Sábado, Novembro 21, 2009

Seção CINEMA // Crítica Lua Nova

Lua Cheia de Amor: Quem Tem Medo do Lobo Mau?

A Saga Crepúsculo: Lua Nova // The Twilight Saga: New Moon


Nota: 5,5


Como o dinheiro move montanhas, e há mais livros continuando com a história, mesmo que má e porcamente pelo andar da carruagem, os estúdios não perderiam a oportunidade de arrancar dinheiro do bolso de adolescentes fanáticas que ainda não sabem diferenciar arte de comércio, e gente como eu que pagam só pra ter argumento pra meter o pau. Porque, sinceramente, a história do primeiro, que dizem ser menos fiel ao livro, que eu não li e jamais lerei, é muito superior. Só peca quando cai naquela babaquice de mordida, sangue, veneno, a luta do bem e do mal, espada de Greyskull, etc. e tal. E aqui é praticamente só isso que tem. O pouco que difere disso e lembra o primeiro filme não convence. Ainda mais porque todas as personagens mudam seus comportamentos.

Bom, depois do final feliz do primeiro filme, a história continua no aniversário da Bela. Ela acidentalmente se corta com um papel de presente e provoca tumulto na casa do vampiro-purpurina, que brilha ao sol feito a Priscilla no deserto. É aí que Pattinson realiza que o relacionamento é inapropriado e dá um pé na bunda na coitada, no meio da floresta. Ela já devia ter feito uma sangueroska e dado pra esse povo faz tempo, francamente... Com sangue de galinha mesmo, eles nem iam notar a diferença. Aí ela dá adeus à menina segura, decidida e independente e vira uma espécie de Penélope Cruz em Vicky Cristina Barcelona, sem o furor latino. Uma mulherzinha histérica e descontrolada, fazendo merda a torto e direito, gritando feito uma louca noite adentro por causa de um pesadelo à toa. A feminista virou donzela de conto de fada. Eu tinha jogado ela no hospício de Garota Interrompida do lado da Angelina Jolie. Ela ficava boa do fricote logo, logo.

A Kristen cada vez mais me lembra a Jodie Foster. Em todos os sentidos, se é que vocês me entendem... E ainda fazendo par com o Pattinson, que é canastrão até nos músculos desenhados com maquiagem (foto acima), é que fica mais difícil de digerir o motivo de tanto deslumbramento. Imagina o bafo de sangue de cavalo que ele deve ter... No primeiro colou, mas dessa vez tem concorrência. E desleal. Então não dá pra engolir o romancezinho adolescente. Ainda mais porque são adolescentes (ela, no caso, ele é mais velho até do que o Nino do Castelo Rá-Tim-Bum, só não envelhece). Mudam de opinião como quem muda de roupa.

Após o abandono ela busca esquecer o purpurina reformando uma moto velha com ajuda do Jacob, feito pelo Taylor Lautner, o cabeludo cafona do primeiro filme, e ali floresce uma nova paixão. O filme extrapola o nível do fantasioso. Quando um jovem musculoso e bronzeado (mesmo morando no frio e chuvoso estado de Washington) aparece seminu no quarto de uma adolescente de 17 anos, e claramente há atração física entre eles, o que acontece? Pois é, só aqui que não acontece nada... É muita pureza pra minha hipocrisia. Nem a filha da Sarah Palin lá no Alasca (provavelmente por muito menos) deixou passar, quanto mais esses dois.

Só que o que ela descobre depois é que o novo peguete dela é lobisomem. Na boa, essa menina é um imã de esquisitice. No próximo filme deve ter o encontro do Papai Noel com Coelhinho da Páscoa, só pode. Pé Grande, Múmia, Frankenstein, Penadinho, todo mundo na fila pra aparecer também. Saci Pererê e Mula Sem Cabeça não chegam lá porque é longe e frio. Qualquer dia também vai encontrar os smurfs, porque ela não é Chapéuzinho Vermelho, mas adora se enfiar num mato. E só encontrou vampiro e lobisomem até agora. Já dá pra soltá-la na Amazônia, porque pra quem encara vampiro e lobisomem, sucuri e onça pintada ela tira de letra.

O outro filme era menor, de baixo orçamento, e com o sucesso ganhou mais verba pras seqüências, tiraram a diretora e trouxeram o diretor de A Bússola de Ouro, expandiram o elenco, contrataram a Dakota Fanning, que era adorável em Uma Lição de Amor, e agora tá crescendo e me lembrando um pouco as gêmeas Olsen, e o Michael Sheen (foto acima), de Frost/Nixon e A Rainha, mas os efeitos especiais continuam ruins. Nenhum dos lobisomens parece real. Parecem personagens de vídeo game. E logo no começo, quando a Bela tira uma foto dos amigos, o efeito que fizeram no visor da máquina é péssimo. A maquiagem melhorou pouca coisa só.

