depressão. Nem David Lynch chegou a esse extremo;

E, como ninguém é perfeito, O Expresso da Meia-Noite. Traficante merece toda e qualquer punição, mas se ele for americano em país estrangeiro merece fuga espetacular e uma volta para casa como herói. A trilha sonora de Giorgio Moroder pra esse filme foi uma das coisas que mais me amedrontaram na infância e até hoje eu não gosto de ouvir.


Em Fama, Alan mostra uma de suas principais características, que é trabalhar com elenco jovem. Nesse filme, que mostra um grupo de jovens durante o tempo em que estudaram na escola de artes de Nova York, ele escolheu trabalhar não com atores, mas com jovens que tivessem talento para as atividades que suas personagens fossem fazer. Isso é tão claro que nenhum deles hoje em dia é ator famoso e eu nem sei mais nenhum filme em que eles tinham atuado. Talvez o maior destaque deles seja a Irene Cara, que fez sucesso como cantora nos anos 80, ganhou alguns Grammys e até levou um Oscar de canção pela sua co-autoria da inesquecível Flashdance... What a Feeling. Uma curiosidade é que a Madonna fez testes para esse filme. Não foi aceita...


O filme mostra muito visivelmente o quão árduo é o caminho pra se chegar ao sucesso no meio artístico. E isso é só uma perspectiva deles como estudantes na escola, nem chegamos a vê-los se projetando como profissionais ainda. A melhor frase que define tudo isso é proferida pelo professor de teatro, que é a seguinte: Só o talento não é suficiente. É necessário ter um bom agente, muito trabalho e uma boa dose de sorte. Na verdade a temática do filme é muito semelhante a do Cidade dos Sonhos do David Lynch, mas Fama é muito mais cativante e claro no propósito de passar a sua mensagem.



Enfim, hoje em dia eu gosto muito do filme e por ser musical não fica repetitivo vê-lo e revê-lo. O final é apoteótico, mesmo com todos eles sabendo de todas as dificuldades que terão adiante. A cena de Out Here On My Own é de uma sutileza e simplicidade tocantes. Muito bonita. A música, então, é linda. O teste da Doris Finsecker também é muito legal. Outra que gosto muito é a cena da canção que dá título ao filme. Tudo bem que todos aqueles jovens dançando na rua e parando o trânsito é um tanto surreal, mas sendo todos eles estudantes de artes performáticas isso até que seria possível.

An'Alpha Dog

Nota: 6,0

Alpha Dog é mais um daqueles “fantásticos” casos reais que Hollywood adora fazer. Na verdade, a história é sobre o traficante juvenil Jesse James Hollywood, que no filme virou Johnny Truelove. Ele foi o mais jovem criminoso a ser um dos dez mais procurados pelo FBI.

O filme é dirigido e escrito pelo Nick Cassavetes, que antes era ator, mas sem muito sucesso. Nele, vemos um jornalista entrevistando pessoas ligadas ao crime em relato, e paralelamente vemos a história em si rolando. Johnny é interpretado pelo Emile Hirsch, conhecido por filmes como Show de Vizinha e o Clube do Imperador, e não muito convincente nesse filme. Ele é muito mirradinho pro papel. Johnny vive lá a vida dele de playboy traficante, cheio de dinheiro, mulheres, armas e palavrões pra todos os lados, mas um belo dia ele se mete em problemas com um cara que o deve dinheiro. Aí ele esquece de ligar o interruptor do cérebro e tem a idéia de jerico de seqüestrar o irmão dele até ele pagar a dívida.


O elenco ainda conta com Bruce Willis, canastrão como sempre, mas se bem que nesse filme até combina com a personagem, Justin Timberlake fazendo um papel de delinqüente-mamão que é a cara dele, ele nem precisou atuar, e com a Sharon Stone, como a mãe ultra-protetora do menino seqüestrado.



O filme tem um roteiro meio falho. Apresenta coisas que são irrelevantes no filme, como a contagem de testemunhas do crime. Além de ter uns erros cronológicos no filme a cena final tem um erro meio primário, que se eu contar acaba com a “surpresa” do final. O que eu mais gostei nele foi a montagem, que mostra algumas cenas de dois ângulos diferentes, e da interpretação da Sharon Stone. A cena do jornalista a entrevistando é a melhor cena e interpretação de todo o filme, e da própria Sharon desde Cassino. Nessa cena ela está desfigurada, gorda, eu só a reconheci depois de um tempo.