O roteiro tampouco ajuda. Tem uns diálogos tenebrosos e umas cenas sem pé nem cabeça. A cena da Bela deprimida no quarto fazendo nada enquanto o tempo passa e ela pensa na morte da bezerra, foi muito melhor feita há 10 anos atrás em Um Lugar Chamado Notting Hill, com o Hugh Grant andando por uma feira enquanto as estações mudam. E ainda tinha o Ronan Keating cantando "When You Say Nothing At All" de trilha incidental, pra dar mais charme. Ou é "Ain't No Sunhine", não lembro mais... Faz dez anos já. Outra coisa que eu não entendo é por que em todo filme que alguém foge vai parar no Rio. Já virou esconderijo oficial de Hollywood. Pelo menos esse gênero é pano pra manga pra tirar sarro. Continuarei a ver as seqüências pra ainda ter muito deboche pra escrever!

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Seção CINEMA // Crítica Garota Interrompida

Eu Sou Rebelde Porque o Mundo Quis Assim…

Garota Interrompida // Girl, Interrupted

Nota: 9,5

Esse filme completa agora 10 anos, e eu continuo gostando tanto quanto quando eu vi pela primeira vez. No fim dos anos 80 e começo dos anos 90 Winona Ryder vinha se tornando uma das mais promissoras atrizes de Hollywood, fazendo filmes de sucesso como Minha Mãe É Uma Sereia, Edward Mãos de Tesoura, A Época da Inocência, Drácula e Adoráveis Mulheres. A própria Winona produziu esse filme praticamente (aparentemente...) com uma forma de estabelecê-la de vez na indústria como grande estrela, grande atriz, e ela poder levar o Oscar, que ela teve nas mãos alguns anos antes, mas deram pra Anna Paquin.

Só que havia no meio do caminho uma Angelina Jolie, que roubou a cena. E o Oscar... Depois disso teve o escândalo dos roubos e a carreira dela foi pelo ralo de vez. Acho que se de fato a intenção dela era ganhar prêmios, ela deveria ter agarrado o papel da Lisa, feita pela Joile, porque é de longe o personagem mais interessante do filme, apesar de ser coadjuvante. Mas pelo menos ela acrescentou mais um filme bom no currículo.

Eu fico às vezes tentando imaginar qual a cena memorável dela no filme, mas não consigo escolher uma. São todas ótimas. A do fantoche (foto acima), a da solitária, a que elas cantam Downtown, as duas da sorveteria, e várias outras. A cena que mostraram no Oscar durante o anúncio das indicadas é muito boa, mas pegaram o trecho mais sem graça. Provavelmente não escolheram outra porque ela fala palavrão em todas. E palavrão na TV é o fim do mundo. Acho que só Dercy Gonçalves pra falar palavrão na TV e ninguém dar valor. Ela já tava velha caduca mesmo, então se passava por espontaneidade. Isso no Brasil, por outras bandas acho que nem deve haver exceções.

Garota Interrompida é baseado em um livro autobiográfico escrito por Susanna Kaysen, sobre o tempo em que passou internada numa clínica psiquiátrica. Após tentar suicídio, Susanna, interpretada pela Winona (esquálida!), é internada numa clínica psiquiátrica e diagnosticada com distúrbio Borderline (não tem nada a ver com a música da Madonna). Pesquisei e descobri que em português o nome é transtorno de personalidade limítrofe. Ela reage bem ao tratamento, até começar a se influenciar por Lisa, feita pela Angelina, a sociopata internada na clínica há 8 anos.

Ainda no elenco tem a Brittany Murphy, num dos raros momentos em que ela não está em uma comédia, fazendo uma menina abusada sexualmente, Jared Leto, como o namorado da Winona, prestes a ir à Guerra do Vietnã, Vanessa Redgrave como a psiquiatra do hospital, e a Whoopi Goldberg como a enfermeira-chefe. A direção é do James Mangold, que fez depois Kate & Leopold e Johnny & June, dois filmes que eu também gosto muito.

Esse filme também marcou o fim de uma fase da Angelina. Tava no auge da revolta, tinha feito trabalhos de sucesso seguidos, como George Wallace e Gia, que a renderam diversos prêmios, casou-se com Billy Bob Thornton, caprichou nas esquisitices e virou alvo freqüente dos tablóides e das colunas de fofoca. Depois ela só colecionou filmes fracos, como Tomb Raider, Alexandre e Sr. e Sra, Smith, que eu até acho divertido, mas é mais famoso por outros motivos.

Só agora que ela tá voltando aos trilhos, fez A Troca e O Preço da Coragem (que eu não gosto, mas já é uma evolução), e virou humanitária, adotando crianças carentes, seguindo os passos da Mia Farrow. Tomara que a Zahara (ou o Maddox, pelo andar da carruagem...) não roube o Brad dela. Comentário infame, eu sei... Ela agora substituiu o Tom Cruise no elenco do policial Salt. Refizeram o roteiro só para ela estrelá-lo. Deve estrear no verão de 2010 nos EUA.

Enfim, o filme tem um ritmo ótimo, prende a atenção do começo ao fim, o elenco totalmente em sintonia, apesar de a Angelina ter todos os bons momentos e a trilha sonora dos anos 60 é um veludo para os ouvidos, com Simon & Garfunkel, The Mamas & The Papas, Jefferson Airplane, The Band e principalmente End of The World da Skeeter Davis e Downtown da Petula Clark. O tema é um dos meus favoritos. Acho pano pra manga pra boas discussões. Apesar do meu entusiasmo, o filme não teve das melhores repercussões. A própria autora do livro achou o filme tendencioso e melodromático por criar situações que não existiram, e, portanto, não estão livro. Mas ela viveu a situação real, nós não, então não saberíamos exatamente o que é real ou não na história. Mas o que aparece na tela me agradou.

Sábado, Novembro 14, 2009

Seção CINEMA // Crítica Tudo Pode Dar Certo

Uma Virada do Destino

Tudo Pode Dar Certo // Whatever Works


Nota: 9,0


Filme do Woody Allen a gente reconhece só pelos créditos inicias. Aquelas músicas antigas, que eu acredito que devem ser todas dentre a década 20 e 50, e fundo preto com letras brancas, fonte Benguiat, a mesma do cartaz aí do lado (é só clicar na imagem pra aumentar). Além, é claro, do chato neurótico verborrágico, que quando ele atua nos seus filmes, ele mesmo faz o papel. Eu já passei a acreditar que ele é assim, e esses personagens são sempre uma forma que ele encontrou de se ver dentro de outras realidades, vivendo novas situações, ou fazendo coisas que ele não poderia fazer e satisfaz essa vontade através dos filmes.

Bom, o chato neurótico da vez é o Larry David, que já foi chato neurótico do seriado "Curb Your Enthusiasm" por um bom tempo, então ele sabia bem o que fazia. No filme ele conta sua história, como o primeiro casamento não deu certo e como o inesperado aconteceu na sua vida. O inesperado responde pelo nome de Evan Rachel Wood, linda como sempre, fazendo uma menina do Mississipi (sul dos EUA), com aquele sotaque bem característico. Eu gosto da Evan. Desde Aos Treze e Correndo Com Tesouras que já dava pra ver que ela era boa atriz, tanto que pelos filmes a gente nem nota que é louca o suficiente pra namorar o Marilyn Manson. Só nunca a tinha visto fazendo comédia.

Então a Evan aparece na sua porta como uma menina fugida de casa, sem ter pra onde ir, procurando por comida e abrigo, e encontra seu alento no Larry. Ela é ingênua e tratada como a personificação da burrice universal por ele, que é um chato de galocha, mais salgado que carne de sol, pessimista, resmungão e hipocondríaco, mas ela se encanta pelo gênio que ele se auto-proclama ser, e pela sua suposta inteligência e ele gosta de transmitir todo o seu conhecimento à ela. Aí eles vão aprendendo a conviver um com o outro e o relacionamento deles se desenvolve.

Bom, o elenco ainda tem mais gente, que só aparece depois e eu não vou dizer exatamente o que eles fazem pra não entregar detalhes da trama. Tem a Patricia Clarkson, que também fez Vicky Cristina Barcelona e foi indicada ao Oscar por Do jeito Que Ela É (que eu adoro), como a mãe da Evan, o Ed Begley Jr. faz o pai, e geralmente tem o bonitão da trama, que tem como intuito fazer o chato neurótico (já que o universo gira ao seu redor) se sentir inferior (o que é uma neura a mais pra quem já tem tantas?), função atribuída ao Henry Cavill, do seriado The Tudors, e há alguns anos atrás foi considerado o ator mais azarado de Hollywood por perder 2 papéis pro Robert Pattinson (em Crepúsculo e Harry Potter), e os papéis em Superman Returns e na série 007 pro Daniel Craig. Eu sinceramente não consideraria tanto azar assim, tirando Crepúsculo. Mas perder trabalho pra toda aquela competência dramática do Robert deve ser muito frustrante...