Acho que o que me desagradou principalmente foi ambiente degradante que o pessoal desse filme vive. Todos completamente estúpidos, burros, preconceituosos, com apenas um neurônio na cabeça, ou seja, um bando de “mala”. E ainda tem aquele monte de menina vazia que acha o máximo o cara ser um seqüestrado. Só uma delas tem consciência da roubada que se meteu, mas ainda assim continua lá no meio. Mas o filme tem todo aquele clima de Hip Hop, drogas e delinqüência juvenil, tudo visto de uma maneira muito superficial evidentemente, que com certeza vai agradar os rapazes adolescentes.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Santo Repeteco Batman!

Nota: 7,0

E mais uma edição de Homem Aranha chega aos cinemas. E posso dizer que foi muito aguardado. Desde a fila do ingresso até a fila para entrar na sessão me custou mais de uma hora de espera. E de fome... Mas isso aí não foi nada. O pior é aturar os adolescentes se achando o máximo e falando merda o tempo inteiro no cinema. Ninguém merece...

O filme conta com o mesmo pessoal dos anteriores. O Tobey Maguire, com a mesma cara de palerma de sempre, novamente encarna o nosso protagonista. Kirsten Dunst tinge as madeixas de ruivo para encarnar a Mary Jane mais uma vez, e o James Franco faz regime de novo pra poder ser o filho magrelo do duende verde. As novidades dessa vez são o Thomas Haden Church (o canalha de Sideways), que faz o Homem de Areia e o Topher Grace (O Eric do That 70’s Show), que faz o fotógrafo rival do Peter Parker.


Dessa vez o nosso herói deixa o sucesso subir a cabeça e fica mais “amostrado do que cachorra em procissão”, como diria um professor meu, e esquece de dar a devida atenção à sua idolatrada MJ, que termina por largá-lo. E ele ainda por cima tem que encarar uma dupla personalidade e três vilões. Essa vida de herói cansa!

E cada vez mais o Homem Aranha fica parecido com o Superman. O do Smallville pra ser mais específico. Ele é indestrutível. Cai de prédio de 80 andares e leva surra de cabo de aço e não fica com nenhum arranhão. E eu nunca soube que aranha fosse de ferro... Ou aço, sei lá! Mas pelo menos ele faz careta. E pra semelhança ser ainda maior, dessa vez ele encontra a sua “kriptonita vermelha”, que no caso é uma gosminha preta alienígena que o transforma no Aranha Negra, uma versão malvada do herói. E essa versão é até mais interessante. E divertida. Ele se livra da cara de palerma e daquele cabelo penteado pra trás com gel e deixa a franja solta na testa e ganha uma cara de demente. Foi nessa hora que gritaram no cinema: “Chuta que é emo!”. E realmente é um emo todo. Só faltou o delineador preto dos olhos. Ele até dança na rua. E num bar. Um mico! Eu me constrangi por ele...


O filme parece um remake dos dois anteriores. Nada realmente novo. E nada imperdível. Acho que o filme peca principalmente pelo excesso de vilões. Nenhum deles ficou bem esclarecido. O Homem de Areia, então, nem se fala. Não dá muito bem pra tentar pensar no comportamento deles porque não faz sentido. Anyway, as melhores cenas do filme são com a secretária que liga pro ramal do chefe de 10 em 10 segundos e a confusão com o mâitre do restaurante francês. São bem engraçadas. E outra coisa que eu notei é que o Homem Aranha passa maior parte do tempo com a fantasia sem a máscara. Ele sai daquela missão super difícil, senta no topo de um prédio e tira a máscara pra descansar. Ninguém tem um binóculo em Nova York não? Já dava pra ter descoberto a identidade do herói fácil, fácil. Ainda mais que o herói é tão cultuado, fotografado e perseguido na cidade.


Bom, o filme é aquele blockbuster de sempre. Muita ação, efeitos especiais de primeira e muita apologia aos EUA, os verdadeiros salvadores do mundo. A cena do Aranha com a bandeira dos EUA atrás indo à luta, a caminho da salvação dos pobres e indefesos (pobre e indefesa, para ser mais claro) é o auge. E nessas horas eu paro pra pensar: americano ADORA ver suas cidades destruídas no cinema, mas quando uns míseros aviõezinhos se chocam num edifício, eles dão piti e invadem outro país. Ok, eu sei que o comentário foi maldoso e superficial, mas eu não podia perder a piada! Mas quem procura acha!