Olha, Woody Allen no começo do ano ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Comédia por Vicky Cristina Barcelona, mas pra mim ele não chega aos pés desse. Aqui tem piada até em letreiro, como o nome da banda do show de rock que a Evan vai. E o filme só cresce com o passar do tempo. O começo pode ser meio indigesto porque agüentar o chato é dose pra leão, mas a partir do momento que aparece a Evan, que é responsável por quase todas as deixas cômicas (e por mim devia ser pelo menos indicada ao Globo de Ouro de atriz em comédia, porque quem vai ganhar mesmo é a Meryl por Julie & Julia), tudo muda, e a entrada da Patrícia também é triunfal. O Henry aparece pra arrancar os suspiros, e o Ed é só a cereja no topo.

Ainda bem que o Woody deu uma desencanada da Scarlet Johansson. Duvido que ela se sairia tão bem quanto a Evan. Legal ver Woody voltando pra sua amada Nova York também, depois de filmar alguns filmes na Europa já que não conseguia financiamento nos EUA. Mas mesmo assim o filme teve lançamento limitado a poucos cinemas só. Nem sei se estreou ou vai estrear no Brasil. Uma curiosidade é que o roteiro já estava escrito desde os anos 70, mas foi arquivado. Ele decidiu produzir durante a greve dos roteiristas em 2008 e só teve que mudar algumas das referências dos diálogos, pra ficar atual. Incrível ver como as críticas à hipocrisia do moralismo religioso (cristianismo, no caso) ainda continuam válidas hoje em dia. E provavelmente sempre serão...

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Seção CINEMA // Crítica Amor Por Acaso

Quem Vê Cara Não Vê Coração

Amor Por Acaso // Love Happens

Nota: 6,0

Quando eu vi o trailer eu me encantei. Talvez por causa da música de fundo. "Better Days" do Goo Goo Dolls. Adoro a música, adoro a banda, etc. Mas ela nem toca no filme... Senti falta. Enfim, besteiras a parte, o filme é dirigido pelo Brandon Camp e o roteiro é do Mike Thompson. Muito prazer... Outro atrativo pra mim foi o elenco. Amo Jennifer Aniston desde o primeiro episódio de Friends, e ainda tô esperando ela se estabelecer no cinema. Acho que ela só fez uns dois ou três bons papéis. O Aaron Eckhart também tem a minha admiração desde Obrigado por Fumar, Batman, Sem Reservas, etc. Ainda tem a Judy Greer que normalmente faz filmes que eu gosto, sempre como coadjuvante, como Elizabethtown e Vestida Pra Casar. De Repente 30 a gente ignora...

Bom, a história é sobre o Aaron, um viúvo que transformou a perda da sua esposa em diário, e depois foi convencido pelo seu empresário maniqueísta a transformar tudo isso em livro. A partir daí ele virou uma espécie de guru da auto-ajuda de araque, à La Walter Mercado, só que menos alegórico, vendendo falsas soluções às pessoas, tipo esse monte de “religião do sétimo dígito” que se proliferam pelas esquinas. Escrevendo isso eu pude ver como esse tema podia ser um ótimo filme. Charlatanismo, religião, mentir pra si mesmo, etc. Esse filme podia ser muito bom...

Enfim, aí entra a Jennifer na história como uma florista trabalhando no hotel em que ele tá dando palestra, e ele se interessa por ela. Aí transformam tudo em romance, como o próprio título denuncia. Só que a imagem de superação que ele vendia é uma completa farsa porque ele nunca superou a perda e não está preparado pra se envolver com ninguém antes de resolver seus problemas primeiro. Enfim, a história não é tão interessante quanto soa. Não se engane.

O problema dos romances é que a fórmula é mega gasta. Tem que ser muito criativo pra trazer coisas novas. Cair no lugar comum, no óbvio, nas cenas clichês, que todos os outros do gênero têm é o que acontece com 95% deles. O filme é facílimo de ser decifrado. Nada surpreende. As cenas são todas comuns, apesar dos atores serem bons, o roteiro não dá espaço pra eles brilharem. A gente vê uma diferença gigantesca entre o desempenho da Judy aqui e em Vestida pra Casar. O papel é o mesmo, a melhor amiga da protagonista loira. Só que no outro ela tinha vida, aqui ela não faz nada. Ainda tem o Martin Sheen (Apocalipse Now, Os Infiltrados e o seriado The West Wing), pai do Emilio Estevez, Charlie Sheen e Cia ltda., que faz o sogro do Aaron.

É um exemplo clássico de como edição é tudo no mundo do cinema. Você sai cortando tudo, montando como quer, coloca uma música legal e faz um mega trailer de algo bem meia-boca. Ou então pode mudar tudo de contexto e transformar em algo completamente diferente, como algumas pessoas fazem e postam no YouTube. Lembro de um vídeo que transformaram Curtindo A Vida Adoidado (que eu detesto, tenho ódio, acho o Ferris um vigarista, um picareta em desenvolvimento, o tipo de gente que cresce e vira político ladrão, e tinha total simpatia pela irmã dele) num romance gay, só remontando as cenas. Tem vários outros exemplo aqui. Se você souber inglês, vale à pena conferir.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Seção CINEMA // Crítica Fama (2009)


When Will I Be Famous?
(I Can’t Answer That…)


Fama // Fame (2009)

Nota: 5,5

Quando eu li que estavam refilmando Fama, que eu já havia comentado aqui, eu sinceramente não sabia o que esperar. Mas sabia que esse novo ser tão bom quanto o primeiro ia ser praticamente impossível. E eu acertei. Mas filme tem suas qualidades. Eu só não as encontrei... Brinks! Dá pra citar algumas coisas boas do filme, mas dá pra citar mais os pontos negativos, porque são muito mais evidentes, e não dá pra assistir esse filme e não comparar com o original. Então mãos à obra!

Bom, o filme original acompanha a vida de jovens estudantes da escola de artes performáticas de NY. Esse aqui segue a mesma linha, mas com histórias diferentes, e que não deixa de ser uma faca de dois gumes. Se refazer cena a cena seria arriscado, mudar as histórias parece uma saída mais inteligente, porém elas podem ou não serem melhores que as originais. Não há como não cair na comparação. É uma batalha perdida. Se eu tivesse o poder de tomar decisões em uma produtora, refilmagens seriam proibidas, salvando raríssimas exceções. Porque pra sair um “Os Infiltrados”, saem antes mil “Psicoses” ou “Famas”.

No filme original a gente vê jovens lutando pra se superarem. São pessoas comuns, com seus problemas pessoais, e cada um com seu charme. Aqui já segue aquela linha seriado de TV adolescente. São todos lindos. Aquele universo paralelo que só existe em catálogo de agência de modelos. E são inexpressivos. Aparentemente menos talentosos que os jovens do filme antigo. Naquela época os recursos tecnológicos não eram tantos. Ou se tinha talento ou não. Hoje em dia podem transformar qualquer um em um grande cantor. Os efeitos especiais podem dançar por eles. Tudo parece muito pasteurizado, mecânico.

O filme original é de quase 30 anos atrás, mas o atual é muito mais careta. Esse povo não faz sexo, não tem um gay, não se toca em tabu nenhum, ninguém usa drogas. Não que eu faça apologia a drogas, longe disso, mas a gente sabe que o meio artístico sem tudo isso que eu listei não existe. O filme não expressa a realidade. As personagens são rasas, mal desenvolvidas, todas com os mesmos problemas. Lembrou Mudança de Hábito 2. Os jovens que vão contra a vontade dos pais e tentam ser artistas. E todos só se dão mal durante o filme, naquela seqüência de clichês. Dois são enganados, a outra quer uma coisa, a família quer outra, só perto da formatura a professora diz a um rapaz que ele nunca será bom o suficiente (o que eu achei de última, em todos os níveis imagináveis), entre outras situações afins. Enfim, aparentemente são todos medíocres. Fica aquela coisa, por que eu tô vendo isso então? Nem nos supostamente talentosos a gente bota fé no fim das contas.

Recriaram algumas das cenas clássicas como a dos alunos cantando na cafeteria, a da graduação e da Irene Cara cantando "Out Here On My Own" (vídeo clipe com várias do filme original aqui e apenas a cena aqui), mas achei bem inferiores às originais, inclusive as canções. A menina que canta é a melhor coisa do filme. É bonita, canta bem, mas mas não há a mesma profundidade, o mesmo sentimento. Pelo menos não tentaram refazer a cena da música tema em que os alunos dançam nas ruas. Usaram a versão nova pros créditos finais.

Os premiados Kelsey Grammer (Frasier) e Megan Mullally (Will & Grace) estão perdidos num roteiro que não os deixam crescer. Pelo menos o Kelsey tem a melhor fala do filme, quando um aluno reclama de ter que tocar música clássica no piano. Colocaram uma cena para a Megan cantar, mas eu achei a voz dela irritante. Funciona fazendo comédia, como ela fazia com a Karen, que a deu dois Emmys e três prêmios do sindicato. Adoro quando ela canta "Unforgettable" no último episódio da série. Mas fora dessa perspectiva eu não achei interessante. O lado bom é que esses jovens têm a chance de aparecer e tentar coisas melhores depois. Mas da próxima vez, fujam de refilmagens. Footloose, nem pensar! Previsão de outra bomba vindo por aí. A não ser que mudem totalmente o enfoque, como fizeram com Hairspray. Fica a dica.

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Seção CINEMA // Crítica Tudo Por Amor

Ainda Encontro A Fórmula do Amor

Tudo Por Amor // Dying Young

Nota: 8,0


Quando eu era criança passava direto propaganda no SBT de que esse filme estava disponível nas locadoras. A minha mãe era louca pra ver e pedia pra gente alugar pra ela quando fôssemos à locadora com o meu pai. Nessa época a gente só via coisas infantis como Snoopy, Smurfs, Snorkels, Alice, Garfield, Pernalonga, Ligeirinho Gonzáles e os que me traumatizaram, chorei rios e não quero ver nunca mais: A Pequena Vendedora de Fósforos e A Turma da Mônica e a Estrelinha Mágica. Enfim, no começo a gente nunca achava o filme. Era o primeiro romance pós Uma Linda Mulher da Julia Roberts, que tava na moda na época, e tava sempre locado. Depois de um tempo a gente achou e levou pra ela ver. Eu lembro de ter visto com ela, mas não entendi patavinas. Também não tinha cabeça pra entender mesmo naquele tempo...

A história é aquela água glicosada de sempre. Eles se apaixonam, mas um deles tem uma doença séria. Ele na verdade. Leucemia. A Julia tava na fase seria Ariel/Jessica Rabbit com aquele cabelo enorme e vermelho super-ultra-hiper-mega-über falsiei. Ela faz Hillary, uma moça de 23 anos com aquela carinha de 35, que pega o namorado com outra e larga o traste. Aí ela volta pra casa da mãe, a Ellen Burstyn, que também foi mãe da menina endiabrada de O Exorcista.

Só que a mãe a enlouquece e ela tem que arrumar um jeito de dar o fora dali, então responde a um anúncio no jornal pra ser enfermeira do Campbell Scott, que eu nunca entendi por que ele nunca virou um dos grandes galãs de Hollywood. Ele é muito melhor ator que a maioria dos atores da idade dele, e mais bonito também. No começo ela é escurraçada pelo pai do doente, mas o rapaz a chama de volta e a contrata. O resto todo mundo já sabe como termina só de ver a capa.

Foi interessante ver o filme pra mim porque ele se passa entre Oakland, São Francisco e outra cidade lá. Algumas cenas foram filmadas aqui bem perto de casa, já que a mansão do Campbell fica aqui pertinho. É legal ver como as coisas mudaram, tipo os postes nas ruas. Não tem mais nenhum, pelo menos por aqui pelas redondezas. A hidratação de maionese da Julia também foi uma novidade. Já ouvi falar em ovo, babosa, chocolate, e diversas outras coisas, mas maionese foi a primeira vez.

Esse é um dos famosos clássicos não-classicos. Tem todos os ingredientes do sucesso, mas não emplacou. A trilha romântica do James Newton Howard, que é linda e por mim merecia um Oscar, toca o filme inteiro, como em todo romance. No mesmo estilo de Endless Love, My Heart Will Go On, I Have Nothing, The Way We Were, etc. A versão orquestrada do James é linda demais, mas virou hit sensação na versão em saxofone do Kenny G, que naquele tempo nem era tão nojento até virar trilha sonora obrigatória de todo casamento, festa de 15 anos, flashback de rádio, bailinho, sarau e quermesse. A trilha até hoje é famosa, o filme nem tanto...

A Julia continuou mega estrela, fazendo sempre os mesmos papéis. Aqui é uma reprise dramática dela mesma em Uma Linda Mulher, a “bela” pobretona que enlaça o ricaço, não sabe comer comida fina, tipo carpaccio, no restaurante de luxo e adora um pancadão na periferia... O diretor Joel Schumacher, que já tinha até feito sucesso antes com Os Garotos Perdidos e O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas, fez vários filmes de sucesso depois. Mas fez também o Batman com o George Clooney, o do famoso terno com mamilos, e O Fantasma da Ópera de 2004, aquela bomba.

Talvez o lugar ao sol e nas estantes não seja cativo porque o final não é tão lacrimejante quanto os demais romances, tirando as comédias românticas, que todas têm finais felizes. Talvez o problema seja também os títulos. O título original já é péssimo, “Morrendo Jovem”. A versão brasileira é menos macabra, mas é brega de doer. Supra-sumo do clichê. Mesmo metendo o pau, eu não consigo pensar em algum outro título que seja adequado, elegante e atrativo. Mas tudo bem. Título cafona, Julia Roberts de sereia Ariel e Kenny G topado na vitrola, tá tudo em sintonia.

Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Seção CINEMA // Crítica Loggerheads

Coisas Que Perdemos Pelo Caminho

Loggerheads

Nota: 9,5

Ultimamente não tenho tido tempo pra quase nada e quase não tenho visto filmes. Por isso que mal tenho atualizado o blog. O curso tem enlouquecido e consumido todo o meu tempo... Espero poder ir ao cinema esse final de semana e ter mais assunto sobre o que escrever, pra que o blog não fique abandonado por muito tempo. Hoje tive um tempinho e vi esse filme que eu já tinha ouvido falar várias vezes, mas nunca tive como ver. Esses filmes independentes sempre me lembram como o cinema descom-promissado com bilheteria é superior. Passam longe da obviedade e dos clichês caça-níqueis.

O elenco tem algumas pessoas que eu já conhecia também, como o Kip Pardue, que fez Regras da Atração, Aos Treze, e faz uma pontinha num outro filme independente que eu amo, Heróis Imaginários. Tem a Bonnie Hunt, que fez vários seriados de TV, fez toda a série Beethoven, Jumanji, Jerry Maguire e À Espera de Um Milagre. O Chris Sarandon, primeiro marido da Susan Sarandon, que fez Um Dia de Cão e a Tess Harper, que teve dois castigos na vida: fazer parte do elenco de Ishtar, aquele filme do Warren Beatty e do Dustin Hoffman que é considerado um dos piores filmes de todos os tempos, e foi mulher do Tommy Lee Jones em Onde Os Fracos Não Têm Vez.

Bom, o filme tem três histórias paralelas que ocorrem em tempos diferentes, tipo As Horas, mas elas não são tão distantes umas das outras temporalmente. A Bonnie faz uma atendente de uma locadora de carros em um aeroporto que vive com a mãe, larga o emprego e tenta encontrar o filho que ela foi obrigada a entregar para a adoção quando tinha 17 anos. O Kip faz um andarilho sem-teto obcecado em salvar tartarugas marinhas (as loggerheads do título), e acaba conhecendo George, que é dono de um motel na cidade e o oferece um quarto pra ficar. A Tess faz uma esposa de ministro evangélico dividida entre seguir os ensinamentos do marido, ou de Deus, sei lá, ou seguir seu coração.

Esse é um filme de 2005 do diretor/roteirista Tim Kirkman, que eu nunca ouvi falar e o IMDB me disse que esse é o último filme que ele fez, e é baseado numa história real. O filme estreou no festival de Sundance e ganhou diversos prêmios em outros festivais mundo afora. Foi filmado em 2004 na cidade de Wilmington, mesma cidade em que Dawson’s Creek era filmado também. Quase todo mundo que me conhece sabe que eu amo Dawson’s Creek. Amava há 10 anos atrás pelo menos.

É uma pena que filmes assim não sejam tão reconhecidos nas premiações, salvo raras exceções, ou consigam espaço nas salas de projeção. Enquanto isso a gente agüenta transformers, x-mens, bruxos e duendes, comandos em ação, passeios intergalácticos, tiros, sangue e comédias acerebradas diversas o ano inteiro. Quem gosta de tudo que eu listei na frase anterior provavelmente vai detestar esse filme, já que são ritmos totalmente diferentes. E não tem explosão nenhuma também. Só diálogos, expressões, olhares e sentimentos.

Sábado, Setembro 12, 2009

Seção CINEMA // Crítica Aconteceu em Woodstock

Jovens, Loucos e Rebeldes

Aconteceu em Woodstock // Taking Woodstock

Nota: 9,0

Woodstock. Ang Lee. Imelda Staunton. Emile Hirsch. Liev Schreiber. Não tinha como dar errado. Bom, não era o que eu esperava na verdade. Eu adorei o trailer, achei bem diferente do normal. E interessante. Ang Lee é um bom diretor. Adoro Razão e Sensibilidade, Brokeback Mountain e The Ice Storm. A gente pode esquecer O Tigre e o Dragão... Ele mostra muita sensibilidade no seu trabalho. As cenas silenciosas, suaves músicas, olhares, gestos, tudo isso é bem característico do cinema oriental, e do dele, que faz um híbrido entre as duas concepções.

O filme é sobre Elliot Tiber, feito pelo Demitri Martin, que é famoso por fazer standup comedy, um jovem formado em design de interiores frustrado que desiste das suas ambições pra ajudar os pais que têm um motel (que nos EUA é um hotel de beira de estrada, e normalmente não tem as mesmas finalidades dos motéis no Brasil...) caindo aos pedaços. Tem algo bem interessante aí no trio. O Demetri tem 36 anos e faz um cara de vinte e poucos. Já os pais dele são feitos pela Imelda Staunton e pelo Henry Goodman (que eu não conhecia) e aparentam ter bem mais idade do que realmente têm. E funciona bem. Lembrou-me um pouco aqueles seriados de TV com adolescentes de 25 anos, com pais de 35, tipo The OC e Barrados no Baile.

Bom, o Demitri, digo, o Elliot desiste um pouco da sua carreira na cidade grande pra ajudar a mãe muquirana e o pai passivo no interior de Nova York. Eles tentam recuperar o motel, mas não conseguem empréstimos. Então ele decide usar o local deles pra sediar um festival de música, de público hippie, hoje mundialmente famoso, para conseguir o dinheiro que precisam. Apesar de terem contra eles a oposição da população da cidade, eles têm a ajuda do Liev Schreiber, ou melhor, Vilma, o travesti ex-soldado da Guerra da Coréia que serve como segurança, e Billy, o Emile Hirsch, um soldado porra-louca recém chegado do Vietnã e Max, o paizão do American Pie Eugene Levy, que também cede sua fazenda para os shows.

Apesar de o filme ter tido críticas apenas razoáveis, eu gostei muito. Não vou mentir que eu esperava ver mais dos shows, e não só apenas os bastidores. Mas retratar Hendrix, Janis Joplin, The Who, Joan Baez, Joe Cocker poderia ser bem arriscado também. A não ser que usassem gravações reais da época, como em Milk, por exemplo. Eu tava vendo a lista dos shows que aconteceram na época, e deve ter sido do c******! Mesmo não sendo chegado nos higiênicos hippies, nem na erva, e muito menos nos ácidos... Mas o roteiro é baseado num livro autobiográfico do próprio Elliot, que era sobre os bastidores em si, então.

Como o Ang é bom no que faz, ele jamais deixaria o filme ser uma porcaria. As interpretações são todas boas, especialmente da Imelda, que tá brilhante como a sovina e ranzinza mãe do Elliot, correndo com uma vassoura para os depravados cobrirem suas vergonhas. Por mim ela deveria ser ao menos indicada a prêmios como coadjuvante. Depois de perder um Oscar pra Hillary Swank ela merece ser recompensada de alguma forma, até porque ela é uma grande atriz britânica, e bastante reconhecida.

Tem-se criticado muito o grupo “teatral” que ensaia no celeiro da família do Elliot, que é pra lá de ridículo por sinal. Acham as cenas apelativas, pela nudez e tal. Mas anos 60, hippies, falta de noção, de sentido, de higiene, nudez, tem tudo a ver! Vem tudo no mesmo pacote. Não pode ser vendido separadamente. As críticas se estendem ao Liev também, por ele ser másculo demais pra fazer a Vilma. Mas cá entre nós, um travesti veterano de Guerra e segurança de Woodstock não poderia ser um frangote magrelo. E além do mais ele foi baseado numa pessoa real, deve ter uma descrição dela no livro, além de a produção ter feito um estudo dos personagens antes de escalar o elenco. Eu suponho que a Vilma real deveria ter sido bem daquele jeito mesmo.

Enfim, não tenho muito mais o que dizer, além de que gostei e gostaria de revê-lo. Ele foi um dos filmes apresentados em Cannes, em que o Emile Hirsch apareceu de skate e com praticamente a mesma roupa que usou no vôo de LA pra lá. Garoto estiloso... O filme não teve a mesma má impressão que Bastardos Inglórios, mas não tem conseguido a mesma bilheteria do outro, que na verdade é a maior arrecadação em uma estréia da carreira do Tarantino. Vai entender... Também fiquei mais curioso do que já era pra ver os shows de Woodstock. Vou procurar DVDs e documentários assim que a faculdade me der uma trégua.